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Inundações persistentes no Brasil levantam o espectro da migração climática

Inundações persistentes no Brasil levantam o espectro da migração climática

As inundações devastadoras e contínuas no sul do Brasil estão forçando alguns do meio milhão de residentes desabrigados a considerar a possibilidade de retirar suas vidas das cidades inundadas para reconstruí-las em terrenos mais altos, segundo reportagem da agência Reuters assinada pela repórter Lisandra Paraguassu. Duas semanas após o início das chuvas torrenciais, o rio Guaíba, que passa pela capital do estado, Porto Alegre, está subindo novamente, ultrapassando o nível mais alto de todos os tempos. No estado do Rio Grande do Sul, as ruas de dezenas de cidades se transformaram em rios lentos. Apenas na área ao redor de Porto Alegre, onde quatro rios convergem para formar o Rio Guaíba, os pesquisadores estimam que cerca de 3.800 quilômetros quadrados (1.500 milhas quadradas) foram inundados – mais do que a área urbana da área metropolitana de Washington DC. Com centenas de milhares de famílias fugindo das enchentes, o desastre – que matou pelo menos 147 pessoas, com 127 ainda desaparecidas – pode desencadear um dos maiores casos de migração climática da história recente do Brasil.

Em outro texto, a Reuters registra que, no sábado, o governo Lula anunciou cerca de 12,1 bilhões de reais em gastos emergenciais para lidar com a crise que desabrigou mais de 538.000 pessoas no estado, de uma população de cerca de 10,9 milhões. Com esse novo recurso, mais de 60 bilhões de reais em fundos federais já foram disponibilizados para o estado. O presidente Lula disse que o Estado reconstruirá o que foi destruído. “Sabemos que nem tudo pode ser recuperado, mães perderam seus filhos e filhos perderam suas mães”, disse Lula na mídia social X, em uma declaração para marcar o Dia das Mães.

O La Nación vê vantagem para a Argentina nas inundações. pós a chuva devastadora de cerca de 600 milímetros, os campos do estado brasileiro do Rio Grande do Sul estão completamente inundados. Nesse contexto, alguns consultores falam em uma “situação de guerra, onde prevalece a escassez” e o setor agrícola tem e terá muitos problemas para cumprir as metas de trigo estabelecidas pelo presidente Lula. Nesse estado brasileiro, cerca de 40 a 50% das necessidades do cereal são atendidas. Nesse cenário, embora não houvesse problemas para sua colocação, independentemente das enchentes no Brasil, o grão argentino poderia ter um impacto positivo significativo em sua venda para aquele país. Vale lembrar que cerca de 50% das exportações argentinas dessa safra têm como destino o Brasil.

Também o argentino Página 12 entrevista analistas sobre as graves consequências econômicas de não considerar as mudanças climáticas nas políticas públicas. O agronegócio é fortemente atingido.

O site do jornal equatoriano El Mercúrio traz os números da tragédia. O número de mortos em decorrência das graves enchentes que têm assolado o sul do Brasil nas últimas duas semanas chegou a 148 e o número de desaparecidos chegou a 127, de acordo com o último boletim da Defesa Civil divulgado na madrugada de segunda-feira, 13 de maio de 2024, entre outros. De acordo com a agência, a maior tragédia climática da história da região sul do Brasil também deixou 806 pessoas feridas.

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O La Nación dedica reportagem à cidade argentina de Concórdia. Enquanto as imagens das enchentes no Brasil se espalham pelo mundo, uma situação semelhante está ocorrendo na cidade de Concordia, na província de Entre Ríos, banhada pelo rio Uruguai. A forte inundação do rio Uruguai na última semana, como resultado das tempestades no norte do país, causou graves inundações, forçando 568 pessoas – incluindo 167 famílias com 130 crianças – a evacuar suas casas.

O argentino Ámbito Financeiro também traz matéria sobre a cidade de Concórdia. Informa que a grave situação de inundação no sul do Brasil causou complicações na Argentina e no Uruguai, como parte do efeito do transbordamento de rios e cursos d’água. Na cidade de Concordia, província de Entre Ríos, um momento crítico deixou mais de 500 pessoas evacuadas até o momento. O rio Uruguai está causando estragos em ambas as margens, como resultado das chuvas no sul do Brasil e do transbordamento do rio Guaíba. As cidades ribeirinhas de Santo Tomé e Paso de los Libres, na província de Corrientes, continuam sofrendo as consequências.

Autoridades fazem apelos desesperados para moradores fugirem após previsão de mais chuvas fortes no sul do Brasil. Inundações já afetaram mais de 2,1 milhões de pessoas, noticia o português Correio da Manhã. Traz os números da tragédia. O mesmo jornal informa em outro texto que uma família foi encontrada abraçada no meio dos escombros de uma casa em Roca Sales, no Rio Grande do Sul, estado brasileiro que tem sido fortemente abalado pelas cheias nas últimas semanas. O caso aconteceu na semana passada. Mãe, filho, nora e uma filha, de apenas 13 anos, são as vítimas mortais da tragédia. O pai da família também morreu, mas estava num outro quarto.

No também português Público: Brasil: mortes nas cheias sobem para 147, chuva continua a cair traz os números decorrentes das enchentes. Brasília desbloqueia mais dois milhões de euros para ajudar vítimas. Previsão meteorológica é “extremamente preocupante”.

O Nodal reúne diversas reportagens da mídia latina sobre as inundações no RS.


No Clarín, a pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda-feira (apenas os dados negativos): “Brasil: uma pesquisa revela que 55% dos brasileiros acham que Lula não merece outra chance em 2026”. O presidente também tem um alto nível de rejeição. Sua imagem continua negativa. No entanto, não há outro candidato que o supere nas intenções de voto.

O presidente Lula adiou sua visita oficial ao Chile a partir de sexta-feira para se concentrar na emergência causada pelas enchentes no sul do Brasil, que deixaram pelo menos 146 pessoas mortas, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, informa o La Nación chileno.

Na imagem, gaúchos deixam suas casas / Diego Vara

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