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A luta da nossa geração (68 e +) não foi em  vão*.

A luta da nossa geração (68 e +) não foi em  vão*.

Congresso da UNE: Foram “cinco mil minutos de pura emoção”. Vi, filmei, ouvi e conversei. Por coincidência, falei primeiro com uma delegada baiana.  Falei com mais três jovens olhando para o relógio. Na saída abordei um grupo de meninos e meninas. Chorei e vibrei pelas boas e doloridas recordações.

Sabado, 15/7/2023, à noite. Resolvi dar um rolê até o Memorial JK. De repente percebi diversas barracas de venda de alimentos, em frente ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Era um cenário diferente dos eventos e shows habituais.

Havia muitos jovens circulando nas barracas. Dei-me conta que tinha a ver com o Congresso da UNE. Estranhei, porque o Congresso está ocorrendo no Campus da Universidade Nacional de Brasília (UNB).

Estacionei meu pelicano vermelho e fui conferir. Arrepiei de emoção.  A galera está hospedada no Centro de Convenções.  As lembranças da militância no Movimento  Estudantil (ME) ocuparam a tríade corpo, mente e espírito. Recordei-me das porradas, prisões, torturas e assassinatos, que enfrentamos para recriar os DCEs e a UNE durante a ditadura. 

Militei na articulação política estadual para a reconstrução do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Bahia. Participei ativamente de reuniões e Encontros Nacionais de Estudantes de Economia (Eneco). Criamos a tendência Nova Ação, vinculada a Ação Popular Marxista Leninista.

Entretanto, não pude participar do Primeiro Congresso de Reconstrução da União Nacional dos Estudantes, no Centro de Convenções da Bahia, em fevereiro de 1989. Motivo: colei grau na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia, em18 de dezembro de 1977. 

Depois do expediente na Secretaria de Trabalho e Bem Estar Social (Setrabes) ia para o Centro de Convenções assistir o Congresso da UNE. Sabia que o negro Valdélio Souza, estudante de sociologia e dirigente do DCE-Bahia, tinha tudo pra concorrer no processo de reconstrução da UNE na segunda metade da década de 70. 

Contudo, durante o congresso, as tendências majoritárias  do movimento estudantil nacional  acordaram pela substituição de Valdélio por Rui César, na cabeça de uma das chapas concorrentes. Portanto Rui Cesar Costa Silva, estudante de comunicação, foi aclamado presidente da  UNE, no auge da Ditadura Civil Militar. Até hoje me pergunto porque Valdélio foi rifado da chapa liderada pelo Partido Comunista do Brasil – PCdoB.

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Ao final do congresso ouvi várias versões de militantes de quatro das principais tendências do Movimento Estudantil. Nenhuma me convenceu. Naquela época o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) era majoritáriob no ME nacional. A Juventude Estudantil Socialista vinculada ao PCdoB ainda é hegemônica, na União Nacional dos Estudantes.

Para entrar no Ulysses Guimarães é necessário mostrar uma pulseira. Conversei com os seguranças. Usei as  credenciais de ex-militante do movimento estudantil e de professor de economia da cultura e do desenvolvimento local. Então, obtive permissão para circular por cinco minutos, nas dependências do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Foram “cinco mil minutos de pura emoção”. Vi, filmei, ouvi e conversei. Por coincidência, falei primeiro com uma delegada baiana.  Falei com mais três jovens olhando para o relógio. Na saída abordei um grupo de meninos e meninas. Chorei e vibrei pelas boas e doloridas recordações.

Sai do Centro de Convenções rejuvenescido e revitalizado. Graças à coragem, sagacidade, firmeza e determinação da nossa geração, os atuais estudantes universitários brasileiros podem realizar mais um Congresso  da UNE, em ambiente democrático.

Viva a democracia!

Brasília, 16/7/2023.

Adroaldo Quintela – AdrôdeXangô 

* Xangô, Oxossi e Oxalá conspiroaram para que antecipasse a vinda à Brasília. A viagem estava programada para 3 de agosto. O acaso existe na história e na dimensão humana e espiritual.

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