Em encontro com Lula, premiê da Espanha defende democracia e cita 8 de janeiro

Em encontro com Lula, premiê da Espanha defende democracia e cita 8 de janeiro

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu hoje a democracia e fez referência aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 contra a sede dos Três Poderes no Brasil. Sánchez, que está em uma visita de trabalho de dois dias ao Brasil, se reuniu com Lula em Brasília. Durante seu discurso, ele destacou que as duas nações vão institucionalizar um mecanismo de diálogo e ressaltou a importância de “defender a democracia de ataques extremistas”. Ele também indicou que o Brasil é um destino atraente para os investimentos espanhóis e que os dois países têm potencial de cooperação para o desenvolvimento sustentável, informa a Prensa Latina. Sánchez agradeceu a Lula por seus esforços para avançar na conclusão do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul e a União Europeia, que está atualmente em revisão, sem perspectiva de entrar em vigor.

O presidente Lula se reuniu com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez na quarta-feira e usou o evento para enviar várias mensagens de política externa. Ele disse aos repórteres que a Venezuela “sabe” que precisa realizar eleições “democráticas”, o que ele espera que convença os EUA a encerrar as sanções contra o país. Lula acrescentou que “espera” que a oposição venezuelana não aja como o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro e rejeite os resultados das eleições. A oposição na Venezuela, por sua vez, protestou contra uma série de eleições que não foram livres nem justas. Ontem, o governo da Venezuela anunciou que realizaria eleições presidenciais em 28 de julho, meses antes do previsto, informa o site em inglês feito por brasileiros Brazilian Report. Lula também reiterou seu antigo pedido de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e pediu mais impostos para os “super-ricos”.

O Nodal informa que Sánchez terá um capítulo econômico na quinta-feira em São Paulo, onde participará de um fórum de negócios e visitará as obras do metrô da cidade que estão sendo construídas pela empresa espanhola Acciona.

BOLSONARO / GOLPE

Também no Nodal, reprodução da Telesur informa que o ex-comandante do Exército Brasileiro, Marco Antonio Freire Gomes, revelou na terça-feira que Bolsonaro participou da reunião em que foram organizadas as ações golpistas de janeiro passado em Brasília. De acordo com a mídia local, Freire Gomes compareceu na última sexta-feira à Polícia Federal por mais de sete horas, nas quais respondeu a cerca de 250 perguntas. A ex-autoridade militar ressaltou que foi o ex-presidente quem lhe apresentou o projeto de golpe, assim como o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior. Em consonância com o que disse o ex-assessor de Bolsonaro, Mauro Cid, na reunião acordada com os comandantes das Três Forças, o ex-comandante da Marinha, almirante Garnier, foi o único que deu seu apoio. Freire Gomes, o ex-chefe de Estado indicou que os acampamentos em frente ao quartel, de onde os manifestantes de direita se organizaram para as ações golpistas de 8 de janeiro, não deveriam ser removidos. Outro texto reproduz coluna de Miriam Leitão em que afirma que os depoimentos dos comandantes do Exército, particularmente do ex-chefe do Exército, general Freire Gomes, colocam Bolsonaro diretamente na suposta tentativa de golpe.

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MARIELLE

O site latino Rebelión traz longo artigo do cientista social Fernando de La Cuadra sobre Marielle Franco. Afirma que em 14 de março completa-se mais um ano (6 anos) desde que Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em uma rua do bairro do Estácio, na região central do Rio de Janeiro. Os dois assassinos, Ronnie Lessa, Élcio Vieira de Queiroz e o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, ainda estão presos aguardando o julgamento que será realizado com a participação de um júri popular. A eles foi acrescentado, na última semana, o nome de Edilson Barbosa dos Santos, denunciado por ter desmontado e destruído o carro Cobalt branco usado pelos assassinos. Após a confissão voluntária feita em novembro do ano passado por Ronnie Lessa, o ex-policial militar que atirou na vereadora e em seu motorista, espera-se que nos próximos dias o nome da pessoa ou pessoas que ordenaram o assassinato e as razões pelas quais ordenaram o ataque sejam oficialmente revelados pela Polícia Federal.

YPF ARGENTINA

Brasil, Uruguai, Equador e Chile apresentaram petições aos tribunais dos EUA para apoiar a Argentina em seu recurso sobre a nacionalização da YPF e para pedir a um tribunal de recursos que reverta a decisão da juíza Loretta Preska que ordenou que o país pagasse US$ 16 bilhões ao fundo Burford. Os quatro países latino-americanos apresentaram dois ‘amicus briefs’ ao Tribunal de Apelações de Nova York para o Segundo Circuito, o tribunal de primeira instância que está julgando a apelação da Argentina contra a decisão de Preska no processo de nacionalização da empresa petrolífera, originalmente apresentado pela Eton Park e pelo Grupo Petersen, e posteriormente adquirido pela Burford. Os dois documentos, um em nome do Brasil e do Uruguai, e o outro em nome do Equador e do Chile, representam o primeiro apoio internacional no caso por parte de outras nações soberanas em apoio ao caso do governo argentino, informa o argentino La Nación.

Na foto, o presidente Lula e o premiê espanhol Pedro Sánchez no Planalto / Ricardo Stuckert

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