O mundo cão do poder em Santa Catarina

Apesar da repercussão nacional, o caso do cão Orelha corre o risco de impunidade e de ser engavetado pela influência do poder e das elites em Santa Catarina. (Foto: Tribunal de Justiça de Santa Catarina)
Por MOISÉS MENDES
Blog Moisés Mendes
Uma fonte que respeito, porque atuou por muitos anos como operador do Direito em Santa Catarina, me envia essa previsão sombria.
O caso do cão Orelha pode até avançar na polícia, com um inquérito bem amarrado. E pode ter uma denúncia forte e consistente do Ministério Público.
Mas não se surpreendam se o caso empacar ou for embaralhado na Justiça de primeira instância e depois cair numa gaveta escura da Justiça de segunda instância, como costuma acontecer com os processos envolvendo poderosos em Santa Catarina.
Perguntei se isso seria possível, mesmo com a repercussão que o caso teve em todo o país, e ouvi o seguinte: eles exercem o poder contra as pessoas, imagina se não exercerão contra um cachorro.
Como já aconteceu em outras circunstâncias, é possível até que juízes de segunda instância que julgarão o caso venham a participar ou já tenham participado de banquete com parentes dos réus do caso. Tudo é possível.
Mas sempre há um no entanto. E nesse caso o no entanto é o seguinte. Os envolvidos na tortura e morte de Orelha podem ir para o sacrifício, para que outros casos continuem sendo tratados como sempre foram.
Assim funciona o mundo cão do poder em Santa Catarina.
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GAVETA
E aqui mais um exemplo de que os poderosos têm a proteção dos seus onde eles estiverem. Dos 21 ministros do STJ que votaram sobre a sindicância interna para apurar se o ministro Marco Buzzi assediou uma jovem de 18 anos na praia de Balneário Camboriú, oito votaram contra a abertura do inquérito.
E um deles foi o próprio Buzzi. Mais de um terço do pleno do STJ tentou impedir a sindicância.
