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Programas – 11 a 18 de agosto

Programas – 11 a 18 de agosto

Nesta semana, uma variedade de opções culturais, com documentários, curta-metragens, obras literárias, concertos, manifestações sociais e outros eventos

*Vasculhar a memória é programa importante para corrigir o que for possível no passado e assim projetar um futuro melhor que o presente. O curta-metragem O Senhor Morita, do diretor e militante argentino Roberto Fernandez, é um desses documentários. Ele volta à tragédia da bomba atômica que destruiu Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, e faz refletir, mais uma vez, sobre a necessidade de bloquear, com urgência, a corrida por armamento nuclear reiniciada com a guerra na Ucrânia.

*Em O Senhor Morita, o depoimento de um sobrevivente de Hiroshima que vive no Brasil. O filme de Fernandez, um ativista na área dos Direitos Humanos há mais de 30 anos, é de 2016. O doc está disponível no canal do IIEP no Youtube (clique aqui)

*O programa é ler. Ler muito. Livros sobre a mesa de cabeceira, próximos das poltronas; ler durante o transporte diário, nos tempos dos intervalos. Ler é o programa e a grande arma contra os ignorantes e os inimigos dos livros, principalmente inimigos dos livros didáticos, os que dão prioridade a armas e joguinhos violentos em redes de desinformação.

*O advogado mineiro Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, escreve: “A decisão da gestão Tarcísio (NR: o governador de São Paulo) de tirar os livros impressos das escolas parece piada, mas na realidade é uma estratégia de dominação. O livro é forte inimigo das ditaduras, do fascismo e da barbárie. Trocado por uma arma, ele alimenta todas as formas de obscurantismo. Caso a decisão do atual governo paulista tivesse evoluído, mais de 1,4 milhão de estudantes não teriam recebido os tradicionais livros didáticos”.

*Estado de exceção na Argentina e no Brasil Uma perspectiva a partir da teoria crítica é o título do volume organizado por um grupo de pesquisadores argentinos e brasileiros com Renato Franco, Miguel Vedda e Antonio A. S.Zuin entre eles. O seu objetivo é esclarecer questões ou aspectos decisivos da experiência social e política da América Latina, em particular nesses dois países. Por exemplo, a experiência totalitária no passado recente da região, que ainda hoje se mostra como força atuante capaz de configurar a experiência social e política. Faz também uma crítica radical com o consequente esclarecimento das formas de estado de exceção que foram – ou ainda são? – predominantes tanto em um país quanto em outro.

*Um certo cinema paulista – Entre o Cinema Novo e a indústria cultural, (Ed. Alameda), de Caroline Gomes Leme, é outra interessante sugestão de leitura. O volume aborda o cinema paulista de 1958 a 1981 e analisa um conjunto de cineastas do entrelugar, isto é, mal acomodados na história do cinema brasileiro e situados entre o Cinema Novo, a Boca do Lixo, o Cinema Marginal etc.Em resumo: o assunto é o cinema de autor e a indústria cultural. Caroline é professora do Departamento de Sociologia da Universidade Regional do Cariri e autora também deDitadura em imagem e som: trinta anos de produções cinematográficas sobre o regime militar brasileiro (Ed. Unesp/2013).

*Os Rosários dos Angolas Irmandades de africanos e crioulosna Bahia Setecentista, de Lucilene Reginaldo, é outra sugestão de leitura: a história das confrarias leigas de africanos e crioulos relacionada à experiênciada escravização e do Império português. A autora nasceu em Santo André, SP, fez graduação e mestrado em História na PUC-SP, e doutorado em História Social na Unicamp onde atualmente é professora.

*Boa notícia, programa imperdível: o documentário Ithaka: a Luta de Assange, do inglês Ben Lawrence e produzido por Gabriel Shipton, meio-irmão do jornalista preso em Londres, em Belmarsh, um dos mais importantes personagens do nosso tempo. O filme acompanha a luta de seu pai, John Shipton, na tentativa de salvar seu filho Julius, da cadeia. Entra em cartaz em vários cinemas brasileiros a partir do dia 31 deste mês.

*Festival Cultura e Pop Rua, programa para a próxima semana, 16 e 18 de agosto, com entrada gratuita. Evento organizado pelo Museu da Língua Portuguesa e o Sesc São Paulo em conjunto com coletivos e movimentos que lutam e atuam com a população em situação de rua. Na programação, oficinas, shows, mesas de debate e curso. Local: Estação da Luz defronte do Museu e no Sesc/Bom Retiro, Centro de São Paulo. Informações aqui.

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*Em um dos locais mais bonitos do Rio de Janeiro, no Museu do Amanhã, concerto à luz de velas, o Candlelight Anéis, Tronos e Dragões, dia 26 deste mês, às 18h. Em setembro, dia 13, às 19h, concerto Clássicos do Rock, de Queen a Pink Floyd,

*E atenção para a turnê de Paul McCartney que se iniciará em Brasília, dia 30 de novembro, seguindo para Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e terminando no Rio de Janeiro, dia 16 de dezembro. Show extra dia 17 novamente em SP, no Allianz Parque.

*Um dos principais representantes do cinema brasileiro, o saudoso Rogério Sganzerla, diretor do clássico O Bandido da Luz Vermelha, estará, com seus filmes, ao longo de agosto, no Festival de Locarno, e também em Portugal. No importante festival suíço, Abismu, de 1977, e o curta Documentário, de 1966, estão na Mostra Histoire(s) Du Cinéma, dedicada a mestres da história do cinema mundial. Sganzerla é o único cineasta latino-americano com filme programado ao lado de Hitchcock, Godard, Ridley Scott.

*Muita tristeza com a morte do amigo Aderbal Freire-Filho. Ainda assinava “Aderbal Júnior” quando, ao chegar ao Rio e desembarcar em Ipanema, dirigiu Apareceu a Margarida, de 1973, primeira obra de Roberto Athayde. A peça é uma representação do terror do autoritarismo na educação e o espetáculo foi corajosamente montado em plena ditadura, com magnífica atuação de Marília Pêra. Sua temporada foi interrompida pela censura. Chico Buarque, Mario Prata e a turma do Pasquim eram alguns do grupo do querido Aderbal nos seus primeiros tempos de Rio vindo de Fortaleza.

*O início da carreira brasileira do curta-metragem Pássaro Memória, de Leonardo Martinelli, será na tela do próximo Festival de Cinema de Gramado. O filme conquistou o público europeu em sua passagem pela seção Pardo Di Domani do Festival de Locarno. Leonardo é o premiado diretor de Fantasma Neon.

*O documentário Anhangabaú, do diretor gaúcho Lufe Bollini, também estará em Gramado, no próximo dia 17, na mostra competitiva. Relaciona conflitos e lutas pelo direito de viver bem na cidade à moradia urbana e à artepaulistanas. Diz o diretor: “É um filme da memória indígena e artística de São Paulo, que abraça a cidade e deseja despertar em todo mundo a alegria guerreira”. A produção relaciona conflitos pelo território da comunidade indígena Guarani Mbya com a resistência das ocupações Ouvidor 63 e o Teatro Oficina.

*O combativo grupo de mulheres que lutam por melhores condições de vida para as trabalhadoras do campo e “para todos os brasileiros”, estará nos dias 14 e 15 deste mês em Brasília, na já famosa Marcha das Margaridas. Este ano a sua cartilha terá o tema Mulheres pela Reforma Agrária: Em defesa dos movimentos sociais. “Se a extrema-direita tenta silenciar as parlamentares feministas combativas na CPI do MST, daremos uma resposta contundente nas ruas. A luta das mulheres muda o mundo”, bradam as valorosas margaridas.

*Mais um título indígena em Gramado, este ano: o premiado curta-metragem Mãri Hi – A árvore do sonho, de Morzaniel Ɨramari, cineasta Yanomami. Filme vencedor no Festival É Tudo Verdade deste ano e traz Davi Kopenawa apresentando o conhecimento dos Yanomami sobre os sonhos.

*E Viva Caetano Veloso com seus valorosos 81 anos. Para festejá-lo o programa é ouvi-lo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Tw8CGltpx1o

L. M. A. R.

(Algumas informações acima são fornecidas por editoras, produtoras e exibidoras).

*Imagem em destaque: Marcha das Margaridas acontece em Brasília nos dias 14 e 15 de agosto (Divulgação)

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