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O calor, o clima e a sobrevivência da humanidade

O calor, o clima e a sobrevivência da humanidade

Os negacionistas que se recusam a acreditar nas ameaças do clima são aqueles mesmos que dizem que a terra é plana, são contra as vacinas e alinham-se à extrema-direita política.

Em sua última expedição, o quebra-gelo alemão Polar Stern constatou com surpresa que faltava gelo no Polo Norte. A placa de gelo polar tem hoje metade da espessura que tinha há 40 anos.

O tempo se esgota rapidamente para a possibilidade de vida na Terra, como nos lembra a cada segundo a contagem regressiva do relógio da Union Square.

Embora tenha acrescentado ao seu mostrador um toque de otimismo, com a exibição do percentual de energia renovável que o mundo passa a utilizar a cada dia, o ameaçador relógio do clima de Nova Iorque tem pouco a comemorar. O sombrio artefato da Union Square mostra o tempo que resta ao planeta. Se forem mantidas as emissões de carbono nos níveis de hoje, dentro de poucos anos a temperatura vai subir 1,5 graus Celsius e tornará insustentável a vida na Terra. Alguns países já receberam um aviso direto do clima, como recentemente aconteceu numa amostra do verão deste ano no Brasil. O país experimentou algumas temperaturas insuportáveis. E houve ameaçadoras enchentes no Sul.

A ONU declara que as alterações climáticas representam uma emergência sem precedentes. Nunca a destruição foi tão rápida e a comunidade internacional está falhando no combate a essa crise. Os últimos cinco anos foram os mais quentes de toda a lembrança humana e a temperatura média aumentou quase 1 por cento. A Organização Mundial de Meteorologia – OMM – acredita que, na trajetória atual, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3 a 5 graus Celsius até o final do século. E a humanidade terá de procurar outro planeta para onde se mudar.

Em artigo bem fundamentado, Liszt Vieira lembra que a situação é tão grave que já se fala na possibilidade de colapso da atual civilização. A Terra já foi palco de cinco extinções em massa antes dessa que agora nos ameaça, assinala Liszt Vieira. Há 450 milhões de anos, 86% de todas as espécies foram mortas. Setenta milhões de anos depois, 75%. Cem milhões de anos depois, 96%. Cinquenta milhões de anos depois, 80%. Cento e cinquenta milhões de anos depois, 75% de novo. Com exceção da extinção dos dinossauros pelo choque de um asteroide com a terra, equivalente a 100 trilhões de toneladas de TNT, todas envolveram mudanças climáticas.

Os tribunais

A nova frente de luta dos defensores da vida na Terra são os tribunais. Em vários países têm sido impetradas ações judiciais em nome do clima e contra os Estados, aqueles que definiram eles próprios as metas no Acordo de Paris e que não as cumprem. Algumas vitórias foram obtidas e são consideradas históricas, como aconteceu nos Países Baixos. Depois de várias vitórias da causa nas instâncias inferiores, o Supremo Tribunal determinou que o Governo da Holanda tomasse providências para uma redução de emissão de gases com efeito de estufa de pelo menos 25% em relação aos percentuais de 1990. Quem patrocinou a ação foi a Fundação Urgenda (https://www.urgenda.nl/en/home-en/), uma organização sem fins lucrativos da Holanda que visa ajudar a fazer cumprir os tratados ambientais nacionais, europeus e internacionais. Foi o primeiro caso e assim estimula outras ações judiciais contra o poder executivo em nome da luta pela sobrevivência do planeta. O advogado da Urgenda, Dennis van Berkel, disse que é inevitável o surgimento de novos casos porque a crise climática é demasiado séria para ser deixada em paz.

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Michelle Bachelet, que foi a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos até 2023, aplaudiu a decisão e estimulou outros grupos em outros países a seguirem o mesmo caminho.

As ações que obrigam os governos a cumprirem os compromissos assumidos ganhou um reforço com a resolução do Conselho dos Direitos Humanos da ONU reconhecendo como um direito universal o acesso a um meio ambiente saudável e sustentável. A Assembleia Geral da ONU confirmou a resolução.

A principal causa da crise do clima é o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Esses gases, como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), atuam como uma manta, retendo o calor do sol e impedindo-o de escapar para o espaço. Isso resulta no aquecimento global, que está causando as mudanças climáticas, como o aumento do nível do mar, a intensificação de eventos climáticos extremos e a perda de biodiversidade.

E tudo tem origem na ação humana.

Negacionismo

Durante a COP 26, mais de cem mil pessoas fizeram uma marcha de protesto em Glasgow, na Escócia, junto com várias outras pelo mundo assinalando um Dia Global pela Justiça Climática. Indígenas do Amazonas e do Quebec, cientistas e estudantes participaram defendendo a desobediência civil como o único meio de lutar contra as alterações climáticas. Não há mais confiança nas lideranças mundiais.

Os negacionistas que se recusam a acreditar nas ameaças do clima são aqueles mesmos que dizem que a terra é plana, são contra as vacinas e alinham-se à extrema-direita política.

Em sua última expedição, o quebra-gelo alemão Polar Stern constatou com surpresa que faltava gelo no Polo Norte. A placa de gelo polar tem hoje metade da espessura que tinha há 40 anos.

O tempo se esgota rapidamente para a possibilidade de vida na Terra, como nos lembra a cada segundo a contagem regressiva do relógio da Union Square.

*Imagem em destaque: Dia Global pela Justiça Climática, em Melbourne, na Austrália – Matt Hrkac/Flickr

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