Lula diz que revisará a adesão do Brasil ao Tribunal Penal Internacional

Lula diz que revisará a adesão do Brasil ao Tribunal Penal Internacional

O presidente Lula voltou atrás nesta segunda-feira ao dizer que o Brasil ignoraria um mandado de prisão por crimes de guerra contra o líder russo Vladimir Putin, ao mesmo tempo em que afirmou que revisará a adesão do Brasil ao Tribunal Penal Internacional. No sábado, enquanto estava na Índia para uma reunião do Grupo dos 20 países, Lula disse a um entrevistador local que “de jeito nenhum” Putin seria preso se participasse da cúpula do ano que vem, que será realizada no Rio de Janeiro. “Se Putin decidir participar (da cúpula do ano que vem), cabe ao judiciário decidir (sobre uma possível prisão) e não ao meu governo”, disse Lula em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, recuando de suas observações anteriores, diz a Reuters.

The Guardian também noticiou que o presidente Lula voltou atrás nos comentários que sugeriam que Vladimir Putin poderia participar da cúpula do G20 no Rio de Janeiro no ano que vem sem medo de ser preso. No sábado, Lula levantou suspeitas ao dizer a um entrevistador indiano que não havia “nenhuma razão” para que Putin fosse detido se viajasse para a cúpula de novembro de 2024 no Brasil. Nesta segunda-feira, Lula voltou atrás depois de um protesto. “Se Putin decidir ir ao Brasil, é o sistema judiciário que decidirá se ele deve ser preso, não o governo ou o Congresso”, disse o esquerdista de 77 anos aos repórteres. “Eu nem sabia que esse tribunal existia”, acrescentou ele sobre o TPI. Lula irritou os líderes ocidentais que apoiam a luta da Ucrânia contra a Rússia com sua recusa em tomar um lado claro na guerra ou fornecer armas a Kiev. Lula tentou se posicionar como um possível mediador de paz entre Moscou e Kiev, argumentando que alguns países devem permanecer “neutros” para que a paz seja alcançada.

O presidente Lula disse nesta segunda-feira que vai rever a posição de seu país em relação ao estatuto do Tribunal Penal Internacional, do qual seu país é signatário, depois de garantir que não permitirá a prisão do presidente da Rússia em território brasileiro, segundo a agência EFE.

O britânico The Daily Star também noticiou a nova declaração de Lula sobre Putin.

El Tiempo, Colômbia, também

O Nodal, recupera declaração do presidente Lula ao assumiu no domingo a presidência do G20 em Nova Délhi com um apelo para evitar que “questões geopolíticas sequestrem a agenda” do bloco, destacando sua oposição à discussão da guerra na Ucrânia. “Não podemos deixar que questões geopolíticas sequestrem a agenda de discussões do G20”, disse Lula no encerramento da cúpula de dois dias em Nova Délhi. “Não estamos interessados em um G20 dividido (…) Precisamos de paz e cooperação em vez de conflito”, acrescentou, citado pela agência de notícias AFP.

No Granma, reportagem informa que depois de assumir a presidência do G20, o presidente Lula expressou sua vontade de convidar seus homólogos da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, para participar da cúpula a ser realizada no próximo ano no Brasil. Em uma coletiva de imprensa em Nova Délhi, na Índia, citada pela Telesur, Lula enfatizou: “Não sei por que o presidente Xi e o presidente Putin não vieram. Nós vamos convidá-los, esperamos que eles participem. Espero que, quando realizarmos a cúpula, o conflito (na Ucrânia) já tenha terminado”. Ele também disse que revisaria a posição de seu país sobre o estatuto do Tribunal Penal Internacional (ICC), que impôs um mandado de prisão contra o líder do Kremlin, depois de declarar que não permitiria que Putin fosse preso no Brasil se ele participasse da próxima reunião do G20.

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O presidente Lula criticou o bloqueio dos EUA a Cuba e disse que a nação caribenha não é um país de terroristas, informou hoje o Firstpost India. O presidente brasileiro denunciou o fato de Cuba estar sob o cerco econômico, comercial e financeiro de Washington há 60 anos, razão pela qual a população da ilha não consegue se desenvolver da maneira que deseja. Declarações dadas em entrevista coletiva em Nova Deli (Índia) ao final da cúpula do G20, informa a agência cubana Prensa Latina.

A publicação The Conversation traz texto de Brad Evans, professor de Violência Política, Universidade de Bath, sobre os 50 anos do golpe militar apoiado pelos EUA no Chile. Sob o comando de Pinochet, se tornaria o campo de experimentação de um projeto econômico que inspirou Ronald Reagan e Margaret Thatcher e que recebeu o nome de neoliberalismo. Mas também foi um laboratório de experimentos para a tortura e o desaparecimento forçado de seres humanos. Durante os 16 anos do reinado de Pinochet, 1.100 pessoas foram oficialmente registradas como “desaparecidas à força”. Apenas 104 corpos foram encontrados, embora as comunidades locais estimem que esse número seja muito maior. Algumas foram sequestradas devido a suas associações e crenças políticas, outras por abuso sexual. E algumas foram selecionadas aleatoriamente para enviar a mensagem de que ninguém estava imune à ameaça de desaparecimento. The Conversation é uma plataforma de colaboração entre acadêmicos e jornalistas.

A publicação Brazilian Report informa que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, criticou nesta segunda-feira os termos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia por seu potencial impacto sobre a agricultura familiar, abrindo uma nova frente de queixas do governo brasileiro com o acordo proposto. “Acho que esse acordo precisa ser discutido, dadas as demandas muito, digamos, altas e imediatas que os países europeus estão colocando nesse acordo”, disse Teixeira em um evento patrocinado pelo governo sobre agricultura familiar.  Abrir o mercado muito rapidamente, disse ele, ameaçaria a força do setor.

Ilustração: Presidente Lula em entrevista coletiva nesta segunda-feira em Nova Deli / Ricardo Stuckert

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