A pobreza continua castigando os trabalhadores do mundo

A pobreza continua castigando os trabalhadores do mundo

Mais de 2 bilhões de trabalhadores estavam na economia informal em 2023, 58% da força de trabalho global. A previsão é de que a taxa diminua para 57,8% neste ano. Na foto, trabalhadores informais mexicanos oferecem os seus serviços na rua. (Crédito: Estado do México).

POR CORRESPONDENTE IPS

GENEBRA – A pobreza e a informalidade continuam castigando os trabalhadores em todo o mundo, especialmente na África, onde quase um em cada três pessoas vive na pobreza extrema, conforme relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na África, 29% dos trabalhadores têm rendimentos inferiores a 2,15 dólares por dia – o limiar internacionalmente reconhecido para a pobreza extrema – e 145 milhões de pessoas ao sul do Saara, quase um terço da população empregada, vivem na pobreza extrema.

Noutras regiões, a pobreza extrema no trabalho diminuiu, com exceção dos Estados Árabes, onde aumentou de 3% para 13% entre 2014 e 2024, conforme o estudo divulgado pela OIT na sua sede, na cidade suíça.

A média mundial é de 7%: 5% na Ásia e no Pacífico, 3% nas Américas e entre 1 e 2% na Europa.

Com a atual policrise – conflito armado, inflação, dívida externa, rutura da cadeia de abastecimento, crise climática, consequências da pandemia – a previsão é de que tanto a pobreza quanto a informalidade persistam, uma vez que estão interligadas.

As difíceis condições econômicas estão empurrando os trabalhadores para a economia informal. A OIT alerta para o fato de que esses empregos carecem dos elementos críticos das relações de trabalho formais, nomeadamente o acesso a sistemas de proteção social, o que constitui um obstáculo à justiça social.

Globalmente, mais de 2 bilhões de trabalhadores estavam na economia informal em 2023, 58% da força de trabalho global, e a previsão é de que a taxa diminua ligeiramente para apenas 57,8% neste 2024.

A diminuição da taxa de informalidade em menos de um ponto percentual desde 2015 é demasiado lenta para qualquer perspectivas de formalização generalizada do trabalho a curto prazo.

Em 2021, 56% das pessoas com mais de 15 anos em todo o mundo estavam empregadas, o que significa que a renda do trabalho determina a vida de 3,3 bilhões de trabalhadores e de suas famílias.

A diminuição do percentual da renda do trabalho no produto interno bruto (PIB) mostra que os aumentos da produtividade do trabalho não se traduziram totalmente em remuneração do trabalho.

Além disso, as mulheres e os jovens continuam a enfrentar taxas de desemprego mais elevadas do que os seus homólogos masculinos e adultos em todos os países e na maioria das regiões. Em 2023, as disparidades de gênero nas taxas de desemprego são quase idênticas às de 2015.

A maior disparidade entre os gêneros permanece nos Estados Árabes: há mais de uma década que as mulheres têm, sistematicamente, cerca de duas vezes mais probabilidades de estarem desempregadas do que os homens.

A taxa mundial de jovens nem-nem, que não estão empregados, não estão em formação e nem estudando foi de 21,7% no ano passado (14,1% homens e 29,7% mulheres).

Embora no emprego as mulheres estejam representadas em quase 40%; em 2022, elas ocuparam somente 27,5% dos cargos de gestão contra 28,5% em 2021. Ao ritmo atual, poderão ser necessários 176 anos para que as mulheres atinjam a paridade de gênero em cargos de comando.

Em termos de cumprimento dos direitos laborais fundamentais (liberdades de associação e negociação colectiva), a OIT regista uma “deterioração alarmante”, com base no indicador que utiliza, que varia entre zero (melhor cumprimento possível) e 10 (pior).

A média global deste indicador em 2022 situou-se em 4,81, uma deterioração significativa e contínua desde 2015, quando se situou em 4,5.

Esta deterioração afeta tanto os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento, e tem sido evidente em todas as regiões desde 2015.

Estas mudanças são motivadas na prática, e de forma alarmante, por violações das liberdades civis fundamentais dos trabalhadores, dos empregadores e de suas organizações.

O Comitê de Peritos da OIT para a Aplicação das Convenções e Recomendações sublinha numa declaração que “a paz universal e duradoura só pode se basear na justiça social”, mantida somente através da observância dos direitos trabalhistas e da realização dos direitos humanos em sentido lato.

Artigo publicado na Inter Press Service.

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