Transição verde: pagar menos, beneficiar-se mais

Transição verde: pagar menos, beneficiar-se mais

Trabalhadores patrulham um parque eólico situado na praia de Tan Thanh, na cidade vietnamita de Go Cong. Os países da Ásia e do Pacífico estão avançando em direção a uma transição ecológica em razão do aumento dos preços do petróleo. Imagem: Thompson Le / Unsplash

POR MICHAL PODOLSKI

A inação e a manutenção do statu quo de dependência dos combustíveis fósseis acarretam custos significativos. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, provocou enormes perdas para a economia mundial, e muitos países da Ásia-Pacífico sofreram repercussões negativas desproporcionalmente maiores.

Se essas economias contassem com uma matriz energética mais diversificada, teriam se beneficiado dessa resiliência nas circunstâncias atuais.

A transição verde, no entanto, exige um custo significativo: o investimento em sustentabilidade ambiental. Esse investimento traz benefícios e retornos tangíveis, como um ar mais limpo, uma saúde melhor, um meio ambiente natural dinâmico e a redução dos impactos climáticos negativos. Qual é o balanço geral entre esses custos e benefícios, as oportunidades aproveitadas ou perdidas, a inovação ou a manutenção do statu quo?

Esse balanço global se traduz em decisões que determinam uma transição mais rápida ou mais lenta em direção à sustentabilidade ambiental e à transição verde. Cada uma delas traz consequências fiscais, de investimento e de financiamento com resultados socioeconômicos diferentes.

Em geral, devido a essas inúmeras dimensões, a tomada de decisões para a transição verde é intrinsecamente complexa. Em princípio, a humanidade nunca empreendeu antes uma transição verde e carece de modelos estabelecidos.

O Estudo Econômico e Social da Ásia e do Pacífico 2026, da Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (Cespap), lança luz sobre esse desafio. O relatório identifica vias de descarbonização que oferecem custos menores e benefícios maiores, destaca os gargalos que inflacionam os gastos, esclarece as prioridades atuais e examina os impactos socioeconômicos. Em resumo, o Estudo 2026 identifica opções mais econômicas com maior impacto.

Por exemplo, em alguns países da Ásia e do Pacífico, as opções em matéria de descarbonização são relativamente simples. Com uma dependência limitada dos combustíveis fósseis, baixos riscos de ativos obsoletos e interesses consolidados mínimos nas indústrias do carvão, do petróleo e do gás, essas economias estão impulsionando a expansão das energias renováveis. Elas estão superando os obstáculos da descarbonização e obtendo benefícios constantes da energia livre de carbono.

No entanto, as economias que dependem em grande medida dos combustíveis fósseis enfrentam dilemas mais difíceis. Uma redução mais rápida das emissões de carbono exige custos imediatos maiores, que só são compensados por benefícios a mais longo prazo. Os mercados de trabalho enfrentam uma pressão maior decorrente da requalificação prevista e do desenvolvimento do setor verde.

Essas economias enfrentam riscos elevados e devem agir com cautela. Em última análise, a transição verde exige economias fortes e prósperas, capazes de fornecer bens e serviços para construir um mundo livre de carbono.

Quanto aos mercados de trabalho, os efeitos líquidos da transição verde sobre o emprego podem ser positivos em geral, embora desiguais entre países e setores. As perdas de emprego no setor de combustíveis fósseis, que podem ser bruscas, costumam se concentrar em áreas ricas em minerais, com repercussões nas indústrias relacionadas.

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As eliminações progressivas do carvão registradas historicamente sem um apoio governamental imediato resultaram em um desemprego prolongado, na emigração de jovens e no declínio de comunidades. Os trabalhadores mais velhos correm um risco especial de abandonar a força de trabalho de forma permanente.

Por outro lado, os empregos verdes surgem de forma mais gradual, frequentemente em outros locais, e exigem competências diferentes. Esse descompasso põe em destaque a necessidade de um planejamento governamental proativo — que inclua a requalificação subsidiada e a diversificação econômica — para reorientar as habilidades dos setores em declínio.

A inflação oferece outro exemplo dos dilemas enfrentados pelos formuladores de políticas que estão realizando, ou desejam realizar, a transição verde. Uma inflação mais alta mina a atividade econômica e complica a formulação de políticas orientadas para a transição.

Por exemplo, as políticas de transição verde, como a precificação do carbono, podem aumentar progressivamente os preços e, portanto, a inflação. Isso pode elevar as taxas de juros, dificultar os investimentos verdes intensivos em capital e impor desafios de estabilidade financeira para os bancos centrais. As economias podem tolerar uma inflação moderada e estável, mas uma inflação elevada e volátil minará os esforços de transição verde.

O Estudo 2026 também destaca que as intervenções governamentais, como os subsídios, podem ser benéficas, mas também podem consolidar tecnologias subótimas.

Tudo em excesso pode ser prejudicial. As políticas governamentais devem orientar os objetivos e as prioridades — por exemplo, a necessidade de um armazenamento de energia melhor e mais barato — e permitir que as pessoas e as empresas descubram as soluções mais eficazes.

As ferramentas de políticas favoráveis ao mercado, como os limites de emissões tecnologicamente neutros, os planos claros de longo prazo e a simplificação dos trâmites de licenciamento, são ajustes políticos importantes.

«Tomar as decisões corretas, permitir que os mercados funcionem de maneira justa» foi uma mensagem sobre a ação climática do secretário-geral da ONU, António Guterres, em 2025. O Estudo 2026 se baseia nisso e enfatiza que os mecanismos de mercado podem impulsionar a descarbonização ao identificar as melhores oportunidades. O relatório também reforça o apelo para tomar «decisões corretas» a fim de garantir uma transição justa e inclusiva.

Muitas vezes existem caminhos mais fáceis e outros mais difíceis para alcançar um mesmo objetivo. Levando em devida conta as diversas circunstâncias nacionais, as economias da Ásia-Pacífico devem avançar progressivamente em direção a um futuro com baixas emissões de carbono, ao mesmo tempo em que protegem o bem-estar socioeconômico de seus cidadãos.

Não existe um conjunto universal de políticas, mas há uma direção clara. Embora alguns custos possam parecer elevados hoje em dia, a inação se revelará muito mais dispendiosa. Em suma, as vias ótimas exigem um julgamento pragmático e baseado em dados: gradual quando necessário, ambicioso quando viável e sempre levando em consideração quem arca com os custos de hoje em contrapartida aos benefícios de amanhã.

Este texto foi publicado inicialmente pela Inter Press Service (IPS)

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