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Tempestades de areia avançam sobre América do Sul e Caribe

Tempestades de areia avançam sobre América do Sul e Caribe

Por Correspondente da IPS

A América do Sul e o Caribe estão entre as regiões que podem ser mais afetadas por tempestades de areia que têm impactos negativos na economia e na saúde das populações, alertou em seu novo boletim a Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta quinta-feira (19).

As tempestades de areia e poeira “têm repercussões na saúde, no transporte, incluindo a aviação e o transporte rodoviário e ferroviário, e na agricultura. Isso afeta a saúde pública, a segurança e as economias”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

A exposição a partículas de poeira está associada a efeitos adversos à saúde, como ataques cardíacos, mortalidade cardiovascular, câncer de pulmão e a infecção conhecida como febre do vale, presente no oeste dos Estados Unidos.

Essas tempestades também reduzem o desempenho de usinas solares e espalham agentes patogênicos, afetando negativamente as economias locais e regionais. No continente americano, a perda de nutrientes do solo representa um custo para a agricultura de mais de US$ 8 bilhões por ano.

De acordo com o relatório da entidade, a média global das concentrações médias anuais de poeira na superfície em 2022 foi ligeiramente superior à de 2021, devido ao aumento das emissões do centro-oeste da África, da península Arábica, da planície iraniana e do noroeste da China.

Foram identificadas áreas críticas com concentrações de poeira significativamente mais altas na América Central e do Sul, na África Central, na Espanha, no Mar Vermelho, na península Arábica, na planície iraniana, no Golfo de Bengala, na Ásia Meridional, no noroeste da China e no Oceano Atlântico tropical, entre a África Ocidental e o Caribe.

A cada ano, cerca de 2 bilhões de toneladas de poeira entram na atmosfera, obscurecendo os céus e prejudicando a qualidade do ar em regiões que podem estar a milhares de quilômetros de distância, afetando as economias, os ecossistemas, o clima e o tempo.

“Em grande parte, isso é um processo natural, embora grande parte seja resultado de uma má gestão dos recursos hídricos e da terra”, afirma a OMM.

A organização está desenvolvendo sua iniciativa “Alertas Antecipados para Todos”, com a qual pretende melhorar a precisão das previsões e dos serviços de alerta existentes em relação a tempestades de poeira.

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“Promovemos o conceito de serviços de alerta antecipado para múltiplos perigos, agrupando todos os riscos em um único quadro, e a previsão que leva em consideração os impactos desempenha um papel central na melhoria dos avisos sobre tempestades de areia e poeira”, disse Taalas.

Mas ele acrescentou que “é preciso fazer mais, especialmente diante da contínua degradação do meio ambiente e das mudanças climáticas presentes e futuras”.

Seus relatórios mostram que as atividades humanas têm um efeito sobre as tempestades de areia e poeira. Por exemplo, o aumento das temperaturas, a seca e uma maior evaporação causam uma redução da umidade do solo.

“Isso, combinado com uma gestão inadequada da terra, favorece o surgimento de mais tempestades de areia e poeira”, destacou Taalas.

Nas últimas décadas, a região do Oriente Médio, onde se encontram os continentes asiático, africano e europeu, tem sido amplamente afetada por processos de desertificação e episódios “alarmantes” de poeira, de acordo com o boletim.

A extração intensiva de água e a crescente pressão sobre os recursos hídricos agravam os problemas associados a um clima árido, com áreas críticas na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, bem como nas regiões do Irã, Iraque e Síria.

As regiões mais vulneráveis ao transporte de poeira a longa distância são a região norte do oceano Atlântico tropical, entre a África Ocidental e o Caribe, a América do Sul, os mares Mediterrâneo e Arábico, o Golfo de Bengala, o centro-leste da China, a península da Coreia e o Japão.

Em 2022, o transporte transatlântico de poeira africana invadiu toda a região do Mar do Caribe, e este ano tem havido incursões frequentes.

O relatório foi publicado quando a Semana do Clima da América Latina e do Caribe está prestes a acontecer no Panamá, de 23 a 30 de outubro, antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que ocorrerá em Dubai em dezembro.

*Imagem em destaque: Metsul

**Publicado originalmente em IPS – Inter Press Service | Tradução de Marcos Diniz

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