Declaração dos EUA sobre domínio nas Américas é ataque à soberania, diz Amorim

Declaração dos EUA sobre domínio nas Américas é ataque à soberania, diz Amorim

O assessor internacional do presidente Lula, Celso Amorim, falou sobre o tema no Congresso

O governo brasileiro questionou nesta quarta-feira o anúncio do governo dos Estados Unidos que, por meio de um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, defendeu a posição daquele país em relação à América Latina.

“Quem assistiu ao vídeo divulgado ontem pelo Departamento de Estado perceberá que o que se pretende é justamente relativizar a soberania dos países latino-americanos em geral, incluindo, naturalmente, o Brasil”, afirmou o assessor especial da Presidência para Relações Internacionais, Celso Amorim (na foto de Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil).

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou na terça-feira (11) um vídeo em que afirma que o domínio do país em toda a América “nunca mais será questionado”. A publicação apresenta um histórico da Doutrina Monroe, estratégia usada pelos EUA para influenciar o continente.

 O diplomata participou de uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara dos Deputados, onde foi alvo de fortes questionamentos por parte de legisladores da oposição.   Segundo Amorim, o documento do Departamento de Estado “afirma expressamente que os Estados Unidos reafirmarão e implementarão os princípios da Doutrina Monroe, apresentados como um instrumento para restaurar a preeminência norte-americana na região e garantir os interesses estratégicos dos Estados Unidos em nosso continente”. Amorim disse ainda que a decisão dos Estados Unidos de aumentar as tarifas contra o Brasil foi “estranha” e que seu governo promove uma relação marcada pelo respeito ao direito internacional. (Ansa)

TRUMP INFLUENCIA ELEIÇÕES

O governo Trump está envolvido em um impasse diplomático depois que o presidente brasileiro Lula acusou os EUA de enviar autoridades para “interferir nas eleições do Brasil”, uma alegação que os EUA classificaram como “infundada”. Ao longo de sua história, os EUA têm sido acusados de tentar influenciar eventos políticos fora de suas fronteiras – desde oferecer incentivos sutis para o resultado político de sua preferência até patrocinar secretamente golpes contra governos estrangeiros. Nos últimos anos, o presidente Trump tem adotado uma estratégia mais aberta, apoiando publicamente candidatos que se alinham à sua linha política. Será que estamos vendo um novo modelo para a política externa dos EUA? (BBC vídeo)

PLANOS DE FLÁVIO BOLSONARO

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro está preparando um novo marco fiscal para substituir as atuais regras orçamentárias do Brasil, impondo limites mais rígidos aos gastos à medida que a dívida aumenta — o que poderia reduzir o crescimento real dos gastos a zero, segundo informaram à Reuters duas fontes a par do assunto. A dívida pública bruta do Brasil subiu para 81,9% do produto interno bruto em junho, em comparação com 71,4% quando Lula assumiu o cargo em janeiro de 2023, levando muitos economistas a alertar para a necessidade de um doloroso ajuste fiscal por parte do próximo governo.

De acordo com a proposta preliminar de Bolsonaro, o crescimento dos gastos permaneceria abaixo do crescimento da receita, variando de acordo com os níveis da dívida pública. Quanto maior o peso da dívida, mais restritivo seria o teto para o crescimento dos gastos, afirmaram as fontes, sob condição de anonimato.

Dependendo da formulação final, a regra poderia efetivamente congelar os gastos federais em termos reais no próximo governo. Os parâmetros exatos da proposta ainda estão sendo elaborados, disseram as fontes. A proposta, apresentada por assessores de Bolsonaro em reuniões privadas com investidores, poderia ser encaminhada ao Congresso como uma emenda constitucional durante uma possível transição de governo ainda este ano, segundo fontes. O marco substituiria as regras fiscais de Lula, que atualmente limitam o crescimento real dos gastos a um intervalo entre 0,6% e 2,5% ao ano e o restringem a não mais do que 70% do crescimento da receita. A proposta oficial sai em 15/08.

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MILEI PREJUDICA IMAGEM DE FLÁVIO

A imagem positiva de Flávio Bolsonaro caiu após ele ter lançado sua campanha em São Paulo, acompanhado pelo presidente argentino Javier Milei, quando insultou o presidente Lula da Silva, que hoje amplia a vantagem e aumenta suas chances de vencer no primeiro turno. A reeleição de Lula se configura como uma batalha decisiva para os Estados Unidos na América Latina, enquanto Donald Trump intensifica a pressão sobre o Brasil e o governo de Javier Milei se alinha à estratégia de Washington. Dias após o lançamento de sua campanha, uma empresa de pesquisa brasileira revelou que a imagem positiva de Flávio Bolsonaro caiu após o evento em que esteve ao lado do presidente argentino Javier Milei em São Paulo, onde se lançou como candidato. De acordo com esses números, o presidente e candidato do partido no poder, Luiz Inácio Lula da Silva, venceria com 34%, contra 27% de Flávio, segundo o relatório publicado. Os entrevistados foram questionados se acreditavam que a presença de Milei influenciava sua decisão eleitoral; 6% não quiseram responder, o que foi interpretado como um “sim”. (Centro Latino Americano de Análise Estratégica)

DISCORD PROIBIDO

Brasil ordena a suspensão das transmissões ao vivo de uma rede social que está sob investigação após o suicídio de uma adolescente. A agência brasileira de proteção de dados determinou, nesta quarta-feira, que o Discord suspendesse as transmissões ao vivo, acusando a plataforma de mensagens de não proteger crianças e adolescentes depois que uma adolescente teria sido incitada a cometer suicídio durante uma transmissão. Em um caso descrito por um policial como um “programa de terror da vida real”, uma menina de 13 anos, moradora de uma pequena cidade no centro-oeste do Brasil, foi incitada durante uma transmissão ao vivo de 45 minutos no Discord, em julho, a se automutilar e, por fim, tirar a própria vida. Cinco adolescentes foram presos em conexão com a morte, e uma operação policial salvou “outra menina que estava prestes a cometer suicídio ao vivo na internet”, segundo comunicado da polícia. (France 24 / La Nación)

ENEL PERDE

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou por unanimidade, na terça-feira (11), o recurso apresentado pela Enel contra a abertura de um processo que pode levar ao fim do contrato da empresa responsável pela distribuição de energia elétrica na Grande São Paulo. Com a decisão, a Enel deve apresentar sua defesa até o início da próxima semana. Depois disso, o colegiado da Aneel voltará a se reunir para decidir se aplica ou não a chamada caducidade da concessão, medida que pode resultar na extinção do contrato da distribuidora. (Reuters)

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