Ataque dos ruralistas contra Meio Ambiente e Povos Indígenas é notícia na Europa

Ataque dos ruralistas contra Meio Ambiente e Povos Indígenas é notícia na Europa

A desidratação dos ministérios do Meio Ambiente e Povos Indígenas perpetrada pelas forças ruralistas no Congresso Nacional nesta quarta-feira (24) foi notícia no principal jornal europeu, o britânico The Guardian. (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

A desidratação dos ministérios do Meio Ambiente e Povos Indígenas perpetrada pelas forças ruralistas nesta quarta-feira (24), no Congresso Nacional, foi notícia no principal jornal europeu, o britânico The Guardian. Por 15 votos contra 5, a comissão parlamentar aprovou um projeto de lei retirando do Ministério do Meio Ambiente, “o controle do cadastro ambiental rural, uma ferramenta crucial na luta contra o desmatamento ilegal e a grilagem de terras, e dos recursos hídricos”; e do Ministério dos Povos Indígenas, “a responsabilidade pela delimitação dos territórios indígenas, passando essas atribuições para o Ministério da Justiça”.

Nesta sexta-feira (26), está marcada uma reunião entre o presidente Lula e as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) que manifestaram sua indignação contra truculência do Congresso e outras medidas como as que levarão a menor regulamentação da Mata Atlântica e a maior dificuldade na demarcação das terras indígenas. À AFP, a ministra Guajajara foi categórica, apontando que as normas vão “totalmente contra o que o presidente Lula defende” e representam “recuo” para os direitos indígenas. A ministra Marina Silva, conforme destaca o Globo, estava na cerimônia de posse do novo presidente do Instituto Chico Mendes, sobre o episódio, lamentou. “Estamos vivendo um momento difícil. Este é o momento das árvores fortes se colocarem na frente para proteger o que é essencial”.

O Greenpeace Brasil qualificou a decisão de “barbárie” anti-ambiental.  A discussão continua na próxima terça-feira, dia 30.

Meio ambiente em questão

Na Agência EFE, destaque para um estudo do IBGE apontando que 9% das espécies da fauna e 42,7% da flora do Brasil estão ameaçadas de extinção. São 1.253 espécies de animais ameaçadas de extinção, das quais 358 estão criticamente em perigo; assim como 3.207 espécies da flora ameaçadas, 684 delas em estado crítico. “Dentre os seis grandes biomas do Brasil, aquele com as espécies mais ameaçadas ou já extintas é a Mata Atlântica que se estendia por todo o litoral e hoje abriga as grandes cidades do país. Das 11.811 espécies da região da Mata Atlântica analisadas, 2.845 estão ameaçadas (24% do total)”, complementa o texto.

Enquanto isso, o uruguaio El Observador divulga a construção de um enorme laboratório voltado à observação da absorção do dióxido de carbono CO2 na Amazônia, visando entender e prever a crise climática. Intitulado Amazonface, o projeto é do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, com coordenação do Instituto Nacional de Investigação da Amazônia e da Unicamp.

Batalha no Congresso

A CPI que irá investigar os atos terroristas de 8 de janeiro foi notícia na Europa Press. Formalizada nesta quinta-feira (25), ela será composta por 32 parlamentares, em partes iguais entre senadores e deputados, com presidência do deputado Arthur Maia (União-BA) e relatoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA). Segundo reportagem, as investigações da PF e da PGR levaram a mais de mil réus em todo o país. Essas pessoas irão responder entre outros crimes pelos de associação criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração de patrimônio tombado… A CPI irá, agora, investigar a orquestração de um golpe contra a democracia no país.

Outro tema em alta é o ajuste fiscal do governo brasileiro. Na cubana Prensa Latina, reportagem destaca a aprovação por 372 votos a favor e 108 contra, como uma vitória do governo, que abrirá os caminhos para aumentar os investimentos sociais. A nova regra substitui o teto de gastos aprovado após o golpe de 2016, e prevê um aumento equivalente a 70% do aumento real da receita no ano anterior. As despesas crescerão sempre entre 0,6 e 2,5 por cento acima da inflação.

“O objetivo é criar um mecanismo anticíclico, ou seja, em momentos de economia mais fraca os gastos seriam maiores. E na quitação isso não vira despesa. Se o resultado ficar abaixo da meta, as despesas do ano seguinte só poderão crescer o equivalente a 50% do aumento real da receita. Quando ultrapassado, o excedente será utilizado para investimentos”, destaca.

Em Estrategia.La, Jeferson Miola avalia que “a aprovação do regime tributário com os votos de quase 3/4 dos deputados [372], apesar de ser celebrada pelo governo como um sucesso, é uma vitória do bloco governista para preservar um brutal saque do Brasil, cujo padrão de desapropriação tornou-se ainda mais indecente após a expulsão fraudulenta de Dilma em 2016”. Já o uruguaio Âmbito, traz as aspas de Haddad (Fazenda), apontando que “a Câmara demonstra buscar um entendimento para ajudar o Brasil a recuperar taxas de crescimento mais expressivas”.

Combate ao Racismo

O jornal espanhol El Diário trouxe uma reportagem sobre o crime de racismo ocorrido contra o jogador Vinícius Júnior do Real Madrid, que levantou uma onda de indignação e em defesa do jogador. O episódio chegou a ser qualificado de “terrível” pelo porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Matthew Miller. Do G7, em sua entrevista coletiva, o presidente Lula abordou o assunto, e foi o primeiro a se manifestar sobre o ocorrido.

“Não é possível, em pleno século 21, ter um preconceito racial tão forte em tantos estádios de futebol. É injusto que um menino pobre que se deu tão bem na vida seja insultado em todos os estádios em que joga. É importante que a FIFA, a Liga Espanhola, as ligas de outros países tomem medidas, porque não podemos permitir que o fascismo e o racismo se instalem dentro dos estádios de futebol”, acrescentou.

No Brasil, acaba de ser noticiado um jogo online que durante mais de um mês ficou disponibilizado na Play Store da Google Brasil. Apresentado como o “melhor simulador de proprietários de escravos e comércio de escravos”, o jogo consistia na simulação de compra, tortura, exploração, repressão de pessoas negras, e foi retirado da plataforma, como destaca o português JN, “mas não a tempo de evitar uma onda de indignação e repulsa no país”.

Brasil no mundo

No britânico The Conversation, o historiador Rafael Ioris (Universidade de Denver) comenta a postura de Lula no G7, observando como as nações historicamente alinhadas com a UE e os EUA estão se reposicionando nesta nova ordem geopolítica. “Não é do interesse do Brasil escolher um lado. Não está claro neste estágio inicial de sua nova presidência se Lula pode reviver o ato de equilíbrio internacional que ele realizou durante seu primeiro período de governo” (…) Da mesma forma, o país “não pode se dar ao luxo de escolher um lado. Na verdade, não escolher um lado pode ser uma vantagem para o Brasil. Foi somente após a visita de Lula à China que o governo Biden anunciou aumentar em dez vezes sua contribuição ao Fundo Amazônia”.

No chinês South China Morning Post, Alexander Gorlach (NYU Gallatin School) analisa o porquê do convite ao Brasil, Índia e Indonésia para a cúpula do Grupo dos 7 (G7) em Hiroshima, e o que isso significa em termos de mudança na ordem internacional. “Quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky voou para Hiroshima, ele não o fez para convencer os representantes já alinhados das democracias mais ricas do mundo a continuar a apoiar sua causa. Pelo contrário, foi para conquistar os líderes dos países mencionados, que estão entre aqueles frequentemente chamados de “Sul Global”.

“Embora seja justo dizer que nem Nova Délhi, nem Brasília receberam com satisfação o desenrolar da guerra – pois também lhes infligiu consequências negativas –, eles ainda optaram por se abster de uma forma ou de outra de condenar a agressão do presidente russo Vladimir Putin e até agora não impuseram sanções à Rússia, como fizeram outros países próximos aos Estados Unidos. Em vez disso, o Brasil e a Índia assumiram uma posição neutra na guerra, assim como outras potências, como a Turquia. Na realidade, porém, cada país se posicionou para se beneficiar da guerra ou pelo menos não sofrer danos como resultado dela”, afirma o texto.

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