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A economia da Ásia está crescendo de forma estável

A economia da Ásia está crescendo de forma estável

Por Correspondente da IPS

MANILA – As economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico estão crescendo de forma permanente, prevendo-se um crescimento de 4,9% em 2024 e uma taxa semelhante no próximo ano, de acordo com as previsões do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD).

O economista-chefe do BAD, Albert Park, afirmou: “Estamos observando um crescimento forte e estável para a maioria das economias em desenvolvimento da Ásia este ano e no próximo, impulsionado por uma demanda interna sólida, melhoria nas exportações de semicondutores e recuperação do turismo”.

Park afirmou que “a confiança do consumidor está melhorando e, de modo geral, o investimento é resiliente. A demanda externa também está forte, especialmente no que diz respeito aos semicondutores”, utilizados em computadores, telefones celulares, câmeras digitais, televisores, máquinas de lavar, refrigeradores e lâmpadas LED.

A região coberta pelo BAD inclui todos os países asiáticos e do Pacífico, exceto os da Ásia Ocidental, e todas as nações em desenvolvimento, com exceção dos já industrializados Austrália, Japão e Nova Zelândia.

O BAD prevê um crescimento mais forte este ano no sul e sudeste da Ásia, impulsionado tanto pela demanda interna quanto pelas exportações, compensando uma desaceleração na China causada pela fraqueza do mercado imobiliário e pelo consumo moderado.

Prevê-se que o crescimento da China desacelere para 4,8% este ano e 4,5% no próximo, em comparação com 5,2% em 2023. Mas para toda a região, excluindo a China, o crescimento esperado é de 5% este ano e 5,3% no próximo.

Espera-se que a Índia continue sendo um importante motor de crescimento na região, com uma expansão de 7% este ano e 7,2% no próximo. O maior crescimento esperado na Ásia Meridional é o da Índia, seguido por Bangladesh (6,1%) e, no próximo ano, Butão (7,0%), um destino turístico nos Himalaias.

Na Ásia Central, as maiores taxas de crescimento (6,5%) serão em Tajiquistão e Turquemenistão, ao atrair investimentos chineses e russos, e no Sudeste, Filipinas e Vietnã se destacam, ambos com 6,0% este ano e 6,2% no próximo.

Quanto à inflação, espera-se que registre uma moderação em 2024 e 2025, após ter sido impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos em muitas economias nos últimos dois anos.

O BAD acredita que os formuladores de políticas devem permanecer vigilantes, pois existem vários riscos, como interrupções na cadeia de abastecimento, incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos, efeitos de condições climáticas extremas e maior fraqueza do mercado imobiliário na China.

A inflação nos países em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico deverá diminuir para 3,2% este ano e 3,0% no próximo, à medida que as pressões globais sobre os preços diminuem e a política monetária permanece restritiva em muitas economias.

No entanto, para a região, excluindo a China, a inflação continua mais alta do que antes da pandemia de Covid-19, que começou no início de 2020.

Os preços do arroz contribuíram para uma maior inflação alimentar, especialmente em economias dependentes de importações. É provável que os preços ainda permaneçam elevados ao longo deste ano. As razões incluem perdas de colheitas devido a condições climáticas adversas e restrições às exportações de arroz pela Índia.

Segundo o BAD, o aumento dos custos globais de transporte marítimo, devido a ataques a navios no Mar Vermelho e à seca no Canal do Panamá, também pode contribuir para a inflação na Ásia. A análise indica que, para lidar com o aumento dos preços do arroz e proteger a segurança alimentar, os governos podem conceder subsídios específicos para populações vulneráveis e melhorar a transparência e o monitoramento do mercado, para evitar a manipulação e a especulação de preços.

A médio e longo prazo, as políticas devem se concentrar na criação de reservas estratégicas de arroz para estabilizar os preços, promover a agricultura sustentável e a diversificação de cultivos, e investir em tecnologia e infraestrutura agrícola para aumentar a produtividade.

A cooperação regional também pode ajudar a gerenciar os preços do arroz e seu impacto, de acordo com o relatório.

O BAD, criado em 1966, é de propriedade de 68 Estados membros, sendo 49 deles da região.

*Imagem em destaque: Um comprador examina qualidades de arroz em um mercado de Bangladesh. Imagem: Kazi Riasat/FAO

*Publicado originalmente em IPS – Inter Press Service | Tradução e Revisão: Marcos Diniz

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