Vitória de Lula e Haddad na redução do IR

Vitória de Lula e Haddad na redução do IR

Pressionados pelos atos da esquerda nas ruas, deputados aprovam redução do IR e Motta agora diz que a Câmara é “amiga do povo”

Por Carmen Munari

“A Câmara é amiga do povo, de quem acorda cedo. Não há lados nem divisões quando o tema é do interesse do povo”. Com essas palavras, Hugo Motta, presidente da Câmara, encerrou a votação, realizada na quarta-feira à noite, que aprovou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Fortemente criticado pela sociedade civil, parecia pedir perdão pela PEC da impunidade natimorta e pela tentativa de aceleração do projeto de anistia aos golpistas –medidas aprovadas dias antes. Mas a hipocrisia tinha endereço certo: os protestos realizados naquele domingo, 21 de setembro, em que mais de 80 mil manifestantes foram às ruas. Com Caetano e Chico no Rio ou em frente ao MASP, uma coisa é certa, só a mobilização popular chacoalha esse Congresso de maioria direitista.

A sessão não serviu apenas para a tentativa de ‘mea culpa’ de Motta. Marcou a orientação de TODOS os partidos para que seus deputados votassem SIM. PL, PP, Republicanos, União Brasil aí incluídos. Até quem foi contra no início da tramitação do projeto mudou de ideia com certeza pensando na impopularidade de se opor a uma medida tão popular. Neste encaminhamento, todos defenderam a justiça tributária e, muitos, a justiça social. Vários deputados da extrema-direita se disseram a favor de reduzir impostos e que sempre pensaram assim. Patético, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que a proposta é um “troco”, muito abaixo da necessidade da população. Ele defendeu maior redução da carga tributária. “O nosso partido é sempre contra o aumento de impostos”, disse, acredite.

Arthur Lira foi caso à parte. Relator do projeto de lei 1.087/2025 enviado pelo governo em março –seis meses atrás!– foi elogiado pela ampla maioria dos deputados que encaminharam nos microfones a orientação a suas bancadas. Até por governistas como Jandira Feghali (PCdoB-RJ). O grand finale ficou para a mesa da Câmara. Lira lá estava de pé, bem próximo de seu aliado Hugo Motta com mais seis ou sete “companheiros”. Todos aguardando o término da votação e o anúncio do número de votos. Enquanto Motta lia em voz alta documentos que nada tinham a ver com a votação, Lira era o único a responder mensagens pelo celular –e foram muitas.

Logo em seguida ao anúncio da aprovação do projeto por 493 deputados, Motta abraçou efusivamente Lira e foi acompanhado do ex que o atual presidente da Câmara deixou sua cadeira e desceu a escadinha que separa aquele tablado alto do restante do plenário.

Até parecia que o projeto nem era de autoria do governo Lula, promessa da campanha de 2022, e sim obra de Lira. É mesmo incrível como esse pessoal consegue não apenas inverter autoria, nem citar Lula e fingir que é “amigo do povo”. O próximo espetáculo do IR fica para os senadores.

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Em tempo 1: Em votação unânime –493 deputados a favor e nenhum contra– a Câmara aprovou isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Também reduz a cobrança para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350, além de estabelecer uma alíquota mínima de 10% para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais ou R$ 600 mil por ano, o que representa apenas 0,13% da população. O aumento do imposto dos mais ricos deve compensar a redução do IR para os mais pobres.

Em tempo 2: Lindbergh Farias, líder do PT, disse no plenário, dirigindo-se ao líder do PL, que em quatro anos do governo Bolsonaro a tabela do Imposto de Renda não foi corrigida pela inflação e 10 milhões de brasileiros que não pagavam IR passaram a pagar. Lula foi corrigindo. E agora, com a isenção de 5 mil reais, 10 milhões de brasileiros vão deixar de pagar IR e mais 5 milhões vão ter seu imposto reduzido. “Lula e Haddad vão entrar para a história como aqueles que mais reduziram imposto.” Lembrou o menor nível de desemprego, de 5,6%. Três meses de deflação nos preços dos alimentos, dólar em queda e bolsas de valores em alta. “Estamos enfrentando uma mudança estrutural no país”.

Em tempo 3: O presidente Lula comemorou a vitória nas redes sociais: “Uma vitória em favor da justiça tributária e do combate à desigualdade no Brasil, em benefício de 15 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. A Câmara dos Deputados deu hoje um passo histórico na construção de um Brasil mais justo ao aprovar projeto encaminhado pelo nosso Governo de zerar o imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduzir a cobrança de quem recebe até R$ 7.350, a partir de uma contribuição mínima dos muito ricos. Essa é uma vitória compartilhada pelo Governo do Brasil, as deputadas e deputados e pelos movimentos sociais. Agradeço o presidente Hugo Motta, o relator Arthur Lira e cada um dos líderes que conduziram o processo de aprovação do projeto. Tenho certeza de que a proposta também contará com amplo apoio no Senado.”

Imagem 1 – os aliados Arthur Lira e Hugo Motta fotografados logo em seguida ao anúncio da aprovação da redução do IR / Lula Marques / Agência Brasil

Imagem 2 – Lindbergh Farias discursa na sessão de votação do IR / Reprodução

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