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Brasil quer envolver setor privado para reflorestar a Amazônia

Brasil quer envolver setor privado para reflorestar a Amazônia

A mídia internacional dedicou reportagens à Cúpula da Amazônia, que será realizada na terça e quarta-feira, e também a temas correlatos, como o projeto do governo Lula de reflorestar partes da região por empresas privadas. A exploração de petróleo na foz do Amazonas, como quer a Petrobras, também foi noticiada.

O governo brasileiro quer que o setor privado ajude a reflorestar grandes áreas da Amazônia, segundo afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, usando concessões para replantar cerca de 12 milhões de hectares (120.000 km2) de floresta até 2030, noticia a agência Reuters. As linhas gerais do plano foram esboçadas em uma reunião na semana passada pelo presidente Lula, que prometeu acabar com o desmatamento da Amazônia até 2030. O relato da ministra sobre como o plano funcionaria é o mais detalhado até o momento. O governo está estudando a possibilidade de oferecer concessões privadas de terras de propriedade do governo federal para o plantio de árvores nativas, juntamente com madeiras de alto valor, como o mogno, que são valorizadas nos setores de móveis e decks. As concessões também poderiam ser concedidas para gerar outros produtos, como sementes oleaginosas, fibras e resinas, juntamente com possíveis esquemas de crédito de carbono.

A Reuters também dedicou texto geral sobre a cúpula ao informar que oito nações da floresta amazônica devem enfrentar divisões sobre propostas para bloquear novas perfurações de petróleo e acabar com o desmatamento quando se reunirem na terça-feira para a primeira cúpula em 14 anos. O encontro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) reúne chefes de estado da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela por dois dias na cidade de Belém, no norte do Brasil. Terão como objetivo forjar políticas, metas e posições unificadas em negociações internacionais sobre cerca de 130 questões que vão desde o financiamento para o desenvolvimento sustentável até a inclusão indígena. No entanto, em uma reunião pré-cúpula no mês passado, o presidente colombiano Gustavo Petro pressionou seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a bloquear qualquer novo desenvolvimento petrolífero na Amazônia.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ficaram em silêncio durante uma declaração conjunta à imprensa nesta segunda-feira sobre a exploração de reservas de petróleo offshore perto da foz do rio Amazonas, segundo a publicação Brazilian Report. Os dois ministros estão em lados opostos de um debate interno do governo sobre a exploração de petróleo na área ecologicamente sensível. Falando antes da Cúpula Amazônica, Vieira disse que os chefes de estado da região amazônica emitirão uma declaração conjunta na terça-feira sobre novas metas e tarefas para a cooperação em relação à floresta tropical. Vieira disse que a exploração mineral “deve ser realizada com toda a margem de segurança possível”. O título resume o texto: “Na cúpula da Amazônia, petróleo offshore é o elefante na sala”.

Sobre este tema, manifestantes ambientalistas protestaram no domingo contra os planos da Petrobras de perfurar para extrair petróleo na foz do rio Amazonas. “Amazônia livre de petróleo”, dizia uma faixa segurada pelo grupo de 50 manifestantes do lado de fora de um centro de convenções onde os chefes de estado das nações amazônicas se reunirão esta semana para discutir a união de esforços para proteger a floresta tropical. “Esse tipo de exploração hoje, em 2023, não nos contempla e só coloca em risco nossas vidas e nosso modo de vida”, disse um manifestante, Luis Barbosa, em texto da Reuters.

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O Independent foi mais crítico. Afirma que, historicamente, os governos da Amazônia têm visto a região como uma área a ser colonizada e explorada, com pouca consideração pela sustentabilidade ou pelos direitos de seus povos indígenas. Agora, à medida que esses governos procuram reprimir uma atmosfera de faroeste de extração de recursos, abusos de direitos humanos e crimes ambientais, a colaboração entre fronteiras é imprescindível. Esse é um dos principais objetivos da Cúpula Amazônica, onde o Brasil receberá formuladores de políticas e outros para discutir como enfrentar os imensos desafios de proteger um recurso crítico para reduzir as mudanças climáticas.

A cúpula da Amazônia também foi noticiada pela Prensa Latina e pelo Nodal.

Identidade indígena

Reportagem do Guardian informa que um número crescente de brasileiros está recuperando sua identidade indígena, após anos de luta por esses direitos. Quando um recenseador bateu à porta de Vahnessa de Oliveira Ferreira, no Rio de Janeiro, em 2010, e lhe perguntou como ela se identificava racialmente, ela respondeu “mestiça”. Doze anos depois, quando lhe foi feita a mesma pergunta para o censo de 2022 do Brasil, ela mudou sua resposta para “indígena”. “Os indígenas aprenderam a se justificar [como mestiços] porque, por muito tempo, ser indígena era sinônimo de ser preguiçoso, um imprestável, um selvagem”, disse Ferreira, guia turística e educadora social que agora se identifica orgulhosamente como uma mulher indígena trans.

A agência Associated Press divulgou um vídeo de cerca de 3 minutos sobre um líder indígena que inspirou uma cidade amazônica a aprovar uma lei que concede o status de pessoa a um riacho ameaçado de extinção.

8 de janeiro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira (7) a condenação de 40 acusados de participação nos atos golpistas de 8 de janeiro. A soma das acusações pode chegar a 30 anos de prisão para crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do estado democrático de direito, dano qualificado e grave ameaça, com uso de substância inflamável, contra o patrimônio da União e dano considerável à vítima, segundo a cubana Prensa Latina.

Zelensky

O argentino La Nación recupera assunto já explorado pela mídia brasileira. O presidente ucraniano Volodymir Zelensky acusou seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de “coincidir com as narrativas” do presidente russo Vladimir Putin, depois que ele disse que nenhuma das nações em conflito quer a paz. Durante uma entrevista à EFE e a vários meios de comunicação latino-americanos em Kiev, Zelensky, quando perguntado sobre as declarações feitas pelo presidente brasileiro, disse: “Não sei por que ele tem que concordar com as narrativas”. “Espero que ele (Lula) tenha sua própria opinião. Não acho que seja necessário que seus pensamentos coincidam com os pensamentos do presidente Putin”, comentou, acrescentando que as declarações “não ajudam a trazer paz”.

Clarín também noticiou as declarações de Zelensky.

Ilustração: Lula em visita à Amazônia / Foto: Ricardo Stuckert

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