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AP: Cartier usa imagens de tribo devastada por mineração. Para críticos, hipocrisia

AP: Cartier usa imagens de tribo devastada por mineração. Para críticos, hipocrisia

Carmen Munari

Em uma extensa reportagem e principal manchete do site com o título “Cartier usa imagens de tribo amazônica devastada por mineração ilegal de ouro. Os críticos chamam isso de hipocrisia”, a agência americana Associated Press (AP) informa que, até dois meses atrás, o site da marca francesa de joias de luxo Cartier mostrava crianças Yanomami brincando em um campo verde e afirmava que estava trabalhando para promover a cultura do povo indígena e proteger a floresta tropical onde eles vivem, em um vasto território que abrange o Brasil e a Venezuela. Mas o projeto e proteção da Amazônia nunca aconteceu. E a Cartier publicou a foto sem a aprovação da liderança Yanomami, violando as crenças de um povo que vivia em isolamento quase total até ser contatado por pessoas de fora na década de 1970.

Alguns dos Yanomami e seus defensores elogiam a promoção das causas da tribo pela Cartier. No entanto, a publicidade de uma das maiores joalherias do mundo com imagens de um povo indígena devastado pela mineração ilegal de ouro faz com que alguns reclamem de “greenwashing”, uma empresa que promove sua própria imagem ao apoiar uma causa. Júnior Hekurari questiona o uso da imagem da tribo em propaganda de ouro. A reportagem traz o contexto cruel em que vivem os Yanomami. A Cartier diz que não compra ouro extraído ilegalmente, mas os líderes Yanomami pediram que as pessoas não comprassem joias de ouro, independentemente de sua origem.

A reportagem da AP foi publicada pelo Washington Post.

Ainda Amazônia

O desmatamento na Amazônia brasileira caiu 68% em abril em relação ao ano anterior, mostraram dados preliminares divulgados pelo governo na sexta-feira, uma leitura positiva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois representa a primeira grande queda sob seu comando, informou a Reuters nesta segunda-feira. A agência cita que Lula venceu as eleições do ano passado prometendo acabar com o desmatamento depois de anos de destruição crescente sob o comando de seu antecessor Jair Bolsonaro, mas tem enfrentado desafios contínuos desde que assumiu o cargo, já que o órgão ambiental Ibama luta contra a falta de pessoal. Dados oficiais do Inpe mostraram que 328,71 km2 foram desmatados na Amazônia brasileira no mês passado, abaixo da média histórica de 455,75 km2 para o mês, o que interrompeu dois meses consecutivos de maior desmatamento. “Bolsonaro reduziu os esforços de proteção ambiental, cortando verbas e pessoal em agências importantes, enquanto pedia mais agricultura e mineração em terras protegidas”.

Frustrado em nível nacional por sua incapacidade de torcer o braço do presidente do Banco Central e visto com certa desconfiança em nível internacional por causa de suas declarações confusas sobre a guerra na Ucrânia, o presidente Lula finalmente encontrou um motivo para comemorar após quase cinco meses no cargo: a Amazônia. Assim começa a reportagem do espanhol El Mundo sobre a redução no desmatamento. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados pelo governo brasileiro, mostram que, em abril deste ano, o desmatamento na Amazônia caiu 68% em relação ao mesmo mês de 2022. Esse é o primeiro avanço no plano de “desmatamento zero” que Lula apresentou como promessa na campanha eleitoral que o levou à presidência pela terceira vez. O governo anterior de Jair Bolsonaro considerava que a Amazônia deveria ser explorada economicamente.

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STF

Telesur sobre os julgamentos do STF. De 24 de abril a 7 de maio, cerca de 550 apoiadores pró-Bolsonaro ligados à tentativa de golpe em Brasília em janeiro passado foram indiciados pelo Supremo Tribunal Federal.

“Anistia”

A Câmara dos Deputados do Brasil prepara-se para livrar partidos de milhões de reais em multas. Vai começar a ser discutida uma legislação que isenta os partidos do pagamento de quase todas as multas por irregularidades financeiras e pelo descumprimento das quotas para mulheres e negros, informa o português Público, com uma grande foto do presidente da Câmara, Arthur Lira.

Eletrobras

Na Reuters, nota curta informa que ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, disse na segunda-feira que a renacionalização da empresa de energia Eletrobras, que se tornou privada no ano passado, não está em pauta. Silveira disse que o governo Lula – que ainda detém uma grande participação não controladora – havia inicialmente considerado reverter a privatização, mas decidiu não fazê-lo. (Será que o ministro está bem informado?)

Polícia

A agência cubana Prensa Latina noticiou que um policial militar brasileiro matou a tiros dois colegas de um batalhão policial na cidade de Salto (SP). De acordo com relatos de testemunhas, um sargento, identificado como Gouveia, entrou em uma sala na base militar e atirou nas vítimas, o sargento Roberto da Silva e o capitão Josias Justi, comandante da polícia militar local.

Foto da AP: Página do site da joalheria Cartier com as crianças Yanomami, já retirada pela empresa

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