Sucesso do Pix, intervenção do BC e 60 anos do Golpe são destaques do Brasil na mídia internacional

Sucesso do Pix, intervenção do BC e 60 anos do Golpe são destaques do Brasil na mídia internacional

“FAZ UM PIX”

Em apenas três anos, o sistema de pagamento Pix se tornou muito popular no Brasil, superando o uso de dinheiro em espécie e transferências bancárias. Agora, ele desafia a predominância dos tradicionais cartões de crédito no ascendente mercado do comércio eletrônico.

Desenvolvido pelo Banco Central (BC) brasileiro, o Pix oferece uma opção rápida e eficiente, trazendo benefícios para os varejistas online. Além de auxiliar na gestão do dinheiro, ele também compete diretamente com os bancos e fintechs que dependem dos cartões de crédito.

O presidente do BC Roberto Campos previu, há quase dois anos, que os cartões de crédito poderiam estar com os dias contados por causa do Pix, e sua previsão parece cada vez mais provável, especialmente com o recente aumento de 74% no uso do sistema de pagamento no ano passado, superando as transações com cartão. Para os consumidores, a transição para o Pix tem sido relativamente fácil, enquanto para os vendedores representa uma importante mudança no jogo da tradicionalmente lucrativa indústria de pagamentos com cartão.

No comércio eletrônico, os pagamentos via Pix já representam cerca de um terço de todas as compras, enquanto as transações com cartão de crédito caíram para 51%, representando uma mudança significativa nas preferências de pagamento, além de um desafio sério para a indústria de cartões no Brasil.

Essa tendência provavelmente vai aumentar à medida que o BC apresente novas funcionalidades para o Pix a partir deste ano, como pagamentos recorrentes e parcelamentos de compras, o que deve fortalecer o papel do método no varejo (Reuters).

INTERVENÇÃO DO BC

O Banco Central (BC) do Brasil realizou uma intervenção no mercado de câmbio por meio de um leilão adicional de contratos de swap devido à recente desvalorização do real em relação ao dólar. Enquanto alguns analistas sugerem que a medida visava atender à demanda gerada pela amortização de um título vinculado ao dólar, outros interpretam como uma estratégia para aliviar a pressão sobre o real.

O leilão ofereceu 20 mil contratos adicionais no valor de 1 bilhão de dólares, e todos foram vendidos. Aa intervenção ocorre em um contexto em que o real enfraqueceu 1,57% em relação ao dólar nos últimos dois dias, atingindo seu nível mais baixo desde outubro de 2023. É primeira intervenção cambial realizada pelo BC desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023 (La Nación via Reuters).

GIRO DE LULA

O presidente Lula fará uma série de viagens pelo Brasil para realizar entregas e anunciar obras em diversas regiões do país, e planeja visitar países sul-americanos, como Colômbia e Chile, como parte de sua agenda internacional. Em junho, ele também deve participar como convidado do G7 na Itália, onde se reunirá com líderes dos países mais industrializados do mundo (Prensa Latina).

60 ANOS DO GOLPE

O jornal espanhol El País traz extensa reportagem sobre o golpe militar de 31 de março de 1964 no Brasil, quando os militares depuseram o presidente João Goulart, dando início a um período de ditadura marcado por repressão e perseguição política e que durou mais de duas décadas.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada em 2012 com o objetivo de investigar as violações dos direitos humanos durante esse período, revelou um cenário sombrio: 434 mortes e desaparecimentos foram documentados, juntamente com práticas como detenções arbitrárias, torturas e execuções. Embora a lei de Anistia tenha concedido perdão aos repressores, alguns casos foram investigados, resultando na identificação dos responsáveis.

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E embora a CNV não tenha contabilizado os povos indígenas como parte oficial do número de vítimas da ditadura, ela registrou que pelo menos 8.350 indígenas perderam a vida entre 1964 e 1985 devido a ações ou omissões do Estado, muitas vezes associadas ao objetivo de expropriação de suas terras.

A reportagem destaca Dilma Rousseff devido à sua notável trajetória, sendo a primeira vítima de tortura durante a ditadura a assumir a presidência do Brasil. Em 2001, a ex-presidenta prestou um emocionado testemunho perante uma comissão de indenização, relatando suas experiências durante o período em que esteve presa e foi submetida a sessões brutais de tortura, eventos que moldaram sua história e contribuíram para sua luta pelos direitos humanos e pela democracia ao longo de sua carreira política.

O inelegível Jair Bolsonaro foi citado por sua postura favorável ao golpe de 64, enquanto o presidente Lula preferiu manter um ‘aniversário’ discreto do golpe para evitar conflitos com as Forças Armadas, especialmente após o ex-presidente e vários generais serem acusados de conspirar contra a democracia.Parte superior do formulário

O texto também aborda a resistência cultural à censura, destacando o caso do jornal O Globo, que admitiu em 2013 que apoiar o golpe de 1964 foi um erro. Músicos como Caetano Veloso enfrentaram perseguição e exílio devido à sua oposição ao regime.

O fim da censura foi oficializado em 1985, marcando uma transição gradual para a democracia. Uma cerimônia simbólica foi realizada no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, onde aproximadamente 700 artistas e intelectuais se reuniram para ‘enterrar’ a censura e celebrar a liberdade de expressão (El País).

AJUDA GRINGA

Os Estados Unidos não apenas apoiaram o golpe civil-militar no Brasil em 1964, como também elaboraram planos para uma possível invasão e enviaram um grupo de trabalho para apoiar os militares golpistas.

Em 2014, para auxiliar nos trabalhos da Comissão da Verdade, o então vice-presidente dos EUA Joe Biden entregou ao governo de Dilma Rousseff registros desclassificados do Departamento de Estado estadunidense, que ofereciam detalhes sobre a ditadura e a conivência de abusos por parte de Washington, incluindo um documento do ex-embaixador dos EUA no Brasil, William Rountree, argumentando que condenar os “excessos” do regime em matéria de direitos humanos seria “contraproducente”.

A Casa Branca consolidou seu apoio aos golpistas, elaborando planos de invasão e enviando um grupo naval. No final, a participação direta dos Estados Unidos não foi necessária: o presidente João Goulart fugiu para o Uruguai em 4 de abril. O golpe foi liderado pelos generais brasileiros, mas, mesmo assim, Washington o celebrou como uma vitória para seus interesses (Al Mayadin).

NUNCA MAIS!

“Hoje e sempre, é preciso recordar o golpe de 1º de abril de 1964 e suas gravosas consequências para o desenvolvimento institucional do Brasil”, escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes em seu perfil na rede social X, sublinhando ainda que “é fundamental que, ao registrarmos a passagem dessas seis décadas, rememoremos as violências e as violações cometidas, a fim de que tal estado de coisas jamais se repita. Ditadura nunca mais!” (Prensa Latina).

*Imagem em destaque: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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