Lula quer conversar com Trump após classificação de facções como organizações terroristas

“O Brasil tem sabido fazer a defesa da sua soberania”, afirma Gilmar Mendes
O presidente Lula está interessado em conversar com Donald Trump, que na semana passada classificou como “terroristas” organizações criminosas brasileiras e pode adotar sanções econômicas contra o país, informou a imprensa brasileira nesta segunda-feira. Lula apresentará um plano de ação conjunta Brasil-Estados Unidos na luta contra o crime transnacional, com foco nas gangues Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), publicou o portal de notícias G1.
O anúncio ocorreu depois que Trump recebeu em Washington o pré-candidato à presidência Flavio Bolsonaro, que defendeu que o CV e o PCC fossem classificados como grupos terroristas. No Palácio do Planalto, alegam que essa tipificação poderia afetar bancos brasileiros acusados de operar com clientes direta ou indiretamente ligados ao CV ou ao PCC.
Lula também deseja propor a Trump que se evite a aplicação de novas sanções comerciais, como ocorreu em 2025, quando foram aumentadas as tarifas sobre as exportações do gigante sul-americano, segundo indicaram as fontes consultadas. A conversa, se confirmada, daria continuidade ao diálogo mantido entre os líderes em 7 de maio, quando se reuniram na Casa Branca. O encontro selou a reaproximação entre ambos após a polêmica, com críticas de ambos os lados, desencadeada após o aumento das tarifas em julho do ano passado. (Ansa)
BRASIL DEFENDE SUA SOBERANIA
“O Brasil tem sabido fazer a defesa da sua soberania”, afirma Gilmar Mendes. Indagado pelo jornal português Público sobre como o Brasil vai lidar com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o país tem sabido defender sua soberania. A decisão do Governo de Donald Trump levantou debates no Brasil sobre a possibilidade de intervenção norte-americana em território brasileiro.
“Temos olhado esse assunto com bastante cuidado e temos sabido fazer a defesa da nossa soberania, como demonstramos nas discussões que tivemos em torno da Lei Magnitsky [usada pelos EUA para atacar, entre outros, o ministro Alexandre de Moraes, do STF] e nas discussões em torno das redes sociais. Eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania. Temos feito todo esforço nesse sentido e vamos preservar todo esse debate em nível elevado como se tem feito”, disse Mendes.
EUA: DECISÃO SOBRE FACÇÕES FOI POLÍTICA
A decisão dos EUA de classificar duas gangues brasileiras como organizações terroristas é de natureza política e visa fortalecer um aliado do presidente Donald Trump, o filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, afirmam políticos e analistas. As gangues se juntam a outros oito grupos do crime organizado latino-americano designados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras. Mas, ao contrário dos demais, elas não operam nos Estados Unidos. A inclusão do Primeiro Comando da Capital, conhecido como PCC, e do Comando Vermelho, ou CV, ocorreu após uma visita do candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro, a Washington na semana passada –ele disse ter solicitado a autoridades do governo Trump que estendessem a designação a essas organizações. Bolsonaro espera derrotar Lula nas eleições de outubro. A decisão dos EUA reforça as credenciais de linha dura do senador contra o crime, ao mesmo tempo em que destaca as críticas de Bolsonaro à forma como Lula lida com a segurança pública. “O principal motivador dessa decisão foi a política, para pressionar Lula e ajudar Flávio antes das eleições de outubro”, disse o especialista em América Latina Brian Winter, editor da Americas Quarterly, uma publicação do Council of the Americas, com sede em Nova York. (AP)
AÇÃO CONTRA FACÇÕES
O governo brasileiro está na reta final dos preparativos para lançar operações contra o crime organizado nos setores de apostas online e tabaco, informou à Reuters nesta segunda-feira uma alta autoridade do governo com conhecimento direto do assunto. A medida segue uma estratégia para sufocar financeiramente as organizações criminosas, disse a fonte, acrescentando que o plano não mudaria após os Estados Unidos decidirem designar as duas maiores gangues do país como organizações terroristas. Acredita-se que grupos criminosos estejam envolvidos no contrabando de cigarros e na venda ilegal de produtos de tabaco, além de se infiltrarem em plataformas de apostas não licenciadas que continuam a operar apesar da regulamentação do setor no Brasil.
Em ambos os casos, pequenas instituições financeiras, incluindo fintechs, estariam sendo usadas por criminosos para lavagem de dinheiro, disse a fonte, que pediu para não ser identificada porque as discussões não são públicas.
“Essas operações podem ocorrer a qualquer momento”, disse a pessoa, observando que ainda não era possível determinar exatamente quando elas seriam lançadas devido à necessidade de coordenação com as autoridades policiais, o Ministério Público e o Judiciário.
CHINA E BRASIL
A China e o Brasil devem “enfrentar em conjunto os desafios externos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, ao seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, durante uma reunião realizada em Pequim na segunda-feira, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China. Wang: Os países devem trabalhar juntos para “trazer maior e tão necessária certeza”. Wang: A China e o Brasil devem utilizar mecanismos multilaterais, incluindo a ONU e o BRICS, para promover “uma governança global mais justa e equitativa”As discussões aprofundadas geraram “amplo consenso”, afirma o resumo oficial chinês. (Reuters)
JK ASASSINADO
A morte do liberal Kubitschek, considerado um dos presidentes brasileiros mais populares, tem sido discutida há décadas como um dos episódios mais intrigantes da história do país. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, órgão público encarregado de reconhecer as vítimas da ditadura (1964-1985), sustentou em um relatório de quase 1.300 páginas que o suposto acidente em que morreu o ex-presidente, segundo a versão oficial da época, foi uma encenação. “A morte de Kubitschek foi causada pela perseguição política perpetrada pelo Estado brasileiro no período da ditadura”, concluiu a Comissão, que em novembro de 2024 aceitou o caso para análise. (France 24)
Na imagem, o presidente Lula durante coletiva à imprensa em Washington, D.C / Ricardo Stuckert / PR / (07/05/2026)

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
