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ONU lamenta fim do acordo de grãos Rússia-Ucrânia

ONU lamenta fim do acordo de grãos Rússia-Ucrânia

Medida anunciada por Moscou, na segunda-feira (17), liquida um acordo que facilita a exportação de cereais do Mar Negro, estabelecido há um ano entre Rússia, Ucrânia, Turquia e a ONU. Em meio à guerra, o acordo permitiu a passagem segura de mais de 32 milhões de toneladas de alimentos dos portos ucranianos, reduzindo os preços…

POR CORRESPONDENTE IPS

NAÇÕES UNIDAS – O secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, lamentou a medida anunciada por Moscou, na segunda-feira (17), que liquida um acordo para facilitar a exportação de cereais do Mar Negro, estabelecido há um ano entre Rússia, Ucrânia, Turquia e a ONU. A Rússia “dará um duro golpe às pessoas necessitadas em todos os lugares. Centenas de milhões de pessoas passam fome e os consumidores enfrentam uma crise global de custo de vida. Eles vão pagar o preço”, lamentou.

Em meio à guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia, o acordo permitiu a passagem segura de mais de 32 milhões de toneladas de alimentos dos portos ucranianos, reduzindo os preços dos alimentos em 23%. Antes do início do conflito, em fevereiro de 2022, a Rússia e a Ucrânia eram o primeiro e o quinto exportadores de trigo, com 20% e 10% das exportações mundiais. Além do trigo, os dois países são grandes produtores e exportadores de outros cereais, principalmente a cevada, matéria-prima da pecuária nacional. Também oleaginosas como o girassol: entre as duas nações representaram mais de 75% das exportações de óleo de girassol.

O acordo quadripartite garantiu a segurança da navegação pelo noroeste do Mar Negro – onde estão localizados os portos ucranianos de onde o grão era exportado – até o Mediterrâneo, atravessando os estreitos que ligam esses mares e cujas costas estão sob a soberania e controle da Turquia. Ao comunicar a sua decisão, o governo russo argumentou que os acordos firmados com a Rússia não foram cumpridos e que, portanto, o pacto perdeu a sua validade.

Guterres frisou que a Iniciativa do Mar Negro é uma “tábua de salvação” para a segurança alimentar e “um farol de esperança num mundo conturbado”, e destacou que o Programa Alimentar Mundial (PMA) já enviou mais de 725 mil toneladas de cereais para apoio humanitário e operações em diversas regiões. Isso ajudou a aliviar a fome em alguns dos lugares mais atingidos do mundo, incluindo o Afeganistão, o Chifre da África (Etiópia, Quênia e Somália) e o Iêmen.

Ao rescindir o pacto, além de deixar de garantir uma navegação segura no noroeste do Mar Negro, a Rússia para de facilitar a exportação desimpedida de alimentos e fertilizantes dos portos controlados pela Ucrânia, conforme o estipulado no Memorando de Entendimento entre Moscou e a ONU.

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Para reforçar sua afirmação sobre o previsível aumento da fome em diferentes regiões, Guterres comentou o salto nos preços do trigo na última segunda-feira (17). Após o meio-dia, a cotação do alqueire de trigo (35 litros ou 27 quilos) na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, subia 21 centavos, para US$ 6,56 a unidade. Nos mercados futuros, os preços do milho e da soja também subiram em diversas bolsas, impulsionados pelas altas do trigo que se seguiram ao anúncio russo.

Guterres disse estar ciente de que a exportação de alimentos e fertilizantes russos enfrenta obstáculos que persistem. Moscou lamentou que o acordo deprimisse os valores de suas exportações de alimentos.

O secretário-geral enviou uma carta ao presidente russo, Vladimir Putin, na qual destacou avanços em áreas comerciais, como a emissão de licenças de importação de produtos russos para os Estados Unidos e outros países envolvidos em regimes de sanções contra Moscou.

Outro ponto destacado na carta a Putin foi a revogação de um trecho do nono pacote de sanções da União Europeia para permitir o descongelamento de ativos de empresas de fertilizantes.

“Estes quadros regulatórios, bem como o amplo envolvimento com o setor privado para encontrar soluções dedicadas nos setores bancário e de seguros, levaram à progressiva normalização das condições de negócios desde julho de 2022, incluindo a diminuição das taxas de frete e seguro”, disse Guterres.

O descongelamento de ativos de empresas russas de fertilizantes atingiu 70% da lista original apresentada pela Rússia em novembro de 2022, com a qual a ONU conseguiu facilitar doações humanitárias desses insumos para a maioria dos países carentes da África. A carta com a qual o secretário-geral tentou apoiar o acordo não teve a resposta desejada, Guterres disse estar “profundamente desapontado por a minha proposta não ter sido ouvida”.

Apesar desse revés, o chefe da ONU garantiu que continuará trabalhando para facilitar o acesso desimpedido aos mercados mundiais para produtos alimentícios e fertilizantes ucranianos e russos. “Este continuará a ser o foco dos meus esforços, tendo em conta o aumento do sofrimento humano que inevitavelmente resultará da decisão de hoje. As apostas são muito altas em um mundo que está com fome e dor”.

Artigo publicado originalmente na IPS:
https://ipsnoticias.net/2023/07/onu-deplora-el-fin-del-acuerdo-sobre-granos-de-rusia-y-ucrania/

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