Parlamento Europeu leva à Justiça acordo entre UE e Mercosul

Parlamento Europeu leva à Justiça acordo entre UE e Mercosul

Os eurodeputados aprovaram a moção por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções. Este encaminhamento ao Tribunal, em teoria, impede a entrada em vigor do acordo comercial por até dois anos

O Parlamento europeu votou nesta quarta-feira para contestar o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul no tribunal superior do bloco, uma medida que pode atrasar o acordo em dois anos e potencialmente inviabilizá-lo. A União Europeia assinou seu maior pacto comercial de todos os tempos com os membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — no sábado, após 25 anos de negociações. O acordo ainda precisa ser aprovado antes de entrar em vigor. O Parlamento Europeu aprovou a moção por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções.

O Tribunal de Justiça da UE deve agora decidir se as suas disposições restringem a capacidade da UE de definir políticas ambientais e de saúde dos consumidores. Normalmente, o tribunal demora cerca de dois anos a emitir tais pareceres, e a decisão poderá então obrigar à alteração do acordo.  Os opositores do acordo latino-americano podem atrasá-lo por até dois anos. (Reuters / Al Jazeera /RT / Bloomberg / Politico)

Após o Parlamento da União Europeia aprovar uma moção que vai atrasar a ratificação do acordo de livre comércio com o Mercosul, os países do bloco sul-americano demonstraram empenho em ratificar rapidamente o pacto.  No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva trabalhará para garantir que o acordo comercial com a UE, do qual o presidente foi um dos principais defensores, seja analisado logo no início do ano legislativo. Além disso, fontes do Palácio do Planalto, citadas pela mídia, afirmaram que a orientação é acelerar “ao máximo” o processo de aprovação, com o objetivo de demonstrar às autoridades europeias o engajamento da administração petista com a implementação do tratado. Integrantes do governo brasileiro também concordaram em mobilizar os órgãos administrativos e diplomáticos envolvidos no acordo para encurtar os prazos de tramitação no país. O texto ainda precisa passar pelo Congresso, mas a avaliação interna é de que os votos necessários para a ratificação estão assegurados. (Ansa)

FINANCEIRA WILL LIQUIDADA

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master. O banco, também liquidado pelo BC, vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde sua liquidação, decretada em novembro de 2025. A liquidação do Will Bank foi anunciada nesta quarta-feira (21). Segundo o BC, entre as medidas previstas está a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, que integrava o conglomerado Master. Liderado pelo Banco Master, o conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).“Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira”, justificou o BC.

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O BC, no entanto, avaliou que essa solução não se mostrou viável, após ser constatado, no dia 19 de janeiro, “o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.”

Diante dessa situação, a autoridade monetária considerou inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”.

(Reuters / Agência Brasil / Bloomberg)

TRUMP X AMÉRICA LATINA 

“A América Latina é o principal alvo da política belicista de Trump”, diz o site Jacobin em entrevista com Tony Wood, professor assistente de história latino-americana na Universidade do Colorado em Boulder. Enquanto Donald Trump lança ameaças de ação militar contra países da Groenlândia ao Irã, a América Latina é o foco principal de sua estratégia de retração imperial. A esquerda latino-americana terá que construir novas alianças contra a agressão dos EUA.

Sobre Maduro, diz que o presidente Lula tem sido menos categórico, mas também não tem apoiado Maduro de forma explícita. O governo mexicano tem uma postura bastante semelhante. Embora não tivessem relações particularmente cordiais comMaduro, o relacionamento não chegou a se tornar hostil, como aconteceu com muitos governos de direita na região. Parte do problema é que  Maduro se tornou uma figura um tanto tóxica para se associar, e você realmente não ganhava nada de positivo com isso se fosse um governo progressista na América Latina.

Sobre tarifaço: O Brasil é um país em uma escala totalmente diferente, com uma gama diversificada de parceiros comerciais. As ameaças tarifárias do governo Trump tiveram um efeito contrário, porque o Brasil tem pelo menos algumas opções teóricas para diversificar suas relações comerciais e se defender comercialmente. (Jacobin)

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