Lula e chanceler alemão defendem aprofundar laços políticos e econômicos

Lula e chanceler alemão defendem aprofundar laços políticos e econômicos

A visita do presidente Lula à Alemanha entre domingo e amanhã é tema na mídia internacional, com destaque ao aumento da parceria entre os 2 países

O presidente Lula disse nesta segunda-feira (20) que o Brasil não aceita mais ser “tratado como um país do terceiro mundo”, em discurso na abertura do estande nacional na Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo, em Hanôver, na Alemanha.

De acordo com o presidente, o Brasil é uma nação do Sul Global que tem “muito interesse em fazer com que a aliança com a Europa seja cada vez mais produtiva, eficaz e capaz de proporcionar ao povo brasileiro a perspectiva de um futuro mais promissor”. Lula voltou a defender o multilateralismo. Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que o multilateralismo está sendo “destruído” e que a harmonia e a paz constituídas depois da Segunda Guerra Mundial estão sendo “jogadas fora”. (Ansa)

LAÇOS COM A ALEMANHA

O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente Lula comprometeram-se a aprofundar os laços políticos e econômicos entre seus países em resposta à ordem global cada vez mais instável. Os líderes e membros de seus governos assinaram, nesta segunda-feira, uma série de acordos para ampliar a cooperação em diversas áreas, desde a defesa até terras raras e energia renovável. Merz também afirmou que a Alemanha pretende dobrar seu volume de comércio com o Brasil nos próximos anos. Sem mencionar o nome do presidente dos EUA, Donald Trump, Merz sugeriu que o aprofundamento dos laços com o Brasil fazia parte de uma estratégia alemã mais ampla de buscar relações econômicas mais estreitas com as chamadas “potências médias” ao redor do mundo, em um esforço para reduzir a dependência dos EUA e da China. “Os laços estreitos entre nossos dois países são mais necessários do que nunca, num momento em que a ordem mundial passa por mudanças tão profundas”, afirmou Merz na segunda-feira, ao lado do líder brasileiro. “Compartilhamos o interesse por uma ordem internacional na qual possamos confiar em acordos e tratados e na qual sejamos capazes de trabalhar juntos para enfrentar até mesmo os problemas globais.”

O evento ocorreu na abertura da feira industrial de Hannover. Ambos saudaram a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul em 1º de maio. “Isso mostra que estamos comprometidos com a ordem multilateral, que queremos um sistema econômico baseado em regras e que queremos essa cooperação com o mínimo possível de tarifas – idealmente, nenhuma”, disse Merz. (Reuters / Político)

FUNDO FLORESTAL

A Alemanha vai contribuir com cerca de 700 milhões de euros (US$ 824,74 milhões) para projetos relacionados às mudanças climáticas e à mobilidade sustentável no Brasil, segundo informou nesta segunda-feira o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O presidente Lula, que encerrará uma visita de dois dias à Alemanha na terça-feira, havia anunciado inicialmente uma parcela de 500 milhões de euros da Alemanha para um fundo climático administrado pelo BNDES. O fundo tem como objetivo apoiar estudos e financiar projetos voltados para a mitigação das mudanças climáticas, afirmou ele em uma coletiva de imprensa com seu homólogo alemão no início do dia.

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Os dois países também assinaram uma segunda declaração de intenções que prevê um investimento adicional de 200 milhões de euros em mobilidade. Esta parceria visa financiar e implementar soluções de transporte sustentáveis para apoiar sistemas de mobilidade mais ecológicos e eficientes, informou o banco.

Lula disse que o Brasil estava disposto a discutir fontes alternativas de energia com a Alemanha e que ele era “um defensor incondicional dos biocombustíveis”.

METAIS ESSENCIAIS

Friedrich Merz afirmou nesta segunda-feira que o Brasil tem grande potencial para ampliar o fornecimento de metais essenciais, acrescentando que a Alemanha pode fornecer a tecnologia necessária. “Existem oportunidades significativas na extração econômica de certos metais necessários para a mobilidade elétrica e as turbinas eólicas”, disse Merz na feira industrial de Hannover, ao lado do presidente Lula. Embora apenas cerca de 30% do potencial mineral do Brasil tenha sido mapeado, o país já possui as maiores reservas mundiais de nióbio, as segundas maiores reservas de grafite e terras raras e as terceiras maiores reservas de níquel, afirmou Lula. “Essas matérias-primas devem servir como motor do desenvolvimento econômico e social”, acrescentou ele, pedindo maior transferência de tecnologia e o estabelecimento de mais capacidade de processamento no Brasil. (Reuters)

UCRÂNIA

O conflito na Ucrânia deve ser resolvido por meio de negociações para alcançar uma paz abrangente e duradoura, segundo declaração conjunta do Brasil e da Alemanha assinada durante as consultas em Hannover. “As partes reiteraram sua profunda preocupação com a guerra em curso na Ucrânia e saudaram os esforços para alcançar um acordo de paz negociado, abrangente, justo e duradouro”, afirma o documento. (Tass)

IRÃ

O presidente Lula considerou “mito” a possibilidade de o Irã estar buscando construir armas nucleares. “Se o velho tema voltar à ideia de que o Irã está preparando uma bomba atômica, eu não acredito, assim como não acreditei quando (George W.) Bush invadiu o Iraque”, alegando que o regime de Saddam Hussein possuía armas químicas, afirmou o representante. Para Lula, é comum “construir um mito falso para justificar uma posição irresponsável”, como é o início de um conflito armado. (Ansa)

AJUDA A CUBA

México, Espanha e Brasil manifestaram preocupação com a “situação dramática” em Cuba, que vem enfrentando meses de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, com o trio instando a um “diálogo sincero e respeitoso”. Sem mencionar explicitamente os EUA, os três países liderados por governos de esquerda expressaram no sábado “profunda preocupação com a grave crise humanitária que o povo de Cuba está enfrentando e apelam pela adoção das medidas necessárias para amenizar essa situação”.  Os países, em uma declaração conjunta emitida pelo Ministério das Relações Exteriores do México, pediram um “diálogo sincero e respeitoso” em conformidade com o direito internacional. (Guardian)

Imagem: Ricardo Stuckert / PR

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