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Alemanha ajuda vítimas da seca na África Oriental

Alemanha ajuda vítimas da seca na África Oriental

Mulher caminha em cenário marcado pela falta de água e comida, na região somali da Etiópia (Foto: Michael Tewelde /FAO)

País transferiu 25 milhões de euros para comunidades na Etiópia, Quênia, Somália e Sudão, severamente afetados pela seca na região oriental do continente africano.

ROMA – A Alemanha deu uma contribuição de 25 milhões de euros (27,1 milhões de dólares) para comunidades de quatro países da África Oriental, severamente afetados pela seca, além de alimentos e outros bens essenciais, informou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Agradecemos ao governo alemão por esta generosa contribuição à resposta da FAO à seca na África Oriental em um momento tão crítico”, disse Rein Paulsen, diretor do Escritório de Emergências e Resiliência da organização, na última quarta-feira (22.03).

A situação atual na Etiópia, Quênia, Somália e Sudão “demonstra a necessidade urgente de ajuda humanitária sustentada e em grande escala para tirar as pessoas da beira da fome”, disse Paulsen. Além disso, é necessário “aumentar massivamente os investimentos e as políticas de redução do risco de desastres e construção de resiliência, destacando o papel crucial da agricultura para alcançar um futuro sustentável para os povos da região”.

Uma seca prolongada de várias estações está causando altos níveis de insegurança alimentar aguda na África Oriental. São mais de 22 milhões de pessoas no sul da Etiópia, Quênia e Somália precisando de assistência alimentar humanitária urgente, a partir deste mês.

Essa é a Fase três da CIF (Classificação Internacional por Fases), uma escala internacional de um a cinco, onde um significa que as necessidades alimentares da população estão satisfeitas; e cinco, quando ocorre uma situação de fome.

O número de afetados inclui 2,6 milhões de pessoas em situação de emergência (IPC Fase 4) no Quênia e na Somália. E mais de 96.000 pessoas em desastres (IPC Fase 5) na Somália.

Relatórios mostram que as colheitas falharam, os animais morreram e as populações se deslocaram por toda a região.

No Sudão, a situação alimentar se deteriora com uma combinação de conflito e insegurança, períodos de seca que levaram à perda da produção agrícola e a temporada de 2021/2022, preços vertiginosos de alimentos e insumos agrícolas, e condições climáticas extremas.

Estima-se que até 11,7 milhões de pessoas enfrentem níveis críticos de insegurança alimentar (IPC Fase 3 ou pior), das quais 3,1 milhões estão em Emergência (IPC Fase 4).

As perspectivas para este ano permanecem sombrias, com crescentes preocupações sobre o desempenho das chuvas para a estação de março a maio no Chifre da África, ponta leste do continente.

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Independentemente do desempenho sazonal durante a próxima estação chuvosa, a recuperação de uma seca dessa magnitude levará anos, e as necessidades de assistência humanitária devem permanecer extremamente altas até 2023, de acordo com especialistas da FAO.

A região enfrenta sua terceira seca severa, introduzida por La Niña (evento de ventos frios sobre o Pacífico central, que afeta grande parte do planeta), e está a beira de uma catástrofe, se a assistência humanitária não se ampliar urgentemente.

A seca combinada com os altos preços dos alimentos, o acesso precário à água, ao saneamento e aos serviços de saúde estão agravando a situação em uma região que já sofre com altos níveis de insegurança alimentar.

A sub-região é uma das 16 maiores vítimas da fome no planeta -se não a maior- indica estudo recente de várias agências das Nações Unidas, em parceria com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, identificando insegurança alimentar aguda em 349 milhões pessoas, em 79 países.

O novo financiamento alemão “representa um contributo significativo para mitigar os impactos da seca na segurança alimentar e nos meios de subsistência” na zona, “aumentando o acesso imediato a alimentos nas comunidades rurais, e salvaguardando e restabelecendo os meios de subsistência”, indica o relatório da FAO.

A intervenção visa atingir quase um milhão das pessoas mais vulneráveis em áreas rurais praticamente inacessíveis ou de difícil acesso, abrangendo todos os meios de subsistência afetados. 7,6 milhões de dólares vão para a Etiópia, 7 milhões para o Quênia, 8,1 milhões para a Somália e 4,3 milhões de dólares para o Sudão.

Parte do projeto consistirá em fornecer transferências monetárias incondicionais para famílias rurais com insegurança alimentar em um programa chamado “Cash+”, para cobrir despesas básicas com alimentação, saúde e educação.

Prevê-se ainda promover a autossuficiência na produção alimentar com pacotes de ajuda aos agricultores, compostos por sementes, ferramentas, serviços subsidiados e fertilizantes, bem como a distribuição de ração animal e apoio ao transporte de água para os pastores.

A FAO argumenta que custa de três a sete vezes menos salvar um meio de subsistência do que restaurá-lo uma vez perdido. É muito mais barato salvar uma cabra com tratamento veterinário (40 centavos) do que comprar outra ($40). AE/HM

Artigo publicado originalmente na Inter Press Service:

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