PT completa 46 anos com chamado de Lula à ação: ‘vai ser uma guerra’

PT completa 46 anos com chamado de Lula à ação: ‘vai ser uma guerra’

Em ato de aniversário do partido, ocorrido em Salvador, o presidente Lula passou seu recado aos petistas e ao povo brasileiro convocando todos a engajarem no combate o fascismo e na defesa da democracia; ‘se precisarem de um timoneiro, ele está aqui’. (Foto: reprodução vídeo/ PT)

POR TATIANA CARLOTTI

O PT comemorou 46 anos no último dia 10 de fevereiro, com um legado de transformação social imbatível em relação aos demais partidos nacionais. A data foi marcada no sábado (07) por um ato, ocorrido em Salvador, com as presenças do presidente Lula e do vice-presidente, Geraldo Alckmin que, embora ainda não confirmado, deverá integrar a chapa na disputa eleitoral do PT neste ano, fortalecendo a rede alianças contra a extrema direita.

O ato foi um momento de comemorar o legado, mas sobretudo de apontar o projeto de futuro defendido pelo PT e reiterar o objetivo maior deste ano que é reeleger não apenas o presidente Lula, mas ampliar a presença do partido nos estados e, sobretudo, garantir o maior número possível de parlamentares no Congresso Nacional para dar sustentação às políticas do próximo governo.

Essa pauta foi reforçada em praticamente todas as falas, do presidente nacional da legenda, Edinho Silva, do governador da Bahia Jerônimo Rodriguez, da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do presidente estadual do PT, Tássio Brito, que participaram do ato (confiram a íntegra no Canal do PT).

A comparação com os governos anteriores foi outra tônica do ato. Ao dar início à cerimônia, Brito rememorou a ‘bad vibe’ nos tempos de Jair Bolsonaro, com “o desemprego nas alturas, geral preocupado” e o sentimento de um país emperrado. Ele mencionou as crianças que não conseguiam viver até um ano de idade porque morriam de fome e os registros de identidade ou certidão de nascimento negados à população do estado.

“Nós temos uma tarefa muito importante e essa tarefa é do PT, porque temos o privilégio de dizer que forjamos a maior liderança política do mundo da nossa geração”, disse ao se referir a Lula. “É nossa obrigação moral, ideológica, identitária, marchar ao lado do presidente Lula e fazer ele presidente mais uma vez no primeiro turno”, acrescentou.

Frateschi, Everaldo e Frei Sérgio, presentes!

Na sequência, foi realizada uma homenagem póstuma aos fundadores da legenda Paulo Frateschi e Everaldo Anunciação e a um dos fundadores do Movimento Sem Terra (MST), Frei Sérgio Gorgen, realizada pelo ex-presidente do PT e ex-ministro José Dirceu.

Com a presença dos filhos de Everaldo, Larissa Víctor e Iago Assunção, e de sua neta, Ana Beatriz, Dirceu destacou a luta pela liberdade, democracia e justiça social que marca a trajetória política dos três militantes.

Paulo Frateschi, destacou Dirceu, foi preso e torturado pela ditadura quando jovem. “Não desistiu, não renunciou, não teve tempo para deixar a estrada da luta e chegou até a fundação do nosso PT. Everaldo foi vereador, dirigente sindical, dirigente do PT, lutou no sul da Bahia e, aqui, participou dos nossos governos. Frei Sérgio foi um lutador sempre ao lado dos sem terra e da agricultura familiar; passou fome, chorou, viu crianças morrerem de fome”, destacou.

PT, o primeiro a ter cotas para mulheres

Na sequência, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) destacou o compromisso da legenda com as mulheres. Ela lembrou que o PT foi o primeiro partido a discutir e fazer das cotas, uma lei eleitoral. O primeiro a ter “paridade de representação na direção e em todas suas instâncias” e o primeiro com um presidente da República e uma primeira-dama que “botam o dedo na ferida mais cruel que hoje atinge a vida das mulheres: o feminicídio”.

O presidente Lula tomou para si essa pauta e fez dela um pacto entre os Três Poderes, destacou, ao salientar que o feminicídio é um crime planejado, arquitetado e pensado. “Hoje, não basta matar, como se tirar a vida não fosse o maior dos crimes. Ele vem recheado de crueldade e sadismo”, acrescentou.

A senadora petista também destacou a importância de eleger mulheres para o Congresso. “Eu quero mais senadoras para me tirar da solidão. É preciso que as mulheres também ocupem esses lugares para fazer juz a nossa história de luta, ousadia e esperança que só o PT tem”, afirmou.

Cinco vezes ganhador de uma eleição presidencial

O presidente nacional do partido, Edinho Silva, falou em legado, mas sobretudo dos desafios deste ano eleitoral. Ele lembrou que o PT é parte do avanço das políticas públicas brasileiras. “Somos o único partido da história brasileira a ganhar cinco vezes uma eleição presidencial”, destacou.


Edinho comentou a ascensão do fascismo no mundo e no país, destacando o papel do amplo arco de alianças para garantir a vitória da democracia no país. E destacou a importância crucial da reeleição de Lula neste sentido.

Ele também salientou a importância das eleições regionais e, sobretudo, as parlamentares. “Temos que colocar como meta que não haja nenhum estado brasileiro sem uma deputada ou um deputado federal” para ampliar as bancadas do partido no Congresso. “São os parlamentares que, no dia a dia, visitam os estados e ajudam a construir o nosso partido”, observou.

Edinho citou várias pautas defendidas pela legenda, como o orçamento participativo, salientando que somente a democracia e a participação popular farão o contraponto às emendas impositivas, “que tiram da mão do presidente Lula a capacidade de execução orçamentária e de desenvolver políticas públicas de interesse coletivo”. Ele também defendeu a economia solidária, o cooperativismo, a educação integral e grandes temas como transição energética e revolução tecnológica, e a constituição de uma nova indústria brasileira.

O presidente do PT mencionou ainda os esforços do governo Lula para fazer “a maior reforma de renda do país”, obrigando os ricos a pagarem impostos e isentando os trabalhadores da contribuição. “Somente nós podemos levantar a voz do antissistema”, afirmou Edinho, ao defender o fim da jornada 6×1 e uma tarifa zero no transporte público. “Queremos continuar sendo o partido da classe trabalhadora brasileira e da transformação da vida do povo brasileiro”, reiterou.

Muito mais do que um partido

Na sequência, o governador da Bahia, Jeronimo Rodriguez, destacou o Consórcio do Nordeste, agradecendo ao presidente Lula, em nome dos nove governadores que compõem a entidade. Ele lembrou que o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, quando governador do estado, não teve sequer uma audiência com Jair Bolsonaro.

Jeronimo exemplificou as ações práticas do governo federal, como as 107 ambulâncias entregues para o SAMU no estado e os avanços na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (FAFEN-BA), na indústria naval e nas estradas.

O governador baiano também salientou o papel das alianças políticas – “nós não governamos esse país sozinho, só com a estrela do PT” –, destacando a importância crucial de ampliar a participação do PT no Congresso. Jeronimo mencionou, ainda, questões relacionadas à cultura, à família, orientando pais e mães a educarem seus filhos “para respeitar as mulheres, a comunidade LGBT+ e a população negra”.

Ele destacou que o PT que “nunca foi somente um partido”. “Desde o início, foi um movimento que nasceu da organização popular, das greves, das pastorais, dos sindicatos, das associações, da juventude e da coragem de transformar indignação em ação coletiva. Nasceu do povo brasileiro e segue existindo por ele”, declarou.

O governador também frisou o compromisso da legenda com a democracia. “Ao longo de sua história, o PT ajudou a colocar a democracia de pé, quando ela ainda era apenas um sonho. Transformou esperança em direito e o direito em vida concreta. Foi um movimento pela democracia quando o país exigiu eleições livres, pela solidariedade ao enfrentar a fome como política pública, pela igualdade ao abrir caminhos para quem sempre esteve do lado de fora”, frisou.

PT, árvore que cresce pela raiz

O vice-presidente Geraldo Alckmin também participou do ato comemorativo. Ele destacou a “bela história” de 46 anos do PT, feita “no pulsar das ruas, no brilho dos olhos, na mão calejada”. Comparando a legenda a uma ´”árvore que cresce pela raiz”, ele afirmou que o PT “não nasceu do alto, nasceu do povo, da voz e da luta do povo”. “É um partido identificado com a liberdade e a justiça”, salientou, ao manifestar “felicidade” em participar do ato.

Alckmin també observou a quantidade jovens presentes na cerimônia e lembrou uma cena do clássico “Eles Não Usam Black-Tie”, em que Gianfrancesco Guarnieri leva o filho mais novo para um comício de trabalhadores. Em dado momento, ele aponta um líder sindical e diz: “preste atenção neste homem. O seu filho vai estudar a vida dele na história do Brasil”. “A história saiu das telas e veio para a realidade, o Brasil tem em Luiz Inácio Lula da Silva um líder”, afirmou o vice-presidente, salientando que o mundo tem acompanhado a luta firme de Lula em defesa da justiça e da paz.

O vice-presidente também disse que, agora, será a hora da comparação: democracia x ditadura. Ele citou as conquistas do atual governo, como a ampliação de santas casas e hospitais filantrópicos para que o SUS possa se expandir; a isenção do Imposto de Renda para os que ganham até R$ 5 mil e sua redução para a faixa entre os R$ 7 mil. “Em todas as áreas que formos verificar, nós veremos que avançamos, e muito”, frisou.

“O Brasil não vai andar para trás, o que anda para trás é caranguejo. Nós vamos para frente, com Lula presidente”, disse, ao acrescentar que ainda não chegamos ao Brasil que todos sonham, contudo, “chegamos mais perto a cada luta justa e a cada conquista possível”.

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Voz e vez para quem não tem

Acompanhado pela primeira-dama Janja da Silva e por ministros durante o ato, o presidente Lula tomou a palavra e encantou o público com suas várias histórias sobre a fundação do PT. Em meio a elas, ele passou um recado preciso aos militantes petistas: “é importante que vocês votem a ler o manifesto do PT”.

“A filiação partidária é uma opção de vida. Você está num partido porque acredita no manifesto, no compromisso, na luta [do partido]. Você entra para somar e não para ser deputado, vereador, senão ele vira um partido igual os outros”, explicou. Dizendo sentir saudade dos tempos em que fazia comício e vendia “camiseta, macacão, bola, fita métrica para encher o tanque de gasolina”, Lula afirmou que “a direita não quer que a gente seja pior do que eles, mas quer que sejamos iguais”.

Rememorando o legado do PT, ele lembrou que com apenas oito anos, o partido foi o segundo colocado em 1989. Segundo em 1994 e 2018; e vitorioso nas eleições de 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022. “Nós nascemos para dar vez e voz àqueles que não tinha nem vez e nem voz. Vocês se lembram disso?”, questionou. “Toda noite, precisamos colocar a cabeça no travesseiro e saber se o nosso dia foi condizente com a razão pela qual nós criamos esse partido”.

Lula fez duas críticas ao orçamento secreto da Câmara dos Deputados, qualificando-o como um “sequestro do orçamento do Executivo para que os deputados e senadores tivessem liberdade de utilizar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal”. Neste ano, apontou, a cifra atinge R$ 60 bilhões. “Vocês têm a obrigação moral, obrigação ética, de não deixar esse partido ir para a vala comum da política”, frisou.

Em defesa do partido, Lula também apontou deficiências. “O PT governava 24 milhões de pessoas na grande São Paulo. O PT governava Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá, Campinas. Hoje o que governa? O que aconteceu?”, destacou.

“Nós temos sonhos. Em algum momento, em alguma coisa nós erramos”, salientou, ao mencionar a necessidade de se enxergar o erro para corrigi-lo. “O partido é que tem que ser forte, não é o Lula. Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, destacou.

Argumentos de sobra para vencer

“Vocês vão ter argumento para bater na cara de quem quiser discutir com a gente”, garantiu o presidente, ao elencar os avanços do seu governo. Na seara econômica, ele citou a menor inflação acumulada em quatro anos, a maior população economicamente ativa (quase 104 milhões de pessoas), a melhor sequência de aumento da bolsa de valores. “Quando a bolsa cresce a gente não ganha nada, mas quando ela cai a gente se ferra”, afirmou. Ele também destacou o maior aumento contínuo da história do salário-mínimo, o maior aumento da massa salarial, a maior produção agrícola e a maior exportação. “Abrimos 516 mercados em apenas três anos”, apontou.

Lula passou o que deve ser feito pela militância: “nós temos de pegar os governos Temer e Bolsonaro, os sete anos de golpe contra três anos e comparar”, por exemplo, na área de educação, em termos de creches, institutos federais, universidades, hospitais universitários. “Vamos comparar o que aconteceu conosco e o que aconteceu no governo deles”, afirmou, citando estradas, rodovias, leilões, créditos para agricultura familiar e saúde. Peguem o que vocês quiserem, disse o presidente, ao reiterar: “nós temos sonhos”.

Ele também relatou os avanços na área de saúde, citando o aparelho de radioterapia contra o câncer que agora integra o Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos colocando no Brasil inteiro, quando o mais pobre deste país precisar fazer um exame de câncer, ele fará na mesma máquina que faz o presidente Trump, o vice-presidente Alckmin, o presidente Lula”, afirmou.


“Nós estamos fazendo uma revolução”, salientou, ao citar outros avanços, como as 800 vãs de saúde bucal. “Se tiver que limpar dente, vai limpar dente. Se tiver que fazer canal, vai fazer canal e se tiver que fazer prótese, vai fazer prótese”, garantiu. “Nós vamos garantir que todo mundo nesse país não vai deixar de comer nada por falta de dente, porque vamos cuidar desse povo com carinho e respeito”, acrescentou.

Papel das secretarias do PT

Lula também convocou as secretarias setoriais do partido para a ação. “Secretaria não pode existir para fazer reunião entre nós. Nós precisamos ir para as ruas conversar com o povo. Quem é que está andando na periferia? Quem é que está disputando a desgraça dessas mentiras?”, questionou. “O PT precisa ir para a periferia, o PSB tem que ir para a periferia, o PCdoB tem que para a periferia, o PDT… Nós temos que conversar com o povo”, deu a linha.

Ele citou, em particular, a questão da população evangélica, lembrando que 90% dos evangélicos recebem os benefícios do governo federal. “O que nós precisamos não é esperar que um pastor fale bem de nós, temos que ir lá e conversar”, afirmou.

Lula também trouxe, com força, o combate ao feminicídio como uma bandeira coletiva. “Temos que dizer para cada padre, ao começar a missa, fale do feminicídio. Para cada pastor, ao começar o seu culto, fale do feminicídio. Para cada dirigente sindical, na porta de fábrica ou que vai na porta da loja pedir aumento de salário, fale do feminicídio”. E aos deputados, “em vez de falar excelentíssimo deputado, fale do feminicídio”.

“Vamos transformar isso numa profissão de fé”, convocou.

Guerra de narrativas

Lula reiterou que “se depender do que nós fizemos comparado a eles, nós já ganhamos as eleições”, mas salientou que não serão os feitos do seu governo que irão decidir a vitória neste ano. “O que vai decidir as eleições é a nossa narrativa política”.

“Isso que você chama de rede social é simplesmente uma rede digital que tem mais mal do que bem”, salientou, ao alertar a oportunidade de aproveitar a campanha para “começar com a verdade derrotando a mentira”.

“Nós temos que escrachar cada mentira que eles contarem. Nós temos que desmontar cada mentira, provar e ter a coragem de debater. A gente não pode ficar quieto. Alguém viu uma notícia contra o governo? Tem que mandar o cara para aquele lugar. Temos que ser mais desaforados, porque eles são desaforados. Não podemos ficar quietinhos”, recomendou.

E complementou: “não interessa mais essa de ‘Lula Paz e Amor’. Esta eleição vai ser uma guerra. Eu já vou ter que estar preparado para ela, para ganhar e não deixar que a mentira prevaleça”.

O que está em jogo

Lula também ressaltou a importância de abordar projetos e do que ainda pode ser construído para o povo brasileiro. “Se vocês precisam de um timoneiro, está aqui ele. Se vocês precisarem de um soldado para a linha de frente, está aqui ele. Eu não quero ser general. O general sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês”, disse.

“Essa luta é se a gente vai permitir que o país continue sendo democrático ou se ele se tornará um país fascista, como eles queriam. O que está em jogo é a democracia e a manutenção de instituições” que a garantem, salientou.

Lula alertou que o próximo governo será o último em que ele será presidente. “Vocês sabem que eu tenho um pacto, um pedido, uma conversa com Deus de que vou viver 120 anos”, brincou. “Mas não se preocupem, eu não quero mais mandato não”. Depois do próximo governo, disse, “acabou”.

Frente a isso, ele destacou seu compromisso com a consolidação da democracia e da liberdade de expressão, e com a melhoria da vida do povo trabalhador. “Não pensem que estou contente com o desconto [no IR] só até R$ 5 mil”, reiterou.

Política é uma arte

O presidente Lula finalizou seu discurso salientando a importância das alianças políticas. “Nós temos que trabalhar, fazer aliança para ganhar as eleições. Não estamos com essa bola toda em todos os estados”, afirmou, salientando que em algumas regiões será preciso decidir entre ganhar ou perder. “Como eu quero ganhar, teremos de fazer as alianças necessárias”, reiterou.

Ele explicou que fazer alianças não significa negar os princípios do PT. “Um acordo político é uma coisa tática para governarmos o país”. E, olhando para o vice-presidente da República, disse, “Geraldo, vamos ser francos, quando imaginaríamos que eu e você íamos estar juntos?”, levantando o riso da plateia.

“A política é uma arte e a gente tem que saber lidar com ela”, afirmou Lula, lembrando o papel do vice-presidente José Alencar nos seus primeiros mandatos como presidente. “Na minha vida, as coisas só acontecem porque Deus quer que aconteça. E Geraldo Alckmin é uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. Um homem extraordinário, que eu respeito e admiro”, apontou.

“Portanto, companheiros, se preparem porque nós vamos ganhar essas eleições e vamos governar esse país com nossos aliados por mais quatro anos”, concluiu.

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