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Trabalhadores cotistas de todos os investidores institucionais, uni-vos!

Trabalhadores cotistas de todos os investidores institucionais, uni-vos!

Em uma live, quando lancei a provocação do título acima aos debatedores, recebi questionamentos a respeito do realismo da proposta. Mas a liberdade de expressão permite a expressão de opiniões e ideias, mesmo caso sejam impopulares ou controversas, se não violarem os direitos ou causarem danos a outros indivíduos ou grupos sociais.

A tolerância com a diversidade de opiniões é fundamental, em uma sociedade democrática, para o diálogo construtivo levar a um entendimento mais amplo e bem-informado dos problemas. Há evolução das ideias a partir do debate público pluralista – e não sob o monopólio da doutrina neoliberal, como predomina na imprensa brasileira, especialmente, no jornalismo econômico.

Uma notícia publicada no dia seguinte do debate me leva a pensar a minha ideia não ser tão sem sentido, porque em outros lugares já demonstra sua prática, no caso, equivocada por ser extremista e violenta. “A BlackRock triplicou seus gastos com segurança, no ano passado, depois de o presidente do Conselho de Administração e CEO da gestora de ativos ter se tornado um alvo de ativistas ‘anti-woke’ e teóricos da conspiração” (Valor, 23/04/24).

“A gestora com US$ 10,5 trilhões em ativos pagou US$ 563.513 para “melhorar os sistemas de segurança” das residências dele, durante 2023, além de US$ 216.837 em salários de guarda-costas, segundo consta nos dados de remuneração executiva da BlackRock encaminhados às autoridades reguladoras”.

O chefe de 71 anos da maior gestora de recursos do mundo foi apontado por grupos conservadores e extremistas como parte de uma reação contra o uso pela BlackRock de critérios de investimentos baseados em fatores ambientais, sociais e de governança (ESG). Esta foi a hipótese levantada por mim como progressista!

A BlackRock foi bastante citada nos debates das primárias para as eleições presidenciais americanas, entre os adversários de Donald Trump, na disputa dentro do Partido Republicano pela nomeação à candidatura presidencial. Por exemplo, Vivek Ramaswamy, um dos candidatos, acusou Larry Fink (CEO da gestora) de “o rei do complexo industrial woke e do movimento ESG”.

Fink comentou na ocasião as referências feitas nos debates terem sido “um triste comentário sobre a situação da política americana”. Os escritórios da BlackRock também têm sido alvos de protestos periódicos de ativistas climáticos. Afirmam ela não estar fazendo o suficiente para promover a descarbonização da economia.

Os grupos farmacêuticos Pfizer e Moderna também enfrentaram críticas de grupos extremistas por suas vacinas contra a covid-19 e gastaram muito com a segurança de seus CEOs. Igualmente, o presidente-executivo do J.P. Morgan e o executivo-chefe da fabricante de carros elétricos Tesla, Elon Musk, sofreram ameaças.

“Acordei” é o significado literal da palavra woke, passado do verbo wake, com significado de “acordar, despertar”. Na gíria norte-americana, ser ou estar woke indica a adoção de certas posturas políticas.

O uso de woke surgiu na comunidade afro-americana. Originalmente, queria dizer “estar alerta para a injustiça racial”.

Os ativistas “anti-woke” nos Estados Unidos são um grupo diverso com diferentes motivações e objetivos, mas geralmente compartilham críticas em relação ao percebido como excessos do movimento em busca de justiça social, identificado como “wokeness”.

Os ativistas “anti-woke” fazem oposição ao considerado “cultura do cancelamento”. Criticam a tendência de cancelar ou ostracizar pessoas por expressarem opiniões impopulares ou politicamente incorretas, argumentando isso limitar a liberdade de expressão e criar um clima de medo e censura.

Esses extremistas de direita dizem estar preocupados com pressupostas restrições à liberdade de expressão em nome da sensibilidade política. Dizem proteger a capacidade das pessoas de expressar livremente suas opiniões, mesmo caso sejam ofensivas ou expressem um discurso de ódio, o qual cruza o limite legal ao promover a violência, a discriminação ou o ódio contra pessoas com base em sua identidade ou pertencimento a um determinado grupo.

Criticam à ideologia identitária, ou seja, o enfoque excessivo na identidade racial, de gênero e outras categorias. Argumentam isso promover a divisão e o ressentimento entre os grupos e desviar o foco de questões mais importantes, como as nacionais na geopolítica ou geoeconomia, além dos direitos individuais.

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Fazem resistência ao visto como doutrinação ideológica. Muitos ativistas anti-woke com baixo nível educacional denunciam uma suposta disseminação de uma ideologia política de esquerda em instituições educacionais, corporativas e governamentais – e buscam resistir a essa influência com atávico anticomunismo.

Os ativistas anti-woke progressistas propõem a promoção de um debate aberto e pluralista. Deve ocorrer em espaço público, onde diferentes pontos de vista possam ser expressos e debatidos livremente, sem medo de retaliação ou ostracismo por parte daqueles detentores de poder institucional.

Portanto, o movimento anti-woke não é homogêneo e inclui uma variedade de perspectivas e abordagens. Vai desde as críticas legítimas à cultura de cancelamento e à ideologia identitária até a adoção posicionamentos mais extremistas e violentos como nos ataques aos CEOs de investidores institucionais.

A prática de participação acionária em empresas, com a abertura de capital por meio da emissão de ações, tem raízes históricas no início do século XVII, mas os mercados de capitais se “democratizaram” quando pequenos acionistas passaram a investir. A adoção de regulamentações em proteção dos direitos dos acionistas e a disponibilidade de informações financeiras mais transparentes também contribuíram para tornar o investimento em ações mais acessível e atraente para o público em geral.

Nos Estados Unidos, 58% da população, correspondente a 145 milhões de pessoas adultas, têm investimentos no mercado de ações. Eram 62% antes da GCF de 2008, caiu até 55% em 2015 e, depois, passou a recuperar investidores.

Só 15% detinham ações diretamente – e não via Fundos. Dentre todos os investidores nas bolsas de valores norte-americanas, os 10% mais ricos são donos de quase 90% das ações em circulação. A “democracia do mercado” não diminui a desigualdade entre riquezas, porém, pode diminuir a pobreza em posse de estoque.

A globalização e a expansão das empresas transnacionais também levaram à maior participação de pequenos. Ao expandirem suas operações, para além das fronteiras nacionais, isso resultou ou na listagem de suas ações em bolsas de valores de outros países ou eles permitiram seus cidadãos acessaram as bolsas dos Estados Unidos, oferecendo oportunidades para investidores individuais adquirirem participação acionária nessas empresas.

A participação de pequenos acionistas no capital de empresas transnacionais foi um desenvolvimento gradual ao longo do século XX, impulsionado pelo crescimento dos mercados de capitais, a democratização do investimento em ações e a globalização dos negócios.

Quando os bilionários são acionistas majoritários ou têm uma participação acionária significativa na Sociedade Anônima exercem uma influência substancial sobre as decisões do Conselho de Administração. Têm a capacidade de 1. indicar membros para o Conselho, 2. influenciar a estratégia de negócios, 3. tomar decisões sobre fusões e aquisições, e 4. influenciar a política de dividendos.

Entretanto, os investidores institucionais, como Fundos de Ações, Fundos de Pensão e Gestores de Riqueza, podem ter uma maior influência, nas empresas nas quais investem, especialmente, se possuírem uma participação acionária significativa. No agregado, foram os maiores responsáveis por, entre 2013 e 2022, a capitalização total das bolsas de valores ter aumentado de US$ 65 trilhões para US$ 105 trilhões no mundo. Em 2021, a capitalização chegou a US$ 121 trilhões.

Para comparar: em 2024, os 2.781 bilionários no mundo tinham uma fortuna somada de US$ 14,2 trilhões. Esse agregado é diminuto relativamente à riqueza mundial no total de US$ 454,4 trilhões, em 2022, cerca de 37 vezes maior.

Os ativos financeiros representavam cerca de 54% (US$ 245,4 trilhões), ou seja, o valor de mercado de todas as ações alcançaram 43% deles, o suficiente para dar a dinâmica da riqueza mundial. É determinante da alocação do capital no mundo.

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