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O mito da social-democracia

O mito da social-democracia

Às vezes torna-se difícil identificá-los à primeira vista porque costumam se denominar socialistas. Tem sido sempre uma alternativa de poder por contar com o eleitor que busca o equilíbrio no panorama político de cada país. Mas na maioria das vezes sua prática é a de somar forças à direita e, dessa forma, contribuir para reforçar a ação ultrarreacionária da extrema-direita.

Eles surgiram como alternativa aos partidos de esquerda, com o objetivo de fazer frente ao movimento comunista que liderava a causa operária. A ponto de Stalin, num momento inspirado, ter definido a social-democracia como a pata esquerda do fascismo. Desde que se organizaram em fins do século XIX nos países da Europa, os sociais-democratas têm sofrido altos e baixos e, nos últimos anos, experimentado derrotas expressivas enquanto fornecem eleitores para o populismo conservador.

Apresentam-se como uma força de centro ou de centro esquerda e procuram ser o fiel da balança do espectro político. Às vezes torna-se difícil identificá-los à primeira vista porque costumam se denominar socialistas. Têm sido sempre uma alternativa de poder por contar com o eleitor que busca o equilíbrio no panorama político de cada país. Mas na maioria das vezes sua prática é a de somar forças à direita e, dessa forma, contribuir para reforçar a ação reacionária da extrema-direita.

É neles, quer se situem nos chamados centro, centro-esquerda ou centro-direita, que se abriga a maioria silenciosa de que falou Nixon sobre o eleitorado estadunidense. Fiéis às suas origens históricas, têm representado uma comporta de contenção dos movimentos de esquerda e na maioria das vezes estão disponíveis para poiar candidatos conservadores.

França e Alemanha

Na França, abrigam-se na sigla do Partido Socialista que, sob a liderança de François Miterrand, conheceu nos anos 1980/1990 os seus melhores momentos. Em 2012 teve nova vitória com François Hollande mas, a partir daí, começou sua decadência em direção ao ocaso. Em 2017 Hollande desistiu de concorrer a um segundo mandato. O socialista Benoît Hamond teve pouco mais de 6 por cento dos votos e ficou em quinto lugar entre os candidatos numas eleições que conheceram o crescimento da extrema direita comandada por Marine Le Pen. Atualmente está ocupando um exíguo espaço situado abaixo do A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron e a extrema direita representada pelo Reunião Nacional de Le Pen.

O PS francês tem tradição de alinhamento à esquerda. Seu congênere alemão SPD-Partido Social-Democrata da Alemanha tem uma história pendular. É um dos partidos mais antigos do país, sofreu dura perseguição nos anos nazistas e foi obrigado a fazer uma fusão com o partido comunista durante o controle soviético. Historicamente o seu maior rival é o CDU, chamado de centro direita. Esses dois partidos dominam tradicionalmente a política alemã. Embora seja parte da coalizão que governa o país e ser o partido que colocou Olaf Scholz no governo, o SPD enfrenta uma crise interna desde 2019, com o fracasso nas eleições para o Parlamento Europeu. A líder Andrea Nahles renunciou à presidência do partido e à liderança da bancada no parlamento federal.

Suécia e Áustria

Na Suécia eles são bem-sucedidos nas eleições desde os primeiros anos do Século 20. Depois da Segunda Guerra Mundial criaram no país um sistema de bem-estar social tido como modelo, o que lhes tem garantido grande força junto aos eleitores. A partir dos anos 1990, este sistema passou a sofrer cortes sob alegação de que ficara caro demais. Os sociais-democratas começaram a perder votos para os populistas de direita que fazem oposição à política migratória liberal do país. No país de Greta Thunberg, os verdes também têm perdido apoio para a extrema direita do SD-Democratas Suecos.

O Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) conheceu grandes sucessos eleitorais até os anos 1990, mas se vê acossado pelos populistas de direita do Partido da Liberdade (FPÖ). Sua história política é marcada pelas coalizões com as forças conservadoras, embora nem sempre em maioria. Esse comportamento faz os sociais-democratas austríacos perguntarem-se sobre a força da sua imagem, se ela não estaria diluída diante do eleitorado por causa de tantas coalizões que podem levar o eleitor a pensar no SPÖ como um simples partido caudatário de outros atores políticos. Mas continua a ser uma força política. É o partido com mais assentos no Parlamento Federal da Áustria, com 52 deputados.

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Reino Unido, Espanha e Portugal

No Reino Unido o tradicional Partido Trabalhista foi renovado nos anos 1990 por Tony Blair mas sua participação na invasão do Iraque sob a falsa alegação da existência de armas de destruição em massa provocou forte perda de prestígio. Já há muitos anos na oposição, os trabalhistas são liderados desde 11 de janeiro de 2024 por Keir Starmer. Ele foi eleito líder do partido em outubro de 2020, derrotando Rebecca Long-Bailey e Lisa Nandy. Starmer é visto como um líder mais moderado do que seu antecessor, Jeremy Corbyn. Ele se comprometeu a unir o partido e a apresentar uma plataforma eleitoral que seja atraente para um público mais amplo. Os trabalhistas têm experimentado forte crescimento no eleitorado mais jovem.

Na Espanha o PSOE liderado por Pedro Sanchez venceu as duas últimas eleições com, com posterior dificuldade para conseguir aprovação do parlamento, ao contrário dos socialistas de Portugal que conseguiram maioria absoluta com a reeleição de Antônio Costa. Mas foi uma vitória que pouco durou. Costa renunciou após uma crise artificial e novas eleições foram convocadas para 10 de março. Estarão em jogo todos os 230 lugares da Assembleia da República.

Junto com os democratas-cristãos, os sociais-democratas formam o PPE-Partido Popular Europeu, com 265 membros e posições da chamada centro-direita. É o maior bloco político que atua no Parlamento Europeu. Ocupam atualmente a presidência do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. A plataforma política que define a ideologia do PPE ressalta valores conservadores como respeito à tradição, economia social de mercado e promoção da família. Mas defende também a liberdade como direito humano fundamental, melhoria da educação e da saúde e a integração dos imigrantes.

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