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Programas – de 28 de julho a 4 de agosto

Programas – de 28 de julho a 4 de agosto

‘A mãe’, de Cristiano Burlan, está entre os destaques da edição desta semana; longa-metragem estreia nesta sexta-feira (28), no Canal Brasil, às 21h

*Duas vozes excepcionais se calaram na semana passada: a de Leny Andrade, aos 80 anos, e de Tony Bennett, aos 96. Frank Sinatra foi o grande fã da voz aveludada de Bennett que chegou a receber 20 prêmios Grammy. E Bennett foi grande fã de Leny e costumava assistir seus shows, nos Estados Unidos, sentado na primeira fila. O americano partiu e deixou seu coração em São Francisco embora fosse nova-iorquino de nascimento e de coração.

*No Rio de Janeiro dos anos 60 Leny foi uma das rainhas do lendário Beco das Garrafas, em Copacabana, onde pontificavam o Little Club e o Bottle’s.

*Dóris Monteiro, uma voz especial, serena, que serpenteia, partiu também com os dois. Duas cantoras especiais, ela e Leny, na história da MPB carioca. Uma nasceu no bairro do Cachambi e a outra era de Copacabana. Ligadas pela batida do samba, da bossa nova e sob a influência do jazz.

*O MR-8 na Luta Armada: As armas da crítica e a crítica das armas, de Higor Codarin, é a obra vencedora do 4º Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas, projeto do Arquivo Nacional. A dissertação de Codarin, mestrado em Sociologia, foi publicada agora pela Editora Alameda, que registra: “Já foram escritos alguns bons livros sobre as esquerdas armadas. Mas ainda faltava um estudo de fôlego sobre o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8”. A pesquisa aprofundada sobre o tema recorre a fontes escritas e orais garimpadas em acervos de processos judiciais do Supremo Tribunal Militar, documentos do MR-8 e em entrevistas com ex-militantes. O livro dedica espaço à análise da ação que tornou o MR-8, dissidência do PCB, um grupo célebre, com vários filhos de famílias de classe média que em seguida à captura do embaixador americano, em setembro de 1969, foram presos ou se exilaram. O autor é doutorando em História pela UFF e em fins de agosto vai defender sua tese de doutorado sobre a biografia de Vera Sílvia Magalhães, a musa do MR-8 e da esquerda inteligente do Rio de Janeiro e de São Paulo.

*O filme Cinq Hectares, de Emilie Deleuze, ganhou o prêmio Leopardo de Ouro, do respeitado Festival de Cinema de Locarno. É o oitavo longa-metragem da diretora e roteirista, filha do filósofo Gilles Deleuze. O presidente do júri de Locarno, este ano, foi o ator Lambert Wilson, ator de Benedetta e de Matrix.

*A angústia do precariado: trabalho e solidariedade no capitalismo racial. A nova obra do sociólogo Ruy Braga, professor da USP, é fruto de uma pesquisa de campo em pequenas cidades rurais nos Montes Apalaches, região que concentra historicamente a pobreza branca nos Estados Unidos. Durante sua pesquisa, ao invés de comunidades mobilizadas pelo ódio aos imigrantes e aos negros, o autor encontrou grupos de trabalhadores vivendo em constante agonia, o que os aproxima das condições de subsistência das comunidades negras.

*O livro de Ruy Braga é o último volume de uma trilogia consagrada à formação do precariado global, vasto contingente de trabalhadores sub-remunerados e em situação de insegurança. O primeiro trabalho da série é de 2012, A políticado precariado: do populismo à hegemonia lulista seguido por A rebeldia do precariado: trabalho e neoliberalismo no Sul global, de 2017. (Coleção Mundo do Trabalho/Boitempo Editorial)

*A maior feira de brechós do estado do Rio, a Ecobrechó Park, na Barra da Tijuca, abre hoje e vai até domingo, no Aerotown Power Center, Zona Oeste. O foco é o consumo consciente e a ideia é a moda circular, com reutilização e reciclagem de peças selecionadas.

*O álbum Secos e Molhados, de 1973, completa 50 anos. O programa é ouvir o disco com os clássicos Sangue Latino, O Vira e Rosa de Hiroshima, principal registro fonográfico da revolução estética e sonora que a banda representou na música popular brasileira entre os anos de 1972 e 1974.

*Chega às livrarias brasileiras mais uma novela de Ghassan Kanafani, um dos maiores autores da literatura palestina moderna. Retorno a Haifa, publicada originalmente em árabe, em 1970, conta a história de um casal palestino originário da cidade de Haifa, que, tendo sido forçado a deixar a cidade por ocasião da Nakba (a “catástrofe”) de 1948, retorna 20 anos depois.

*No livro, Kanafani apresenta a questão central para o povo palestino: a possibilidade, depois de 20 anos, ainda que restrita, do retorno à terra.

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*Lançada a primeira tradução oficial da Constituição brasileira registrada em idioma indígena. No caso, o idioma nheengatu, falado por cerca de 25 mil pessoas e considerado a língua geral amazônica. O trabalho foi feito por tradutores indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e do Médio Tapajós. O nheengatu também é conhecido como tupi moderno, língua indígena da família tupi-guarani e a sua origem é a língua geral que por sua vez provém do tupi antigo. Clique aqui para a Constituição em nheengatu.

*O 30º Festival de Cinema de Vitória selecionou os filmes que serão exibidos nas mostras competitivas do evento, de 18 a 23 de setembro, na capital capixaba. São três documentários: Incompatível Com a Vida, de Eliza Capai, Jovem queDesceu do Norte, de Ana Teixeira, e Toda Noite Estarei Lá, de Suellen Vasconcelos e Tati Franklin. E mais duas ficções: Porto Príncipe, de Maria Emilia Azevedo, e Represa, de Diego Hoefel.

*De olho neste programa: assistir o filmeBárbara,de Christian Petzold, com a atriz Nina Hoss. Os dois são grandes talentos do cinema alemão contemporâneo. É um thriller político, tenso, que se passa em Berlim Oriental e rendeu a Petzold o Urso de Prata de Melhor Diretor no festival de Berlim.

*Sugestão de leitura especial: de autoria do professor Márcio Pochmann, novo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o volume Novos Horizontes do Brasil na 4ª transformação estrutural, da Editora da Unicamp, trata da discussão sobre o futuro do Brasil a partir de um mergulho no passado com reflexões sobre o que se pode esperar do país nos próximos anos.

*O professor Pochmann escreve: “Estamos, desde o final dos anos 1980, acreditando que é possível combinar crescimento econômico com sustentabilidade ambiental. Mas o que está sendo revelado pelos relatórios do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, entre outros, é que a temperatura da Terra já subiu e tende a subir ainda mais. Ou seja, essa estratégia de desenvolvimento sustentado não deu resultado e isso coloca em xeque todo o modelo econômico”.

*A Mãe, do gaúcho Cristiano Burlan, longa-metragem com a brilhante atriz Marcélia Cartaxo, estréia no Canal Brasil hoje (28/07), depois de premiado comMelhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Desenho de Som no Festival de Gramado do ano passado. Cenário: uma comunidade no Jardim Romano, em São Paulo. A história: Maria, uma camelô que batalha arduamente para criar sozinha o seu único filho, ao chegar do trabalho percebe que ele não está em casa e inicia uma busca incansável pelo adolescente. O filme mostra a dor e a coragem de uma mãe que enfrenta a polícia, o tráfico e todos os perigos que a cercam para saber o paradeiro do jovem. Detalhe: a história de vida do diretor do filme é marcada pela violência. Perdeu o irmão, o pai e a mãe de formas brutais e leva as memórias de infância para as suas obras. Entre elas, os filmes Mataram meu Irmão e Elegia de um Crime.

*Baseado nos diários inéditos da célebre romancista Patrícia Highsmith, o filme Amando Patricia Highsmith, de Eva Vitija, versa sobre a vida amorosa da autora norte americana que escreveu mais de 22 romances, alguns deles adaptados para grandes sucessos no cinema como Pacto Sinistro eO Talentoso Ripley. Na plataforma Filmicca.

*Doutor Araguaia, de Diego Moreira e Gabriel Kolbe, é uma HQ com o relato da história do médico João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, que lutou na guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar. Morto e desaparecido, sua história está viva na memória da população local. No prefácio do livro a sua irmã, Sônia Maria Haas, escreve: “Nenhum sacrifício será feito em vão“. Os gaúchos Diego e Gabriel são quadrinistas e ilustradores em Porto Alegre.

(L.M.A.R.)

*As informações acima são fornecidas por editoras, produtoras e exibidoras.

**Imagem em destaque: cena de A mãe, de Cristiano Burlan (Divulgação)

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