Lula: Membros do Conselho de Segurança da ONU precisam fomentar a paz e não a guerra

Lula: Membros do Conselho de Segurança da ONU precisam fomentar a paz e não a guerra

“É preciso ter uma nova geopolítica na ONU. É preciso acabar com o direito de veto dos países”, defende presidente brasileiro durante encontro no Cairo, com o presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi. Aos países da Liga Árabe, Lula apelou pela continuidade dos financiamentos (Foto: Ricardo Stuckert/ PR)

POR TATIANA CARLOTTI

Em seu encontro com o presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi, ocorrido na manhã desta quinta-feira (15.02) no Cairo (Egito), o presidente Lula foi contundente em sua defesa da paz e da solidariedade à população palestina: “É preciso ter uma nova geopolítica na ONU. É preciso acabar com o direito de veto dos países. É preciso que os membros do Conselho de Segurança sejam atores pacifistas e não atores que fomentam a guerra”, afirmou, ao lembrar que as últimas guerras no Iraque, Líbia, Ucrânia não passaram pelo Conselho de Segurança que, atualmente, “não pode fazer nada na guerra entre Israel e Faixa de Gaza”.

Brasil e Egito negociam vários acordos de comércio, investimento e cooperação em defesa, e debatem temas cruciais da agenda global, como a crise climática, a reforma das organizações internacionais e o conflito entre Israel e a Palestina. As declarações de Lula foram manchete em vários veículos como a Telesur, Eurásia Review e El Observador.

“O comportamento de Israel não tem explicação: com o pretexto de combater o Hamas, está matando mulheres e crianças”, reforçou o presidente brasileiro durante sua participação, também nesta quinta, na Liga dos Estados Árabes. Ali, Lula reafirmou seu posicionamento contrário ao ataque do Hamas em 7 de outubro, sem deixar de frisar que a resposta de Israel foi “desproporcional, indiscriminada e inaceitável”, destaca a Reuters.

Lula também informou que o Brasil fará novos aportes de recursos para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) que, apesar da gravidade da situação em Gaza, sofreu cortes de financiamento por mais de 15 países, após denúncias negadas pela agência de envolvimento com o Hamas. Uma “desumanidade e covardia”, disse Lula, ao convocar os países árabes a manterem suas contribuições financeiras. “Quando o povo palestino mais precisa de apoio, os países ricos decidem cortar ajuda humanitária”, lamentou. Confira o discurso.

A Agência Nodal lembra que Lula chega ao Cairo no momento em que acontece na capital várias conversações “entre a CIA, a Mossad, diversas delegações palestinas, o Qatar e o Egito para uma possível trégua na Faixa de Gaza, face à pressão internacional sobre Israel para parar os seus ataques contra o território palestino”. Do Egito, o presidente segue para a Etiópia, ambos países aderiram recentemente ao BRICS.

FUGA

Nesta quinta-feira, André Garcia, secretário de Políticas Penais do Ministério da Justiça, anunciou que as condições de confinamento nas prisões federais brasileiras serão reforçadas, informa a TeleSur.  A medida acontece após a fuga de dois presos, membros do Comando Vermelho, do Presídio Federal de Mossoró (RN). Hoje, foram suspensas as visitas e os presos serão mantidos em suas celas pelos próximos cinco dias. No final de 2023, destaca a reportagem, 832,3 mil pessoas estavam encarceradas em um sistema prisional que só tem capacidade para 600 mil detentos. Cerca de 1.500 deles estão detidos em prisões federais.

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FAMÍLIAS VS. BRASKEM

A Agência AFP traz uma matéria sobre a ação promovida pelas vítimas da mineradora Braskem em Maceió, onde ruas e bairros inteiros simplesmente afundaram, devido à desastrosa mineração do sal no subsolo da capital alagoana pela gigante petroquímica. Em busca da devida compensação, as famílias entraram com uma ação judicial em um tribunal em Rotterdam, na Holanda, onde a Braskem também atua. A aceitação do caso pelo tribunal holandês se baseia na conexão entre a Braskem SA e de suas subsidiárias na Holanda, o que permite a ação da justiça fora do Brasil.

ARGENTINO NA MIRA DA PF

A Polícia Federal brasileira investiga a atuação do empresário argentino Fernando Cerimedo na intentona golpista de 8 de Janeiro. Conhecido como “o argentino careca” pelos bolsonaristas, Cerimedo, que foi um dos cérebros da campanha de Javier Milei, é manchete nos jornais argentinos desde ontem, em particular no La Nacion, mas também no El Diario Argentino, Clarín e no El País. Especialista em marketing digital, Cerimedo foi um dos principais disseminadores de alegações falsas de fraude nas eleições presidenciais brasileiras de 2022. Ele está na mira da megaoperação “Tempus Veritatis”, acusado de pertencer ao “núcleo de desinformação e de ataques ao sistema eleitoral”.

AINDA O CARNAVAL

Sob o título ‘Unidos na extravagância’: os arrasadores dos bailes de carnaval da classe trabalhadora do Rio”, The Guardian traz reportagem de Constança Malleret sobre os grupos de “bate-bolas” que percorrem as ruas cariocas com fantasias elaboradas nas periferias do Rio. “É a nossa válvula de escape… Quando você bate a bola, você solta esse choro, você libera essa energia, você solta tudo”, afirma Bruno Nicolau Agnelo, fundador do grupo de bate-bola em Nilópolis, cidade satélite a noroeste do Rio.

COMEÇOU O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2024

Sob o clássico lema “Outro mundo é possível” e em meio à confluência de crises e a guerras, e cobertura exclusiva da Inter Press Service, o Fórum Social Mundial 2024 começou nesta quinta-feira (15) e vai até o próximo domingo (19), em Katmandu, capital do Nepal.

Acompanhe a partir de hoje, neste Fórum 21, a cobertura do evento mundial, com análises e reportagens de primeira linha:

O Fórum Social Mundial persiste: Outro Mundo é Possível! – por Marty Logan (IPS)

FSM criará mecanismos de atuação permanente da sociedade civil – por Pedro Rafael Vilela (Agência Brasil)

Fórum Social Mundial: morte e ressurreição? – por Liszt Vieira (Fórum 21)

O Fórum Social Mundial precisa fazer a grande política; ouça o podcast – por Emiliano José (Fórum 21)

Fórum Social Mundial começa nesta quinta-feira no Nepal – entrevista à TV Brasil, por Carlos Tibúrcio

Destacada agenda da diversidade, o Fórum Social Mundial busca se revitalizar – por Mário Osava (IPS)

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