“Os atores que instalaram a ditadura são os mesmos que estão por trás da aventura golpista que não deu certo desta vez”

“Os atores que instalaram a ditadura são os mesmos que estão por trás da aventura golpista que não deu certo desta vez”

O site latino Rebelión traz artigo com o título “Ecos barulhentos do golpe militar de 1964”, de autoria de Jeferson Miola. No texto, o autor argumenta que “os atores que conspiraram em 1964, que violaram o Estado de Direito e instalaram a ditadura, são os mesmos que estão por trás da aventura golpista que não deu certo – por pouco – desta vez”. Por essa razão, enquanto esse passado violento e traumático não for revisitado pela sociedade civil para condená-lo, a possibilidade de um futuro sombrio para o Brasil será uma hipótese muito realista. Jeferson Miola é membro do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), ex-coordenador executivo do V Fórum Social Mundial e colaborador do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE).

O site latino Nodal também traz texto sobre os 60 anos do golpe militar. “Vítimas da ditadura brasileira marcharam no 60º aniversário do golpe”. Os manifestantes pediram ao governo que estabeleça uma política de memória e restabeleça a Comissão Especial para Mortos e Desaparecidos Políticos, algo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, mas ainda não cumpriu. Amelinha Teles, de 79 anos, ex-militante comunista que foi torturada durante semanas no DOI-Codi, afirmou a necessidade de lembrar o golpe de 1964 que derrubou o governo de João Goulart porque “democracia não se faz com esquecimento”. O texto reproduz postagem no X de Dilma Rousseff:  “Manter a memória e a verdade histórica sobre o golpe militar que ocorreu no Brasil há 60 anos, em 31 de março de 1964, é crucial para assegurar que essa tragédia não se repita, como quase ocorreu recentemente, em 8 de janeiro de 2023.” Reproduz Página 12 e Brasil de Fato.

O Centro Latino-Americano de Análise Estratégica, site que publica em espanhol, traz artigo de Fernando de la Cuadra, doutor em Ciências Sociais e editor do Blog Socialismo y Democracia, com o tema “Genealogia e fundamentos do neofascismo brasileiro”. Cita série da Globoplay que mostra como o extremismo de direita foi gradativamente tomando conta de uma parcela significativa da população brasileira e as causas que levaram milhares de cidadãos a aderir e difundir os discursos totalitários de ideólogos radicais inspirados na ideologia nazi-fascista: ataques à democracia, ao autoritarismo e ao despotismo; nacionalismo exacerbado e exaltação do ódio e da violência em nome de uma suposta superioridade nacional, culto às tradições perdidas e construção de mitos sobre a grandeza do passado; animosidade em relação aos estrangeiros, desprezo pelas minorias e combate veemente à diversidade, desconfiança em relação à cultura, à arte e à inteligência; culto às armas e culto à morte; machismo e desprezo pelas mulheres, entre outras características. Muitos desses aspectos têm suas origens na ideologia nazi-fascista que surgiu há um século na Itália e na Alemanha, embora tenham sido renovados e modificados ao longo dos anos, formando algo que Robert Paxton atribui à dinâmica sócio-histórica do próprio projeto fascista, cristalizando-se talvez no que Umberto Eco chamou de ur-fascismo ou fascismo eterno. Essa doutrina é composta por uma constelação de elementos de mesmo teor e que estão presentes em movimentos com essa orientação nas sociedades contemporâneas.

O argentino Página 12 traz artigo de Eric Nepomuceno sobre os 60 anos do golpe militar no Brasil. “O dia 31 de março de 2024 marca o 60º aniversário da Revolução Democrática ou “Redentora” que liquidou o governo do presidente João Goulart e eliminou o risco de o Brasil se tornar um país comunista. 31 de março de 2024 marca o 60º aniversário do golpe civil-militar que derrubou Goulart e instalou uma ditadura que não apenas entregou o país a interesses privados e famintos, mas também lançou sombras no horizonte por 21 anos com marés de censura, tortura, desaparecimentos e assassinatos que permanecem impunes.” E termina:  “O que aconteceu no dia seguinte, 1º de abril, foi, de fato, uma realidade incoerente: não foi uma mentira, mas um golpe de Estado. Miserável, abjeto, perverso. E um golpe real.”

O texto foi republicado pelo site Rebelión.

No domingo, 31/3, o Clarín argentino publicou que no 60º aniversário do golpe militar contra o governo de João Goulart, que foi lembrado neste domingo no Brasil, o presidente Lula da Silva vetou atos oficiais em memória das vítimas, em uma tentativa de facilitar as relações com o exército, quando alguns de seus oficiais de alta patente estão sob fogo por um suposto plano de golpe que buscava impedir a posse do líder do PT na primeira semana de janeiro de 2023. O gesto de Lula é uma clara mudança de posição de um presidente que historicamente tem sido associado a posições críticas aos militares. “Precisamos aproximar a sociedade brasileira e as forças armadas: elas não podem ser tratadas como se fossem inimigas”, disse ele no final de fevereiro em uma entrevista à imprensa local, em uma prévia da ação de domingo. “Estou mais preocupado com o golpe de 8 de janeiro de 2023 do que com o golpe de 1964”, disse Lula recentemente.

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MARIELLE

O jornal britânico Independent explora a questão do chefe da polícia que seria mandante do assassinato de Marielle Franco. Diz a reportagem que dois dias após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco em 2018, sua viúva se reuniu com o chefe da polícia civil do estado, Rivaldo Barbosa, que se comprometeu a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para responsabilizar os culpados. Na verdade, o homem que a revista Veja exaltou como “Sherlock do Rio” tinha a intenção exatamente oposta, de acordo com alegações recém-reveladas. A Polícia Federal prendeu Barbosa em 24 de março – mais de seis anos depois – por supostamente ter ajudado a orquestrar o assassinato de Franco e por ter recebido dinheiro para obstruir a própria investigação que ele supervisionaria. “Horas depois do assassinato da minha esposa, eu estava diante de um homem que sabia exatamente o que tinha acontecido e, mais do que isso, que participou da ordem”, disse Mônica Benício, em meio a lágrimas, em uma entrevista à TV Brasil após sua prisão. O caso revela como apenas a indignação da sociedade e o envolvimento federal geram avanços. Os supostos mandantes do assassinato de Franco foram presos, mas isso não significa que a justiça será feita. Por enquanto, esse continua sendo mais um assassinato em uma cidade onde a vida é barata e a impunidade impera.

BOLSONARO

O Supremo Tribunal Federal negou um pedido dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro para que seu passaporte fosse devolvido para que ele pudesse viajar para Israel, de acordo com um documento oficial divulgado na sexta-feira. Os advogados de Bolsonaro disseram em um comunicado na quinta-feira que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convidou Bolsonaro para um evento em maio e solicitou à Suprema Corte que restaurasse seu passaporte. “É absolutamente prematuro remover a restrição imposta ao investigado”, escreveu o ministro do STF Alexandre de Moraes em sua decisão, que estava de acordo com uma recomendação da Procuradoria Geral da República citada por Moraes, publicou o The Independent no sábado.

MORO

O Tribunal Regional Eleitoral do estado do Paraná começará a julgar hoje o ex-juiz, ministro e senador brasileiro Sérgio Moro, acusado de abuso de poder econômico e de arrecadação e de gastos eleitorais ilícitos. Moro ganhou notoriedade nacional e internacional ao comandar, entre março de 2014 e novembro de 2018, o julgamento em primeira instância dos crimes identificados na desmantelada operação judicial Lava Jato. Sem provas, o ex-juiz condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2017, a nove anos e seis meses de prisão por suposta corrupção. Com suas manobras, ele também impediu, com a colaboração de generais e juízes, a candidatura do ex-líder trabalhista quando ele era favorito para vencer as eleições presidenciais de 2018, que foram vencidas pelo político de extrema direita Jair Bolsonaro, informa a Prensa Latina.

LÍTIO

A Sigma Lithium Corporation, sediada em Vancouver, Canadá, anunciou nesta segunda-feira um plano de investimento de US$ 100 milhões para dobrar sua produção de lítio no Brasil. O conselho de administração da empresa aprovou o início da construção da segunda fase da planta industrial Greentech, que expandirá a capacidade instalada em 250 mil toneladas por ano, com um gasto de capital de US$ 100 milhões, disse a fonte. De acordo com a empresa, o potencial de processamento deve aumentar para 520.000 toneladas por ano das atuais 270.000 toneladas, como resultado do processo de investimento, que prevê o comissionamento da nova instalação até o final de 2024 e sua primeira entrega de fábrica no primeiro trimestre de 2025, segundo reportagem da agência cubana  Prensa Latina.

Foto: Repressão ao movimento estudantil no Rio em1968 / Evandro Teixeira

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