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Na véspera de cúpula sul-americana, Lula critica sanções dos EUA à Venezuela

Na véspera de cúpula sul-americana, Lula critica sanções dos EUA à Venezuela

Por Carmen Munari

O encontro entre os presidentes Lula e Maduro nesta segunda-feira obteve cobertura de agências e veículos latino-americanos. Destacaram a crítica de Lula às sanções dos EUA à Venezuela. As reportagens não se reduziram apenas à bilateral e informaram também sobre a cúpula de terça-feira em que Lula vai reunir 11 presidentes da América do Sul em Brasília.

Reuters: o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e o líder brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticaram nesta segunda-feira as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela e Maduro disse que espera que uma cúpula regional sul-americana em Brasília peça a remoção dessas sanções. Lula chamou as sanções americanas de “extremamente exageradas” e criticou os Estados Unidos por negarem a legitimidade do colega de esquerda Maduro, que é considerado por Washington um líder autoritário que não permite eleições livres. Esta é a primeira visita e Maduro ao Brasil desde 2015, aproveitando as relações mais calorosas antes da reunião de 11 presidentes sul-americanos em Brasília na terça-feira. O presidente venezuelano também disse que seu país quer fazer parte do grupo Brics. Entre as questões na agenda está uma grande dívida que a Venezuela tem com o BNDES. Lula disse que discutiu com os Estados Unidos e seus colegas social-democratas sobre a legitimidade de Maduro e as “900 sanções” que a Venezuela enfrenta. “Acho que é realmente absurdo que eles neguem que Maduro seja o presidente da Venezuela”, disse.

Na Associated Press (AP), os líderes da América do Sul se reunirão na capital do Brasil na terça-feira, como parte da tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de revigorar os esforços de integração regional que, no passado, fracassaram em meio às oscilações e à polarização política do continente. Analistas afirmam que Lula percebe uma oportunidade de integração devido às afinidades políticas dos atuais governos da região e parece querer testar a disposição dos líderes em cooperar por meio de uma União das Nações Sul-Americanas (Unasul) renovada. Lula disse que os líderes deveriam discutir a cooperação em energia e combate ao crime, e sugeriu que poderia considerar a ideia de uma moeda regional para desafiar o dólar. Mas ele disse que nada seria decidido durante a reunião. “A ideia principal é que precisamos formar um bloco para trabalharmos juntos”, disse Lula.

“A polêmica defesa de Maduro feita por Lula em uma reunião oficial em Brasília”, no título do argentino La Nación. O presidente brasileiro atacou os EUA e a União Europeia e chamou Juan Guaidó (opositor de Maduro) de “impostor”. “É o início do retorno de Maduro” ao nível regional, e a reunião com os outros líderes será “o retorno da integração sul-americana”, acrescentou Lula, definindo o momento como “histórico”.

A cubana Prensa Latina também se saiu com a crítica do presidente Lula ao bloqueio econômico contra a Venezuela, promovido pelos Estados Unidos, em uma declaração conjunta com seu colega Nicolás Maduro, que participará de uma cúpula sul-americana aqui amanhã.

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O uruguaio El Observador priorizou a agenda do encontro de presidentes que será na terça-feira Luis Lacalle Pou, uruguaio de direita, e Nicolás Maduro venezuelano de esquerda. Em outro texto, o jornal discorre sobre a reunião bilateral Lula-Maduro desta segunda-feira. “O preconceito contra a Venezuela é muito grande” disse Lula, em destaque na reportagem.

“A ideia é não finalizar nada porque é uma conversa, como Lula definiu desde o início. É um diálogo, não há reunião institucional”, disse o ex-presidente Julio María Sanguinetti, no La Diaria.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou na segunda-feira, na véspera da cúpula dos líderes sul-americanos em Brasília, que nenhum país da região pode aspirar a se desenvolver sozinho, destacou o jornal chileno El Mercurio ao lado de seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, Lula enfatizou que “nenhum país (sul-americano) em 500 anos de história conseguiu se transformar em um país de alta renda” e todos eles “sempre lidaram com a pobreza”.

Guerra da Ucrânia

O plano de paz de Kiev é a única maneira de acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia e o tempo para esforços de mediação já passou, disse um importante assessor do presidente Volodymyr Zelenskiy, segundo a Reuters. Ele rejeitou uma enxurrada de iniciativas de paz vindas da China, do Brasil, do Vaticano e da África do Sul nos últimos meses. “Não pode haver um plano de paz brasileiro, um plano de paz chinês, um plano de paz sul-africano quando se está falando da guerra na Ucrânia”, disse um diplomata ucraniano em uma entrevista na noite de sexta-feira.

Financiamento

O dinheiro do Oriente Médio é a resposta para preencher as crescentes lacunas financeiras criadas na Ásia pelas restrições de investimento do Ocidente, ou pelo menos esse é o desejo dos financiadores e governos da região. O exemplo mais recente é do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). A instituição multilateral sediada em Xangai, conhecida como “banco do Brics”, está em negociações com a Arábia Saudita para se tornar membro, já que as sanções pesam sobre a Rússia, que é um dos cinco membros fundadores do credor, juntamente com Brasil, Índia, China e África do Sul, informa a Reuters.

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