Programas – de 18 a 26 de janeiro

Programas – de 18 a 26 de janeiro

*Prêmio Nobel de Literatura em 2022, a francesa Annie Ernaux é crítica aos crimes de guerra cometidos por Israel e aderiu a um boicote contra instituições culturais financiadas pelo Estado alemão em solidariedade à causa palestina. A manifestação é do grupo Strike Germany, apoiada por mais de 500 artistas e escritores, no mundo, e reage ao apoio da Alemanha a Israel acusando o establishment cultural do país de silenciar vozes em defesa da Palestina. Ernaux é apoiadora também do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) que incentiva o boicote econômico, político e cultural a Israel para pressionar o país a encerrar a ocupação de territórios palestinos e assegurar os seus direitos. Ernaux é autora dos livros Os Anos e O Acontecimento.

*Breno Altman, editor do site Opera Mundi e autor do livro Contra o Sionismo está sendo denunciado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) com o objetivo de proibi-lo de produzir transmissões ao vivo e conceder entrevistas. O advogado Pedro Serrano, responsável pela defesa de Altman, classifica a ação “um ataque sem precedentes ao jornalismo brasileiro”.

*Sinta-se em Gaza – As charges te levam até lá é o título-convite da exposição do grupo Grafistas Associados do Rio Grande do Sul e do jornal Grifo, até 29 de fevereiro, no Clube de Cultura, em Porto Alegre. Vinte e três cartunistas e escritores do Brasil, Argentina, China, Cuba, Irã e Turquia participam. É programão.

*No último domingo, 73 cidades no mundo foram palco de grandes manifestações pelo cessar fogo imediato e definitivo em Gaza. “É um ato global diante do genocídio em curso que já dura cem dias”, explicou Soraya Misleh, jornalista palestino-brasileira e coordenadora da Frente em Defesa do Povo Palestino, em São Paulo.

*Atenção também para o programa seguinte. No presente momento em que, com esforço hercúleo, todos e todas trabalhadores(as) da indústria do cinema e do audiovisual nacional começaram a apresentar uma profusão de filmes, de séries e de curtas que procuram retratar a realidade brasileira em docs ou ficção, o presidente Lula acaba de aprovar dois projetos de Lei renovando disposições para a nossa indústria cinematográfica e para a comunicação audiovisual. O PL nº 3.696/23 prorroga o prazo de obrigatoriedade de exibição comercial de obras cinematográficas nacionais, e o PL nº 5.497/19 recria a cota de exibição comercial de obras brasileiras nas salas de cinema – a chamada ‘cota de tela’.

*Em seu primeiro livro ‘não acadêmico’, Judith Butler, conhecida filósofa e professora da Universidade da Califórnia, analisa como a questão de gênero se tornou central nos discursos conservadores e reacionários. “Um fantasma com o objetivo de criar pânico moral e angariar apoio popular aos projetos políticos fascistas, autoritários e excludentes”. Em Quem tem medo de falar sobre gênero? (Boitempo Editorial) Butler escreve: “É crucial que a política de gênero se oponha ao neoliberalismo e a outras formas de devastação capitalista e não se torne seu instrumento”. O conservadorismo no Brasil, crescente nos últimos anos, é um dos objetos de análise da obra. Detalhe: o livro começou a ser desenvolvido em 2017, após a visita da professora ao Brasil, quando foi violentamente hostilizada por manifestantes em aeroporto.

*Outros trabalhos de Judith Butler: Caminhos divergentes: judaicidade e crítica do sionismo (de 2017) e A força da não violência (2021).

*As rodas de samba de pré-carnaval no Rio de Janeiro estão cada vez mais emdestaque e ocupam o lugar dos ensaios nas quadras das escolas de samba que, no passado, no mesmo período, já foram o grande programa carioca dessa época.

*Algumas das rodas de samba mais conhecidas e frequentadas: Bar Carioca da Gema, Rio Scenarium, Bar da Lapa, Beco do Rato, na Ladeira Santa Teresa, Casa do Nando, Trapiche Gamboa, Banca do André. No Andaraí, a do clube Renascença, com sambistas consagrados; a roda de samba da quadra do Cacique de Ramos; a da Pedra do Sal, aos pés do Morro da Conceição; a Vaca Atolada, na Lapa; a Samba do Nem da Tia Doca, entre Madureira e Oswaldo Cruz; a roda Samba do Ouvidor, na Rua do Ouvidor, a Pede Teresa, na Praça Tiradentes, a Samba na Calçada de Madureira e a Gloriosa, na Praça da Glória.

*O tradicional show de verão da Mangueira, este ano, será dia 31/01 e em 1º de fevereiro, e vai celebrar Alcione e Chico Buarque.A cantora é o tema da escola que festeja 50 anos de sua carreira.Além da homenageada e de Chico, estarão lá Dudu Nobre, Fernanda Abreu, Leci Brandão, Pretinho da Serrinha e Xande de Pilares. Programão.

*”Por que os direitos sociais de cidadania – tão difíceis de construir desde a redemocratização do país, marcada pela Constituição Federal de 1988 – vêm sendo facilmente desconstruídos, desmantelando políticas públicas e redes de proteção social?”. Encontrar respostas a essa indagação foi o que orientou as análises do livro Social Policy dismantling and dedemocratization in Brazil – Citizenship in Danger (Cidadania em perigo – Desmonte das Políticas Sociais e Desdemocratização no Brasil), lançado ano passado, em inglês (Ed. Springer), e em vias de ser oferecido em edição em português com oito autores coordenados pela pesquisadora Sonia Fleury, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz Antonio Ivo de Carvalho (CEE-Fiocruz), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict-Fiocruz) e do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes).

*O livro busca compreender, segundo a autora, o fenômeno da recente emergência dos regimes autoritários populistas – fenômeno observado não apenas no Brasil –, “que vem convulsionando os sistemas políticos democráticos, e desestabilizando os poderes administrativos do Estado, as políticas públicas e os direitos de cidadania”.

*Atenção para esse outro programa: assistir a Os Rejeitados, do diretor e roteirista americano de ascendência grega Alexander Payne, dos filmes mais procurados neste fim de semana e que levou até o início desta semana mais de 20 mil espectadores às salas de cinema. Atenção também ao trabalho, no filme, de Paul Giamatti, forte candidato ao Oscar de Melhor Ator, este ano.

*Estão sendo anunciadas manifestações organizadas pela Fundação Perseu Abramo para rememorar os 60 anos do golpe militar de 31 de março de 1964. Objetivo: estimular debates sobre o assunto, realizar exposições e lançar livros e um documentário registrando mais de meio século após o golpe e a ditadura civil-militar. Importante para conhecimento das novas gerações.

*Programa para refletir sobre a concentração de renda cada vez mais pornográfica: o Relatório Desigualdade S.A., da Oxfam (irônica e originalmente sigla do Comitê de Oxford para Alívio da Fome) aponta um descalabro: entre 2022 e 2023, as 96 maiores empresas do mundo declararam lucro de 1,1 trilhão de dólares. Deles, não foram reinvestidos 82,5%. Foram para o bolso gordo de acionistas. Para se aliviarem da sua fome, com certeza. Fome de lucros.

*Programa inadiável: seguir instruções do Ministério da Saúde e não se furtar à vacinação de modo geral. Negar campanhas de vacinação é inaceitável. Um lamentável e sujo instrumento político.

 *Sugestão de leitura em tempo de férias: Jogo, mimese e socialização – Os sentidos do jogo coletivo na infância, de autoria de Tamara Grigorowitschs, formada em Ciências Sociais pela USP e cuja dissertação de mestrado se transformou nesse volume com o apoio do CNPq e pesquisa na Albert-Ludwings – Universität de Freiburg, Alemanha. Ele apresenta uma análise do ato de brincar que revela o papel do jogo para os processos de socialização e de construção do self na infância. “O livro revela, sobretudo, que o jogo infantil é uma categoria analítica forte; na análise da socialização infantil, o pega-pega, o futebol, as brincadeiras de mamãe e filhinha, ganham o mesmo peso que as relações familiares, escolares, de gênero etc. (…)”, registra a Editora Alameda.

*Do cineasta argentino Santiago Mitre (diretor do premiado Argentina 1985, com Ricardo Darín), na Câmara dos Deputados, em Buenos Aires, sobre as reformas do presidente Javier Milei na indústria cinematográfica do país: “São demagógicas e destrutivas. Os filmes argentinos são admirados no mundo, mas eles não existiriam sem a Lei do Cinema e sem as regras com as quais contamos há mais de trinta anos”, disse Mitre, falando como representante da comunidade do cinema portenho. Diretores e produtores do cinema do país compareceram, esta semana, às comissões que discutem a ‘Lei Ônibus’ com quase 700 artigos que afetam vários ramos da sociedade argentina.

*Programa interditado, pergunta que não cala: por que ainda não foi restabelecida integralmente a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos cancelada pelo governo anterior?

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