Humor entre delegações é o ‘mais construtivo possível’, afirmam diretores da COP

Diretores da COP 30 contam principais temas em debate nestes dois dias de evento (Foto: Tatiana Carlotti/F21)
Por Tatiana Carlotti
Enviada especial a Belém – Fórum21/IPS
A embaixadora Liliam Chagas, diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores, afirmou nesta quarta-feira (12/11) que o humor das 194 delegações internacionais nestes dois dias de COP30, é “o mais construtivo possível”.
As negociações começaram nesta terça-feira (11/11) em Belém e vão até o próximo dia 21, quando serão apresentadas as propostas de implementação de uma agenda de 145 itens, parte deles herdados de edições anteriores da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.
Chagas destacou se tratar de uma “agenda gigantesca de negociações mandatárias”, que são os acordos não fechados ou não implementados pelas COPs anteriores. Apenas para estabelecer o Objetivo Global de Adaptação (GGA) às mudanças climáticas, os países terão de selecionar mais de 100 indicadores.
“Estamos no trabalho técnico final e as delegações têm duas semanas para concluir a seleção”, destacou, ao apontar que os delegados “estão ansiosos para cumprir as tarefas”. Alguns itens dessa agenda precisam ser organizados para o futuro; “outros, são mais substantivos e as decisões precisam ser tomadas agora”, afirmou.
A expectativa é de “boas decisões” para os planos nacionais de adaptação climática. O tema é uma das principais frentes de trabalho em andamento e “um dos resultados mais esperados de Belém”, apontou.
Nestes dois dias, as delegações também debateram o Programa de Trabalho sobre Transição Justa, que não obteve consenso na COP29 e deverá ser definido agora. Outro ponto destacado pela embaixadora foi a Implementação do Balanço Global (Global Stocktake) no escopo dos Acordos de Paris.
“Há discussões muito importantes sobre tecnologia e financiamento, em especial sobre como os fluxos financeiros devem se alinhar e ser coerentes com o desenvolvimento de economias de baixo carbono”, afirmou.
“Nosso papel é garantir que todas as delegações tenham espaço e tempo de negociação que cada um desses temas merece”, apontou.
Artigo 9.1.
Segundo Túlio Andrade, Diretor de Estratégia e Alinhamento da COP30, as discussões nestes dias se concentraram em quatro propostas. A primeira foi “o Artigo 9.1 do Acordo de Paris, sobre a obrigação dos países desenvolvidos de prover recursos financeiros aos países em desenvolvimento”.
A demais propostas giram em torno de medidas comerciais unilaterais, relatório-síntese das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e relatórios anuais de transparência.
Segundo Andrade, “o espírito de mutirão não apenas foi mencionado várias vezes por todas as delegações, como também foi colocado em prática por elas”. Ele destacou uma mudança de dinâmica nas negociações.
“Por muito tempo, especialmente devido às dificuldades geopolíticas, tivemos ambientes de negociação bastante tensos. O que estamos vendo agora é um diálogo saudável, construtivo, que não víamos há muito tempo”, acrescentou, ao contar que a primeira sessão de discussões durou 4 horas, o dobro do planejado; e foi seguida de outra sessão, totalizando sete horas de debate contínuo.
Segundo Andrade, até agora houve “ação” e “entendimento comum de que estamos passando da negociação para a implementação”.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Também trabalha em Ópera Mundi e atuou por oito anos nos veículos progressistas Carta Maior (2014-2021) e Blog Zé Dirceu (2006-2013). Tem doutorado em Semiótica (USP) e mestrado em Crítica Literária (PUC-SP).
