Velho script: delação de Vorcaro deve estourar às vésperas das eleições

Existe um jogo contínuo nos bastidores que se intensifica sempre que um projeto popular ameaça se consolidar no poder. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
POR BASÍLIO CARNEIRO
Cada “revelação” que surge em momentos estratégicos precisa ser analisada dentro do contexto político. Não são fatos isolados. Em geral, esses movimentos ganham força justamente quando o alvo é a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
O histórico recente não deixa dúvidas sobre o método. Em 2018, a delação de Antonio Palocci foi amplamente explorada no ambiente eleitoral. Naquele momento, o então juiz Sérgio Moro retirou o sigilo de trechos a poucos dias do primeiro turno, em uma decisão até hoje apontada como interferência direta no processo político.
Agora, o roteiro dá sinais de repetição. A possível homologação da delação de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, pode ocorrer no auge da campanha de 2026. As informações são do colunista Lauro Jardim, em O Globo. Não se trata apenas de um trâmite jurídico. É timing político, com potencial de impacto direto no cenário eleitoral.
Esse contexto ganha ainda mais peso com mudanças institucionais importantes.
A partir de junho, o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral por um ano. Seu vice será André Mendonça, que deverá presidir o tribunal a partir de 2027.
Não há surpresa. O padrão é conhecido e já foi testado.
Diante disso, comunicação e jurídico do governo precisam atuar de forma preventiva. Antecipar narrativas, preparar respostas e evitar que versões se consolidem antes da contestação. Esperar para reagir depois do fato é repetir erros que já custaram caro.
Porque do outro lado não haverá limites. O objetivo é claro: criar desgaste e impedir, por todos os meios possíveis, a reeleição de Lula.
O roteiro está em andamento. A questão agora é saber quem vai conseguir se antecipar ao próximo movimento.
