Lula: com Lei de Cotas, USP chega aos 90 com a cara do Brasil

Lula: com Lei de Cotas, USP chega aos 90 com a cara do Brasil

USP 9.0: A CARA DO BRASIL

Lula convocou a sociedade para um pacto com o poder público visando uma revolução na educação do Brasil. Ele destacou a necessidade de uma política robusta “de Estado”, envolvendo a comunidade e os educadores, ressaltou que a situação atual da educação do país é uma herança da escravidão, elogiando a implementação de escolas em tempo integral, e enfatizou a importância do controle rigoroso dos recursos.

“Cada companheiro governador, independentemente do partido ao qual ele pertence, cada prefeito ou prefeita tem que ter em conta que nós vamos fiscalizar seriamente esse programa. Muitas vezes a sociedade não sabe de quem é a responsabilidade no Ensino Fundamental. Se a escola está de boa qualidade, o prefeito fala que é responsável, mas se estiver ruim ele fala que a culpa é do governador ou do governo federal”, advertiu Lula, frisando que “não temos o direito de deixar para os nossos netos, bisnetos, tataranetos esse país capengando ainda do ponto de vista da educação”.

Nesta quinta-feira (25), durante a solenidade que deu início às comemorações dos 90 anos da Universidade de São Paulo (USP), Lula ressaltou a importância da democratização do conhecimento e da Lei de Cotas, exaltando a atual diversidade presente na instituição: “Eu quero cumprimentar a USP por um motivo muito especial. A cada dia que passa, ela vai ficando cada vez mais com a cara do Brasil. Uma cara que é preta, uma cara branca, uma cara parda, uma cara indígena. (…) É a cara do povo brasileiro da periferia, que, durante muitas décadas, nem sonhava em chegar na USP, e hoje é praticamente mais da metade da USP e isso é um prazer extraordinário” (Prensa Latina).

CHEGOU A CONTA

A justiça brasileira determinou que as mineradoras Vale, Samarco e BHP devem pagar quase 10 bilhões de dólares por danos causados pelo colapso de uma barragem em Mariana, no estado de Minas Gerais, em 2015. A tragédia causou a morte de 19 pessoas e resultou em grande devastação ambiental.

A decisão estabelece que as empresas deverão pagar indenização por danos morais coletivos, reconhecendo a violação dos direitos humanos das comunidades afetadas, e reconhece o impacto negativo na região, tanto em termos de habitação, emprego e relações sociais, quanto na degradação ambiental. O valor da indenização é de 47,6 bilhões de reais, que serão administradas pelo governo brasileiro e destinados a projetos e iniciativa nas áreas prejudicadas (Continental).

EXPLORAÇÃO INFANTO-JUVENIL

Dados do ministério do Trabalho e Emprego divulgados nesta sexta-feira (26) apontam que 2.564 crianças e adolescentes foram retirados de situações de trabalho infantil no Brasil em 2023. O resgate ocorreu durante as 1.518 ações de supervisão feitas pela Auditoria Fiscal do Trabalho. Dentre os resgatados, 1.923 são meninos e 641 são meninas.

O estado do Mato Grosso do Sul liderou com 372 resgates, seguido por Minas Gerais com 326 casos, e São Paulo com 203. Aproximadamente 90% dos resgatados exerciam atividades que fazem parte da Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil – construção civil, venda de bebidas alcoólicas, coleta de lixo, oficinas mecânicas, lava-rápidos e comércio ambulante em espaços públicos. Os infratores foram multados e obrigados a pagar os direitos devidos às crianças ou adolescentes.

Todos os resgatados foram encaminhados à rede de proteção à criança e ao adolescente, para inclusão em políticas públicas de proteção social (Prensa Latina).

BOI NA LINHA

A Polícia Federal brasileira realizou nesta quinta-feira (25) uma operação para investigar supostos atos de espionagem ilícita na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a PF, a agência, então liderada pelo hoje deputado federal Alexandre Ramagem, agiu para “vigiar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas”. As forças de segurança realizaram 21 buscas em residências e escritórios de suspeitos do grupo que criou uma estrutura paralela dentro da Abin.

A polícia apurou que ex-membros da inteligência realizaram intervenções clandestinas na infraestrutura telefônica do país e usaram geolocalização de celulares sem autorização judicial, em busca de benefícios pessoais e interferência em investigações da Polícia Federal. Dezoito das buscas ocorreram em Brasília, incluindo o escritório de Ramagem no Congresso. Sete agentes foram suspensos e enfrentam acusações de organização criminosa.

Em uma entrevista um canal de televisão no início deste mês, o chefe da polícia federal do Brasil, Andrei Rodrigues, estimou que o grupo tenha espionado cerca de 30.000 pessoas sem autorização judicial. Rodrigues afirmou que informações sobre o paradeiro desses alvos eram armazenadas em datacenters em Israel.

A grande maioria dos alvos ainda não foi identificada, embora incluam, segundo relatos, servidores públicos, jornalistas, juízes, advogados, políticos e policiais. Na quinta-feira (25), publicações brasileiras sugeriram que entre os nomes estariam dois ministros do Supremo Tribunal Federal, (STF), Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além de Camilo Satana, ex-governador do estado do Ceará, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), e hoje ministro da Educação, e Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

O jornal o Globo relatou que um documento descoberto pelos investigadores sugeria que havia uma trama para reunir informações supostamente indicando uma ligação entre a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e os dois ministros do STF, numa tentativa de criar notícias falsas que os desacreditassem.

A investigação também encontrou indícios de que a Abin forneceu a Jair Renan e Flávio Bolsonaro, filhos do ex-presidente, informações sobre investigações em andamento (TeleSUR, Publico e Guardian).

ESSEQUIBO

Os ministros das Relações Exteriores da Guiana, Hugh Hilton Todd, e da Venezuela, Yvan Gil, se reuniram em Brasília nesta quinta-feira (25) para discutir a crise latente em sua fronteira sobre a disputada região de Essequibo, rica em petróleo (AFP).

*Imagem em destaque: Paulo Pinto/Agência Brasil

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