Programas – de 15 a 23 de fevereiro

Programas – de 15 a 23 de fevereiro

*Ecos do carnaval. Muitos dos enredos das escolas de samba, este ano, inspirados na realidade social. Racismo, o caso (insolúvel até hoje) Marielle Franco, a situação dos indígenas brasileiros, violência policial, identitarismo, resistência dos Yanomami que lutam para sobreviver, e homenagens a lideranças indígenas e a cultos religiosos africanos, uma das bases da nossa cultura. A direção da Mangueira, também mergulhada nesse clima, distribuiu ingressos para que a população moradora vizinha da histórica quadra da escola pudesse assistir o seu desfile gratuitamente.

*Frase de Maria do Carmo, a Maria dos Camelôs, coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs, o MUCA, e, vendedora de caipirinha ao grupo do bloco do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, há 20 anos: “O meu décimo terceiro salário é o carnaval”. Foi com ele que Maria do Carmo conseguiu comprar uniforme e material escolar para os filhos, no decorrer do período e fazer puxadinhos em sua casa.

*O livro Um Defeito de Cor, da mineira Ana Maria Gonçalves, no qual a escola da Portela se inspirou para montar seu enredo e se apresentar no Sambódromo do Rio de Janeiro com grande sucesso, em apenas um dia terminado o carnaval zerou os estoques em muitas livrarias da cidade. O volume, da Editora Record, é a fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. O romance histórico de Ana Maria Gonçalves é narrado do ponto de vista de Luiza Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama. “É a história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade desta nação”, diz a autora, ex-publicitária que trabalhou em São Paulo e hoje vive na Bahia. Para muitos, o seu livro é uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.

*Associações de moradores de diversos bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro organizam petições à prefeitura da cidade intituladas Movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei denunciando o ruído ensurdecedor, em especial de manhã, com os voos baixos, e arriscados, sobre regiões da cidade, organizados por algumas empresas de turismo durante as semanas de feriado de carnaval.

*O filme Retrato de um Certo Oriente, de Marcelo Gomes (diretor de Cinema, Aspirinas e Urubus), foi apresentado em estreia mundial no Festival de Rotterdam. Trata-se de uma coprodução ítalo-brasileira baseada em romance de Milton Hatoum com título homônimo ao do filme e vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 1990.

*Retrato de um Certo Oriente é uma história sobre memória, paixão e preconceito que acompanha a saga de imigrantes libaneses na floresta amazônica brasileira. No Líbano de 1949, dois irmãos católicos, Emilie (Wafa’a Celine Halawi) e Emir (Zakaria Kaakour), embarcam para o Brasil fugindo da guerra. Importante ficar de olho para assistir quando estrear no Brasil.

*O tema do pavilhão do Brasil na próxima Bienal de Artes de Veneza 2024 é o país como terra indígena e será renomeado como Pavilhão Hãhãwpuá, nome usado pelo povo pataxó do Sul da Bahia significando ‘os vários brasis dentro do território como terra indígena’. A exposição será intitulada Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam. A curadoria de Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana pretende mostrar a força e a resistência dos povos indígenas brasileiros. Ka’a Pûera, palavra empregada no tupi para se referir às zonas de mata derrubadas pela ação do homem ou pela própria natureza quando elas se encontram em processo de autorregeneração (ka’a “mata” e pûera “que foi”).

*A revista mineira 451 reuniu em um podcast os escritores Silviano Santiago e Ivan Angelo, na semana pré-carnavalesca, para discutir literatura e os novos livros desses autores. Com perguntas de Humberto Werneck e Paulo Werneck, este editor da revista literária, a entrevista desenhou um panorama da Belo Horizonte dos anos 60. Os dois escritores estrearam juntos em 1961 com o livro Duas Faces. No ano passado, seis décadas depois, figuraram na relação dos melhores livros publicados no período: Vidas ao Vivo, romance de Ivan Angelo, e o ensaio Grafias de Vida – a morte, de Silviano Santiago (Ambos da Companhia das Letras).

*Abaixo, o vídeo de 7 minutos produzido pela Brigada de Audiovisual Eduardo Coutinho, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, com a história do MST, que comemora o 40º aniversário desde o seu 1º Encontro Nacional, em Cascavel, no Paraná, em 1984, em um dia 22 de janeiro.

*Em 2014, João Pedro Stédile dizia, entrevistado por nós, em Carta Maior: “A reforma agrária fixa o homem no campo e desfaveliza o país”. Esta é a ideia central do discurso que, com perseverança, Stédile põe em prática há 35 anos, na posição de fundador e uma das lideranças mais expressivas do MST. E ele acrescentava: “A cidade grande é o inferno em vida para o camponês, pois sobra para ele a favela e a superexploração”. Vale até hoje.

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*Outro registro histórico é o da Associação Brasileira de Imprensa, dia 13 de março, às 16h00, ato comemorativo dos 60 anos do comício do presidente João Goulart defronte da Central do Brasil. É uma ação inserida no calendário ’60 anos do Golpe – Ditadura Nunca Mais’.

*Comité Por la Liberación de Palestina:

*Sindicato dos Bancários de Brasília e a TV comunitária do Distrito Federal apresentando importante publicação na Feira Internacional do Livro de Havana, em Cuba. Biocombustível com soberania alimentar: uma proposta revolucionária é um trabalho que trata da importância da biomassa para a transição energética e da redução de impactos negativos no meio ambiente. A publicação, coletânea de artigos de Mario Pochman, Frei Betto, Bautista Vidal, Adriano Benayon e Frei Sergio Gorgen é organizada pelo jornalista Beto Almeida e mostra como a técnica pode ser implantada em harmonia com a agricultura familiar; o combustível é produzido na própria agricultura familiar.

*A Feira de Havana está começando e esse trabalho sobre bicombustível é distribuído no estande da embaixada do Brasil, país homenageado pelo evento em 2024. Os interessados também encontram a publicação na sede do Sindicato dos Bancários de Brasília. Distribuição gratuita.

*Durante a cerimônia de entrega dos Goya, o mais importante prêmio cinematográfico da Espanha, o cineasta Pedro Almodóvar respondeu com ironia à cutucada do vice-presidente do partido Vox, de extrema direita, sob forte aplauso da plateia. A sua provocatia: “Os senhores não são os agricultores ou pecuários; são aqueles que querem ganhar a vida produzindo obras cinematográficas que ninguém vê à custa de milhões e milhões de euros que os contribuintes espanhóis pagam com grande esforço”. Almodóvar responde: “Sou daqueles que recebem subsídios e depois fazem filmes ruins que não interessam a ninguém. Vou dizer a este homem o óbvio: o dinheiro que nós, cineastas, recebemos como adiantamento, devolvemos ao Estado mais do que o suficiente através dos nossos impostos e da Segurança Social. Além disso, criamos milhares de empregos”.

*O Triunfo da Persuasão, de Alexandre Busko Valim, professor de História do Cinema na Universidade Federal de Santa Catarina, é sobre Brasil, Estados Unidos e o cinema da chamada ‘política de boa vizinhança’ durante a Segunda Guerra Mundial. Um livro fortemente atual. O autor explora a máquina de propaganda criada pelos Estados Unidos para manter a América Latina na sua esfera de influência durante e depois da Segunda Guerra Mundial com vasta programação de filmes de ficção e documentários – e montada para formar opinião pública favorável aos interesses estadunidenses.

*Escreve o professor da Universidade Federal de Santa Catarina José Gatti na apresentação do livro (Editora Alameda): “Os registros dessa operação de guerra, que atingiu quase todo o território brasileiro e cujos ecos podem ser sentidos até hoje, ficaram depositados por décadas em arquivos estadunidenses; e Valim resolveu tirar-lhes a poeira. O livro mostra como isso começou”. Também da autoria de Alexandre Valim, Imagens Vigiadas: Cinema e Guerra Fria no Brasil, 1945-1954 (Eduem/Fundação Araucária, 2010).

*Vem aí dose tripla de um dos maiores escritores de literatura infantil. É o que anuncia a Companhia das Letrinhas neste reinício das aulas. Maurice Sendak, autor do clássico Onde vivem os monstros, considerado o melhor livro infantil de todos os tempos pela BBC, lança três livros: Onde vivem os monstros, que encanta gerações há 60 anos, volta a ser publicado no Brasil. É a história de Max, garoto que vai para a cama sem o jantar por causa da bagunça que promove. Na cozinha noturna também está retornando para o leitor brasileiro. Nele, Mickey vive uma grande aventura durante a madrugada, ao verificar um barulho na cozinha. E Lá fora, logo ali, livro inédito no Brasil, é uma reflexão sobre as emoções e o enfrentamento de medos e desafios. Obra predileta de Sendak, o volume conta a história de Ida, a menina cujo pai, em alto-mar, deixa a mãe com a cabeça distante; e cabe a ela cuidar da irmã pequena.

*Esta semana, o CineSesc, do Serviço Social do Comércio, abriu inscrições para o seu curso on-line e gratuito para montadoras ministrado pela montadora Rapha Spencer. São quatro aulas a partir do dia 22. Inscrições até o dia 19, neste link.

*O Menino e a Garça, filme do mestre japonês Hayao Miyazaki, de 83 anos, é concorrente ao Oscar de Melhor Longa Metragem de Animação e estreia nos cinemas dia 22 desse mês. Hayao, hoje um dos mais respeitados animadores do mundo, anunciou sua aposentadoria em 2016. “Mas, para sorte de seus admiradores, acabou trabalhando, com paciência de monge budista, nesse filme que pode ser o último de sua carreira”, alerta a crítica de cinema Maria do Rosário Caetano.

*Do Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta: “Você já assistiu a Vale o escrito – A guerra do jogo do bicho? Importante produção que relata de forma didática o universo dos crimes e negócios da cúpula do jogo e das escolas de samba do RJ. Vale muito à pena assistir. A série mostra também as relações do crime com políticos e suas amizades e parcerias”.

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