Lula: ‘Se não assinarmos acordo com UE agora, o Brasil não fará enquanto eu for presidente’

Lula: ‘Se não assinarmos acordo com UE agora, o Brasil não fará enquanto eu for presidente’

Itália e França resistem ao acordo comercial com o Mercosul, mas Lula pressiona por decisão do bloco europeu.

Durante reunião ministerial desta quarta-feira, o presidente Lula disse que, se a união comercial entre a União Europeia e o Mercosul não for finalizada este mês, o Brasil não assinará o acordo. Itália e França afirmaram no início do dia que não estavam prontas para apoiar o acordo, o que representou um golpe, já que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deveria viajar ao Brasil no final desta semana para assinar o acordo. “Se não fizermos isso agora, o Brasil não fará mais esse acordo enquanto eu for presidente”, disse Lula. “Se eles disserem não, seremos duros com eles a partir de agora. Cedemos a tudo o que a diplomacia poderia conceder.” (Reuters)

A Itália e a França voltaram a afirmar nesta quarta-feira que não estão prontas para apoiar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, o que representa um golpe para as esperanças de finalizar o acordo nos próximos dias. (Reuters)

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse na quarta-feira que ainda é muito cedo para selar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. “Assinar o acordo nos próximos dias, como foi hipotetizado, ainda é prematuro”, disse Meloni ao parlamento italiano. Ela falou antes de uma cúpula da UE. Antes da reunião dos líderes em Bruxelas na quinta-feira, será realizada uma rodada decisiva de deliberações sobre um pacote de salvaguardas agrícolas adicionais vinculadas ao acordo com o Mercosul. Se for possível chegar a um acordo, isso abrirá caminho para uma decisão final dos países da UE na sexta-feira sobre a aprovação do acordo comercial com o bloco sul-americano. Com a França já pedindo um adiamento, a indecisão da Itália pode colocar fora de alcance a maioria qualificada necessária para aprovar o acordo — de 15 países representando 65% da população da UE. Isso, por sua vez, frustraria no último minuto o plano da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, de voar para o Brasil no sábado para assinar o acordo. (Politico)

**O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) seja assinado no sábado (20/12), durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados em Foz do Iguaçu (PR).

BRICS / TERRORISMO

O Brasil apoia a ideia de intensificar a cooperação entre os países do BRICS na luta contra o terrorismo internacional, afirmou Celso Amorim, assessor de Relações Exteriores do presidente do país sul-americano, em entrevista à TASS. “Em primeiro lugar, trata-se de troca de informações. Uma possível institucionalização dessa parceria, que considero importante, dependerá de circunstâncias específicas”, afirmou. Segundo Amorim, a luta conjunta contra o tráfico internacional de drogas deve ser outra área importante de cooperação. “Esta questão tornou-se realmente global e afetará as relações internacionais. A este respeito, acredito que uma cooperação intensa entre os países do BRICS neste domínio não só é possível, como também, claramente, muito útil”, salientou o assessor presidencial brasileiro.

Amorim anunciou em abril que a liderança brasileira já havia apresentado aos outros países do BRICS propostas específicas destinadas a fortalecer as capacidades das agências especiais. (Tass)

FLAVIO BOLSONARO

O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, se reunirá esta semana com líderes empresariais e financeiros para abordar o ceticismo em relação às suas políticas econômicas, enquanto se prepara para concorrer à presidência no próximo ano, disseram pessoas familiarizadas com seus planos.

Após um almoço na última quinta-feira nos escritórios do UBS em São Paulo, onde os participantes questionaram a seriedade de sua candidatura, o senador se reunirá esta semana com bancos, fundos de investimento, líderes empresariais e um podcast focado no mercado, disseram duas fontes à Reuters. Muitos investidores apostaram que Bolsonaro apoiaria um candidato mais experiente e com experiência executiva, como o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, seu ex-ministro, para desafiar o presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva no próximo ano.

Lula está 10 pontos percentuais à frente de Tarcisio e Flávio Bolsonaro em cenários simulados de segundo turno, de acordo com uma pesquisa divulgada na terça-feira pela Quaest.

RESCISÃO COM ENEL

O ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, disse na terça-feira que o governo vai pedir à agência reguladora de energia Aneel que inicie o processo de rescisão do contrato com a unidade local da empresa italiana de energia Enel, abre nova guia no estado de São Paulo. “A Enel perdeu as condições para continuar prestando serviços em São Paulo”, disse Silveira a repórteres após uma reunião com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o governador Tarcísio de Freitas. Em geral, a rescisão é uma opção que só é considerada após a empresa ser intimada pelos órgãos reguladores, um processo que garante seu direito de defesa. A Aneel já havia intimado a Enel por ações passadas, consideradas insuficientes para restaurar os serviços de energia após eventos climáticos extremos. Uma nova intimação começou a ser avaliada pela diretoria da Aneel no mês passado, mas a decisão foi adiada devido a um pedido de revisão. (Bloomberg)

Na imagem, o presidente Lula reuniu os ministros nesta quarta-feira na Granja dom Torto / Ricardo Stuckert / PR

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